As análises realizadas pela Bright Consulting indicam que, embora o ano de 2026 seja previsto como um período mais positivo em comparação com 2025, esse cenário está ligeiramente abaixo das estimativas apresentadas até setembro. Apesar de as vendas mostrarem sinais de estabilização, o crescimento anual, que havia atingido +22% em agosto, recuou para apenas +2,4% no encerramento do mês passado, sinalizando que o auge do ciclo de alta já passou.
A consultoria aponta dois fatores principais para essa redução: a diminuição dos estoques de veículos híbridos e elétricos de menor custo, a maioria proveniente da China, e o período eleitoral, que tende a gerar maior cautela entre os consumidores que planejam adquirir ou substituir um veículo novo.
Análise das vendas de automóveis
A média diária de vendas de carros e veículos leves, que juntos representam 94% do total (restam 5% para caminhões e 1% para ônibus), serve como um indicador relevante. Em outubro, foram registradas 11.544 unidades vendidas, um declínio em relação aos 12.799 registrados em setembro (-9,8%), mas um aumento em relação a outubro de 2025 (10.787 unidades, ou +7,0%).
Considerando os 209 dias úteis acumulados até outubro, houve manutenção de um crescimento sólido de 17,2%, superando a média anual dos principais mercados globais. Contudo, nenhuma previsão foi estabelecida para novembro, dezembro e o fechamento do ano. A Anfavea projeta a venda de 3,1 milhões de veículos para este ano, mas pode ajustar essa estimativa em um evento na próxima quarta-feira.
Em comparação internacional, a Associação de Automóveis de Passageiro da China, a maior entidade mundial com objetivos similares à Anfavea no Brasil, não inclui caminhões, ônibus ou máquinas agrícolas. A projeção para o fechamento de 2026 prevê a venda de 18,5 milhões de unidades, o que representa uma queda de cerca de 22% em relação aos 23,74 milhões vendidos em 2025, interrompendo uma sequência de cinco anos de crescimento contínuo. Isso justifica a estratégia de exportação e a oferta de preços atrativos.
Revisão de modelos e lançamentos
A Honda mantém sua linha compacta City, desenvolvida desde 2009. Inicialmente equipada com o mesmo motor do Fit, ela vendeu quase 250.000 unidades nos dez primeiros anos. Para o modelo 2027, além das versões hatchback e sedan (com cerca de 30% e 70% das vendas, respectivamente), existe a versão RS do hatch, que não sofreu alterações mecânicas, mas possui um apelo estético notável, como teto e carcaças dos retrovisores em preto perolizado.
A marca japonesa realizou uma avaliação das duas versões em uma viagem de São Paulo a São Roque (SP). Mesmo sem modificações mecânicas, o motor flex 1.5 L, de quatro cilindros, gera 126 cv (E/G) e produz 15,8 kgf·m (E) e 15,5 kgf·m (G). Ele se diferencia dos motores turbo de 1 L mais recentes. O câmbio automático CVT foi mantido. Em termos de performance, a diferença em relação aos motores turbo de 1 L predominantes no mercado e com impostos menores não é tão grande. Em ultrapassagens, o ruído aumenta um pouco mais que nos motores turbo, mas no uso diário não causa incômodo.
No quesito consumo de combustível (usando gasolina), o City teve um bom desempenho, mantendo uma média entre 16 e 17 km/L pelo computador de bordo, mesmo sob exigência em certos trechos. O veículo conta com uma nova tela multimídia de 10 polegadas, que permite controle de volume com os dedos sem remover botões físicos, além de espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. O hatch preserva o sistema Magic Seat da Honda, oferecendo quatro configurações interessantes para o banco traseiro, embora isso resulte em um leve aumento de peso.
Um ponto negativo observado durante a avaliação preliminar foi que, ao acionar a seta direita, a imagem projetada na tela multimídia se sobrepõe ao mapa do Waze ou Google Maps, sendo ideal que não ocupasse toda a tela.
Os preços variam entre R$ 117.700 e R$ 156.400 para o hatch, e entre R$ 117.700 e R$ 154.300 para o sedan.
