A Comunidade Boliviana de Sobreviventes (CBS) endereçou um pedido ao papa Leão XIV, exigindo uma resposta «justa e definitiva» em relação às alegações de abuso infantil, que atingem principalmente membros da ordem jesuíta que conduziram missões no país.
A CBS criticou a ausência de uma resposta institucional apropriada aos abusos na Bolívia, mesmo após denúncias formalizadas junto à Conferência Episcopal Boliviana, à Nunciatura Apostólica e ao cardeal Toribio Ticona. Em uma carta aberta, a comunidade expressou pesar pela impunidade que cerca os jesuítas, classificando essa situação como resultado de uma «estrutura institucional que facilitava a protegia os seus crimes».
Diante disso, a comunidade solicitou ao sumo pontífice que reservasse um período durante sua visita à América do Sul para escutar as vítimas de abusos cometidos por clérigos na Bolívia.
O documento detalhou casos específicos, mencionando o Orfanato Tacata, localizado no centro de Cochabamba, onde foram registradas «quase 150 vítimas» de agressões sexuais, supostamente perpetradas por pelo menos cinco jesuítas. Adicionalmente, foi apontada a escola Juan XXIII, também em Cochabamba, com «400 vítimas» de cinco jesuítas que atuavam como diretores, educadores, enfermeiros e guias espirituais.
Outros locais citados incluem o lar para crianças órfãs e sem-abrigo Colonia Piraí, situado no leste de Santa Cruz, onde foram identificadas «outras 150 vítimas». Por fim, a missiva lista mais 35 vítimas envolvidas em um caso que envolve a Organização Não-Governamental (ONG) de Defesa Internacional das Crianças e seu líder, que é um padre.


