A ministra da Cultura britânica, Lisa Nandy, expressou preocupação com a persistência de abusos sexuais nos setores da comunicação social e do entretenimento, solicitando que as empresas implementem mecanismos de proteção mais robustos para as mulheres.
Lisa Nandy declarou à BBC que não pode assegurar que tais incidentes não estejam ocorrendo atualmente, dado que as organizações do setor não promoveram mudanças suficientes para evitar a reincidência de casos, como o envolvendo o ator e apresentador Russell Brand, que foi condenado na quinta-feira por violação e agressões sexuais.
A ministra detalhou que, desde que assumiu suas responsabilidades governamentais, recebeu relatos de diversas pessoas do setor sobre supostos abusos. Ela enfatizou que fatores como desequilíbrios de poder, contratos temporários e a instabilidade laboral colocam as mulheres em situações de grande vulnerabilidade.
Nesse sentido, Lisa Nandy criticou a falta de alterações significativas na maneira como as instituições da mídia e da esfera pública, incluindo a política, lidam com as mulheres que decidem denunciar tais práticas.
Diante deste cenário, a ministra fez um apelo às companhias de comunicação e entretenimento para que se associem à Autoridade Independente de Normas das Indústrias Criativas (CIISA), um órgão setorial criado para amparar aqueles que denunciam condutas abusivas. Foi mencionado que a própria BBC já faz parte desta iniciativa.
Russell Brand, que teve grande visibilidade trabalhando em diversos veículos de comunicação britânicos durante a primeira década do século XXI, foi declarado culpado de um crime de violação contra uma admiradora e de agressões sexuais contra três mulheres que trabalhavam na mídia. Esses atos teriam ocorrido entre 2004 e 2009.
O ator e comediante britânico, que tem 51 anos, deve receber sua sentença na segunda-feira, sendo que o juiz antecipou que ele enfrentará uma «pena de prisão significativa». Após a divulgação do veredito, um porta-voz da BBC, onde Brand atuou como apresentador de rádio entre 2006 e 2008, manifestou que «não pode haver lugar para o abuso de poder» e incentivou a cooperação entre as empresas do setor para que todas as vítimas de abusos se sintam seguras para denunciar.
Adicionalmente, o Channel 4, outro local de trabalho de Russell Brand, reconheceu o «profundo impacto destes crimes» e informou que a emissora televisiva já fortaleceu seus procedimentos internos de denúncia e proteção.