Novos players no mercado brasileiro
Os planos da BAIC no mercado brasileiro são ambiciosos. A empresa iniciará com 50 concessionárias e planeja triplicar sua rede até 2027, além de estar estudando a instalação de uma fábrica no Brasil. O Arcfox T1 chama a atenção por suas dimensões amplas, começando pela distância entre eixos de 2.770 mm (204 mm a mais que um Polo, por exemplo). O fabricante informa um porta-malas de 459 litros, embora este valor não siga o padrão VDA, sendo mais realista para medição de volumes. O modelo chinês também incluiu estepe e buscou se adequar ao consumidor brasileiro, apesar de ainda faltar o cordão para elevar a tampa interna do porta-malas. Como vantagem, ele possui abertura elétrica, algo incomum neste segmento.
Embora seu design seja discreto, o interior oferece um espaço muito confortável para um compacto de cinco lugares, incluindo o banco traseiro, sendo superior a outros modelos de categoria imediatamente superior. Os assentos dianteiros são confortáveis e oferecem bom suporte lateral. Botões físicos foram removidos, como os controles de ar-condicionado, ajuste de retrovisores e abertura do teto panorâmico. Além disso, não há suporte nativo para Android Auto de fábrica. O acabamento interno e os materiais são considerados bons, condizentes com o preço sugerido.
A avaliação inicial ocorreu em um trajeto curto de 14 km, dividido igualmente entre os modos Conforto e Esporte. A diferença de calibração entre as duas opções é bastante perceptível. Este hatch elétrico não visa se destacar por um desempenho superior aos modelos a combustão, como frequentemente acontece. Com potência e torque modestos de 95 cv e 17,8 kgf·m, ele atinge 0 a 100 km/h em 12,4 segundos (comparado aos 10,5 s do Polo). O computador de bordo registrou um bom consumo de 10,7 kW⋅h/100 km.
Os Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS) demonstraram boa calibração e facilidade de uso, funcionando bem a centralização de faixa. Em curvas, a direção poderia ser mais comunicativa. Um destaque positivo é o assistente que reduz o diâmetro de giro em baixas velocidades para auxiliar nas manobras.
Os preços do Arcfox T1 são de R$ 129.990 a R$ 139.900.
Omoda & Jaecco SUV Cupê
Com grade e para-choque redesenhados, além de novas lanternas traseiras e rodas de 18 polegadas, o SUV cupê compacto da Omoda & Jaecco possui dimensões próximas aos modelos médios, graças à distância entre eixos de 2.630 mm, comprimento de 4.424 mm e porta-malas de 372 L. A principal inovação é o motor dianteiro elétrico, que entrega 210 cv e 29,4 kgfm. Existem duas opções de bateria: 50,6 kWh na versão Elite e 60,9 kWh na Prestige. A recarga rápida pode alcançar 130 kW, permitindo ir de 30% a 80% em 16 minutos (o processo de 20% a 100% leva mais de duas horas em carregadores rápidos).
Internamente, a mudança mais significativa está no painel, que recebeu uma nova organização de comandos, um painel de instrumentos de 8,8 polegadas e uma central multimídia de 15,6 polegadas. A alavanca de câmbio está localizada na coluna de direção, liberando espaço no console central. O veículo também dispõe de teto solar elétrico, carregador de celular por indução, conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, e câmera com visão de 540 graus. A versão topo de linha apresenta bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e massagem.
O pacote de segurança inclui sete airbags e 15 recursos de assistência ao motorista, agrupados no sistema ADAS 2.5. Estes recursos englobam controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego e assistente de prevenção de colisões.
No tráfego urbano, o veículo se destaca pelo silêncio e pela resposta imediata ao acelerador, característica de todos os elétricos. A direção leve facilita as manobras e proporciona uma condução suave. As suspensões absorvem bem as imperfeições do asfalto. Em uma viagem de São Paulo à Serra do Japi, confirmou-se que o foco é o conforto, sem exageros, enquanto o motor se sobressaiu pelas respostas rápidas que auxiliaram nas ultrapassagens. Ele acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos.
Os preços variam entre R$ 159.990 e R$ 184.990.


