Espera-se mais de 1,5 milhão de visitantes na cúpula da ONU COP31 na Turquia
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Espera-se mais de 1,5 milhão de visitantes na cúpula da ONU COP31 na Turquia

Na cidade de Antalya, uma metrópole turística na costa do Mediterrâneo da Turquia, espera-se a chegada de mais de 1,5 milhão de convidados para a 31ª Cúpula Climática das Nações Unidas (COP31), que começa na segunda-feira.

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Habitação da Turquia, Murat Kurum, presidente da COP31, esta estimativa excede em três vezes o número habitual de visitantes da província em novembro nos últimos anos, embora mais de dois milhões de pessoas visitem o local mensalmente no verão.

Os organizadores da COP31, que durará até 20 de novembro, confirmaram a participação de 85 chefes de Estado ou de governo, cerca de 3.000 jornalistas e o envio de candidaturas de 45.000 voluntários.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, sediará a cúpula de líderes, agendada para os dias 11 e 12 de novembro. Entre os participantes estarão também o presidente do Brasil, Lula da Silva, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham.

Lula participou anteriormente da conferência anterior, a COP30, em Belém, na Amazônia brasileira, onde se localiza a maior zona florestal tropical do mundo.

A cúpula também deve registrar ausências significativas, como as dos presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. Pequim anunciou que enviará um vice-presidente, e os Estados Unidos enviarão uma delegação do Congresso.

Além disso, França, Alemanha, Índia e Rússia não foram incluídas na lista preliminar de oradores da cúpula de líderes, de acordo com informações da ONU publicadas em 21 de outubro.

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, também não planeia participar da cúpula de líderes; a delegação portuguesa na COP31 será liderada pelo ministro do Meio Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Na cidade, situada entre as águas do Mar Mediterrâneo e vestígios do passado romano, um complexo de edifícios, jardins e pavilhões com uma área de um milhão de metros quadrados, incluindo campos, pomares e florestas, acolhe a importante cúpula climática mundial. A missão deste ano é passar das promessas para as ações e focar na busca de formas de reduzir a lacuna entre o rápido progresso do aquecimento global e o ritmo dos compromissos internacionais para mitigá-lo.

Como de costume, a área está dividida na chamada 'zona azul' para delegados oficiais e na 'zona verde' para o público em geral. Segundo Kurum, quatro exposições com a participação de 120 artistas turcos e 70 estrangeiros ocorrerão na zona verde.

Apesar de o tema ser ecologia, tecnologia e clima, as autoridades turcas também usam esta oportunidade para demonstrar atrações turísticas, históricas, gastronómicas e culturais da região através de numerosos eventos paralelos, workshops e concertos.

Antalya é o principal centro turístico da Turquia, recebendo 14 milhões de visitantes em 2025, dos quais 13 milhões são estrangeiros. Além disso, nos primeiros dez meses deste ano, o número de visitantes já ultrapassou os 15 milhões.

A província possui mais de 2.700 hotéis com capacidade total de 620.000 camas, distribuídos ao longo de 180 quilómetros da costa a leste de Antalya, que atrai principalmente turistas que preferem sol e praia.

O fluxo de visitantes é estável tanto na própria cidade, construída sobre penhascos rochosos que circundam o porto de pesca, quanto no seu centro histórico com vestígios de fortificações romanas.

A cúpula também contou com acompanhamento musical: Tarkan, uma das estrelas mais conhecidas do pop turco, apresentou a canção 'Wake Up' (versão em inglês de 'Uyan'), que escreveu especificamente para a COP31. O videoclipe apela à proteção da natureza e ao bem-estar animal.

A COP31 ocorrerá de 9 a 20 de novembro e será presidida pela primeira vez por dois países: Turquia e Austrália.

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O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) emitiu um relatório antes da realização da COP31, alertando para os riscos que afetam 90 milhões de pessoas deslocadas em nações vulneráveis às mudanças climáticas.

A 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31) está agendada para ocorrer em Antália, Turquia, entre os dias 9 e 20 de novembro. Este evento acontece num momento em que dois conflitos globais – a guerra na Ucrânia desde 2022 e o confronto entre Irão, Israel e Estados Unidos desde o início deste ano – desviam a atenção do tema do controlo climático.

Devido a estes focos de atenção, um relatório recente da ONU, que aponta que o planeta já excedeu o limite de aquecimento global de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais definidos em 2015 no Acordo de Paris, tem sido pouco noticiado. Este acordo é visto como um marco histórico para prevenir alterações climáticas catastróficas e irreversíveis.

A conferência da ONU, copresidida pela Turquia e pela Austrália, foca-se na evolução da transição energética e no financiamento necessário para a descarbonização, buscando revitalizar os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris.

Para contextualizar as discussões da COP31, foram apresentados diversos conceitos. O Acordo de Paris, adotado em 2015 na COP21, é um tratado internacional que visa a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) para que as temperaturas mundiais não ultrapassem dois graus Celsius (2ºC) acima dos valores pré-industriais, preferencialmente mantendo-se abaixo de 1,5ºC.

As Alterações Climáticas referem-se às modificações nos padrões climáticos naturais da Terra, causadas pela ação humana, principalmente pela libertação massiva de dióxido de carbono (CO2) resultante do uso intenso de combustíveis fósseis. Estes efeitos incluem o derretimento de calotas polares, desertificação, extinção de espécies, destruição de ecossistemas, incêndios florestais, elevação do nível do mar, secas e inundações extremas.

O Aquecimento Global é o aumento da temperatura superficial do planeta nos últimos cem anos, impulsionado pela atividade humana, sobretudo pelo consumo de combustíveis fósseis. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), cada década desde 1980 tem sido mais quente que a anterior, sendo 2024 o ano mais quente já registado. A ONU reconhece a possibilidade de as temperaturas subirem até três graus até 2100.

Outros termos abordados incluem a Camada de Ozono, que protege a Terra das radiações ultravioletas solares; os Combustíveis Fósseis, como petróleo, gás natural e carvão; e a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que organiza encontros de alto nível sobre proteção ambiental.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) são os compromissos assumidos por cada país para diminuir as emissões de GEE, seguindo o Acordo de Paris. O Desenvolvimento Sustentável implica satisfazer as necessidades presentes sem prejudicar as gerações futuras, preservando a natureza. Já a neutralidade carbónica, ou emissões zero, é alcançada quando a quantidade de GEE removida da atmosfera iguala a emitida por atividades humanas, através da redução de fontes e investimento em florestas.

A época pré-industrial refere-se ao período anterior à Revolução Industrial, consensualmente datado antes da segunda metade do século XVIII (1750). Fenómenos Climáticos Extremos são situações anormais e crescentes em frequência devido à influência humana, como ondas de calor, secas severas e furacões intensos. O Painel Intergovernamental Sobre Alterações Climáticas (IPCC) e a ONU alertam para o aumento destes eventos.

Os Gases com Efeito de Estufa absorvem radiações infravermelhas, aquecendo o planeta; embora a sua produção seja natural, a queima de combustíveis fósseis aumentou-a exponencialmente, sendo o CO2 o principal. O metano aquece a Terra 80 vezes mais rápido que o CO2. O Mercado do Carbono permite a negociação de créditos de emissão entre países. Mitigação e Adaptação envolvem ações para reduzir emissões (meta de 50% global até 2050 comparado a 1990) e preparação para os impactos. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são as 17 metas da Agenda2030 da Assembleia Geral das Nações Unidas. Por fim, Perdas e Danos designa os prejuízos causados pelas mudanças climáticas, conceito retomado em 2013 na COP19 em Varsóvia.

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