A equipe de projeto descreve que a arquitetura, embora inevitavelmente modifique o meio ambiente, busca transformar esse ato de alteração de forma a curar o entorno, evitando danos.
O local escolhido para o projeto era o jardim dos fundos da residência dos pais do cliente, situada em Mibu, uma pacata cidade residencial localizada na província de Tochigi. Para este casal e seus três filhos, foi concebida uma casa de dois andares construída em madeira. No jardim existia um grande celeiro, que seria restaurado para continuar servindo como área de estacionamento e local de trabalho.
Para evitar que o jardim parecesse restrito ou diminuído com a implantação da casa, a sala de estar foi rebaixada em aproximadamente 500 milímetros em relação ao nível do solo. Sua cobertura foi coberta com vegetação, fazendo com que o jardim se estendesse sobre a própria estrutura da casa. Além disso, o projeto foi girado em um ângulo que acompanhava o fluxo de veículos que transitavam pelo jardim, gerando áreas onde a cobertura se aproximava do celeiro e outras onde ela se afastava.
Este espaço de estar, parcialmente enterrado, oferece uma atmosfera de refúgio, sendo acolhido pela terra e por um teto baixo de madeira. Contudo, o lado voltado para o jardim se abre amplamente, permitindo que, ao sentar-se, se observe o solo do jardim se estendendo quase até a altura dos olhos além do vidro. Assim, há um contraste entre o acolhimento proporcionado pela terra e a abertura oferecida pelo contato com ela.
O segundo pavimento apresenta uma configuração que remete a um ninho, composto por quartos menores e autônomos conectados por duas escadas, além de um mezanino elevado que serve tanto como escritório quanto como área de descanso, contrastando com a abertura do piso térreo.
A relação entre os membros da família que trabalham no jardim e aqueles que estão na sala de estar é mediada por sutis diferenças de altura. Os arquitetos frequentemente utilizam níveis intermediários para definir relações e distâncias em ambientes internos, e neste caso, essa metodologia se aplica ao exterior, na interação entre a arquitetura e o jardim. Aldo van Eyck cunhou o termo «entre-lugar» (in-between) para descrever o domínio onde o acolhimento e a abertura são sentidos simultaneamente em um só espaço.
Nesta residência, é a cobertura que cumpre esse papel duplo: vista de dentro, funciona como forro; vista do jardim, constitui uma extensão do próprio terreno. A edificação é revestida com madeira carbonizada (yakisugi) sob uma cobertura de aço galvanizado ondulado, enquanto os interiores combinam compensado de lauan com pisos de argamassa desempenada. O telhado verde recebe irrigação automática proveniente do poço já existente no terreno. A expectativa é que este jardim dos fundos, agora mais rico do que antes da construção, se estabeleça como um ponto de encontro para a nova família.