Embora os prêmios de campeonatos sejam a parte mais visível, eles constituem apenas uma das diversas fontes de renda para as organizações de esportes eletrônicos. Em títulos como VALORANT e League of Legends (LoL), a Riot Games implementa programas de parceria que fornecem suporte financeiro a equipes específicas, visando garantir a continuidade das operações dos clubes e estimular o investimento no cenário competitivo.
Esses esquemas de parceria são cruciais para entender a importância da seleção das organizações participantes no mercado. O VALORANT Champions Tour (VCT) sofrerá alterações em 2027, introduzindo um novo ciclo de parcerias com validade de dois anos. De acordo com informações da Riot Games e detalhadas pelo THESPIKE Brasil, haverá oito organizações parceiras em cada uma das quatro regiões, totalizando 32 equipes no programa.
Os pagamentos anuais destinados às equipes das Américas podem variar significativamente, situando-se entre US$ 600 mil e US$ 5 milhões, dependendo de vários fatores. Essa receita provém majoritariamente de três fontes distintas. A partir de 2027, mesmo organizações não parceiras terão a possibilidade de competir nos torneios principais através de qualificatórias abertas e receberão incentivos financeiros baseados em seu desempenho. Além disso, a Riot Games anunciou um aporte adicional de US$ 6 milhões em prêmios e incentivos para o circuito.
No contexto brasileiro, LOUD, FURIA, MIBR e paiN progrediram no processo de seleção para o novo ciclo, conforme noticiado pelo THESPIKE Brasil em junho; contudo, esse avanço não confirmava a parceria. No League of Legends, o modelo combina parcerias comerciais com rendimentos gerados pelo ecossistema competitivo. Os clubes em ligas estruturadas com organizações parceiras podem receber repasses definidos em seus acordos com a Riot, somados a receitas ligadas a produtos digitais e resultados comerciais. Este modelo de LoL também inclui iniciativas de divisão de lucros de itens virtuais relacionados aos esports, embora os termos contratuais e critérios de distribuição possam diferir dos do VCT, variando conforme a liga e a temporada.
Mesmo contando com os repasses das desenvolvedoras, as equipes necessitam desenvolver outras vias de faturamento para manter suas atividades. Patrocínios de marcas, criação de conteúdo, venda de mercadorias oficiais, acordos comerciais e prêmios complementares ajudam a compor o orçamento das organizações. Tais recursos são essenciais para custear salários de jogadores, comissões técnicas, infraestrutura de treinamento, despesas de viagem e pessoal administrativo.
A distinção fundamental entre os modelos de parceria e os campeonatos convencionais reside na estabilidade financeira. Ao invés de depender unicamente de vitórias em torneios, uma organização parceira pode contar com pagamentos e oportunidades comerciais pré-estabelecidas. Apesar disso, participar de uma liga não assegura lucro, visto que os custos operacionais permanecem altos, e o sucesso depende da habilidade de cada clube em converter audiência, performance e relacionamento com os fãs em receita. Em suma, o modelo de parceria demonstra que o negócio de esports transcende as partidas, abrangendo a comercialização de produtos digitais, o interesse de marcas e a manutenção de uma comunidade ativa.



