Uma análise realizada pelo AutoPapo, utilizando dados da Tabela Fipe, revelou que, entre os veículos mais vendidos no Brasil, os modelos totalmente elétricos que registraram menor desvalorização ao longo do último ano.
Especificamente, o BYD Dolphin Mini, que lidera as vendas no varejo, sofreu uma queda de apenas 1% em doze meses, assim como o BYD Dolphin, com uma redução de 1,8%. Em contraste, os modelos movidos a combustão dentro da mesma lista apresentaram uma queda média de 8,5%.
O levantamento comparou o preço de cada versão em novembro de 2025 com o preço correspondente em novembro de 2026, ou seja, avaliou o mesmo veículo após um ano de uso. Foram analisadas 105 versões de 15 modelos presentes nos rankings de mais vendidos da Fenabrave, todos situados na faixa de preço entre R$ 100 mil e R$ 210 mil.
Na extremidade superior da lista, encontram-se o Jeep Compass, com uma desvalorização de 13%, seguido pelo GWM Haval H6, com 10,9%, e o Jeep Renegade, com 10,8%. Os veículos híbridos constituíram o grupo com o pior desempenho no levantamento, registrando uma perda média de 9,9%, superando até mesmo a taxa de queda dos carros a combustão.
Ao descontar a inflação do período, calculada em 4,58% pelo IPCA, todas as taxas de desvalorização aumentam: os carros a combustão tiveram uma perda efetiva de 12,5%, os híbridos de 13,8% e os elétricos de 6,1%.
Os dados apontam duas razões principais para essa variação. A primeira é de natureza tributária: desde 1º de julho, os veículos eletrificados importados estão sujeitos a 35% de imposto de importação, atingindo o teto de um cronograma iniciado em janeiro de 2024, quando a alíquota para os elétricos 100% era de 10%. Esse impacto é visível na Fipe: o preço de tabela de um carro elétrico zero-quilômetro subiu 2,1% em doze meses, enquanto o dos modelos a combustão teve uma queda de 0,4%, indicando que o usado não perde valor quando o novo equivalente encarece.
A segunda explicação provém de um estudo da consultoria Bright, que aponta que os carros elétricos custando até R$ 170 mil perderam 7,9% do seu valor real em um ano, em comparação com os 13,4% dos modelos a combustão na mesma faixa. A consultoria atribui esse resultado à oferta ainda restrita de elétricos usados, à melhoria na infraestrutura de recarga e ao aumento das garantias de bateria.
Contudo, este resultado não se aplica a todos os carros elétricos. Ao aplicar o mesmo método estatístico do AutoPapo a 197 versões elétricas de diversas marcas vendidas no país, a desvalorização média sobe para 11,3%, concentrando-se nos modelos de maior valor. Acima de R$ 250 mil, os carros elétricos analisados sofreram uma perda de 12,5% em doze meses. Os exemplos mais extremos são todos importados: o Porsche Taycan Turbo S 2023 desvalorizou 30,2%, caindo de R$ 953.724 para R$ 665.521; o Chevrolet Equinox EV 2024, em 27,3%; e o Nissan Leaf 2024, em 27,2%.



