Estudo aponta maior avanço de homens que mulheres em empregos afetados por Inteligência Artificial
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Estudo aponta maior avanço de homens que mulheres em empregos afetados por Inteligência Artificial

Um levantamento realizado pelo Pew Research Center revelou que o crescimento do emprego entre homens superou o das mulheres em profissões mais suscetíveis à inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos. A análise comparou dados do mercado de trabalho antes e após a disseminação da IA generativa para mapear disparidades de gênero.

O estudo examinou a evolução do número de trabalhadores no período compreendido entre 2017 e 2019, e também entre janeiro de 2023 e junho de 2026. Os anos de 2020 a 2022 foram omitidos da comparação devido às alterações causadas pela pandemia de Covid-19 no ambiente de trabalho.

Os achados indicam que quanto maior for o grau de exposição de uma função à IA, mais acentuada se torna a diferença no crescimento de empregos entre homens e mulheres. Especificamente, a cada incremento de um ponto na escala de exposição à IA de uma ocupação, o emprego masculino registrou um aumento de 6,3%, enquanto a variação feminina foi quase insignificante, com um avanço de apenas 0,2%.

Essa discrepância tornou-se ainda mais notável em carreiras com alta exposição tecnológica. O emprego masculino cresceu aproximadamente 24% mais nas ocupações mais impactadas pela IA quando comparado às menos expostas. Em contrapartida, o crescimento do emprego feminino manteve-se praticamente estável ao longo dessa escala de exposição.

No entanto, o cenário inverteu-se em profissões com menor contato com a inteligência artificial, onde as mulheres apresentaram um crescimento de emprego superior ao dos homens.

O levantamento faz questão de salientar que a correlação entre a exposição à IA e o aumento de contratações não implica, necessariamente, que a tecnologia seja a causa direta dessas diferenças, visto que outras transformações ocorreram no período e poderiam ter influenciado os resultados.

Para conduzir essa análise, o Pew Research Center utilizou dados de 480 ocupações, baseando-se nas informações fornecidas pela Occupational Information Network (O*NET), um banco de dados mantido pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. A classificação das ocupações leva em conta as tarefas executadas em cada profissão, a viabilidade de essas tarefas serem auxiliadas ou realizadas por IA generativa, e a relevância dessas atividades para o trabalho.

A escala de avaliação utilizada varia de zero a 3,5; quanto maior a pontuação, maior é a proporção de tarefas cruciais de uma ocupação que podem ser suportadas ou feitas pela tecnologia.

Profissões com exposição muito baixa incluem motoristas de caminhão, trabalhadores da construção civil e profissionais de limpeza. Na faixa intermediária, encontram-se assistentes médicos, caixas e audiologistas. Por outro lado, ocupações com altíssima exposição englobam contadores, desenvolvedores de software e gestores financeiros, pois suas atividades envolvem processamento de informações, leitura e escrita, processos passíveis de auxílio da IA generativa.

A pesquisa também apontou que a variação no crescimento do emprego difere conforme o nível educacional dos trabalhadores. Entre indivíduos com ensino médio completo ou escolaridade inferior, o emprego masculino cresceu 8,8% para cada ponto adicional de exposição à IA. Para as mulheres nesse mesmo nível de formação, houve, contudo, uma redução de 9,5%.

A diferença foi menos pronunciada entre aqueles que cursaram faculdade, mas não concluíram um curso superior; todavia, a distância entre os resultados de homens e mulheres permaneceu considerável neste grupo. Já entre os trabalhadores com bacharelado ou formação superior, não foram observadas alterações significativas no crescimento do emprego de nenhum dos gêneros à medida que a exposição à IA aumentava.

Adicionalmente, o estudo observou distinções na distribuição de trabalhadores entre as categorias profissionais. Homens sem diploma universitário de quatro anos tendem a estar concentrados em atividades menos expostas à IA, como transporte de cargas, construção civil e movimentação de mercadorias. Mulheres com esse mesmo nível de escolaridade, por sua vez, trabalham com mais frequência em funções como recepcionista, atendimento ao cliente e secretariado, ocupações localizadas em posições intermediárias ou superiores na escala de exposição à IA, o que sugere um papel potencial de ferramentas como chatbots e sistemas automatizados nessas atividades.

Por fim, o Pew Research Center enfatiza que ainda é prematuro definir os impactos de longo prazo da inteligência artificial no mercado de trabalho, e a análise apresentada foca nas diferenças observadas no crescimento do emprego, sem estabelecer uma ligação direta de causa e efeito entre a adoção da tecnologia e as modificações nas contratações.

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