Nubank e Mercado Pago suspenderam temporariamente as operações de depósito e retirada de criptomoedas nesta sexta-feira, dia 6. Ambas as instituições justificaram os problemas por instabilidades em fornecedores terceirizados, mas não divulgaram publicamente quais são as empresas responsáveis nem forneceram uma previsão para a normalização dos serviços.
No caso específico do Nubank, a paralisação está ligada a um fornecedor externo encarregado da verificação de transações. Em um comunicado oficial, a instituição garantiu que a falha não ocorreu em sua própria infraestrutura e que a segurança dos clientes permanece intacta, mantendo os ativos e informações dos usuários protegidos.
A empresa também esclareceu que todos os outros serviços relacionados a criptomoedas continuam operacionais; os clientes ainda conseguem comprar e vender ativos digitais na plataforma, mesmo sem poder realizar depósitos ou saques diretos em criptoativos. O banco informou que está acompanhando a situação junto ao fornecedor e retomará as operações assim que o serviço externo for restaurado.
A Fireblocks, uma empresa de tecnologia focada em custódia de ativos digitais, comentou sobre o ocorrido. A companhia assegurou que sua plataforma e infraestrutura estão funcionando normalmente e refutou a ideia de que a interrupção tenha sido causada por falhas em seus próprios sistemas.
Em um contexto de preocupação com a segurança das plataformas de criptomoedas, foram citados eventos anteriores. No final de outubro, a Binance, considerada a maior corretora global de ativos digitais, foi alvo de um ataque cibernético que resultou no roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões (equivalente a R$ 34,7 bilhões). O FBI atribuiu essa invasão ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte.
Após a plataforma retomar gradualmente os saques em 1º de novembro, os usuários retiraram bilhões de dólares em ativos. De acordo com a Reuters, as saídas líquidas atingiram US$ 4,72 bilhões (R$ 26 bilhões) após a reabertura, embora a Binance tenha declarado que os volumes de retirada começaram a se estabilizar.
Outro incidente noticiado envolveu a corretora brasileira Mercado Bitcoin. Em 2 de novembro, esta empresa comunicou ter detectado um incidente de segurança e bloqueou aproximadamente US$ 11,2 milhões (R$ 61,6 milhões) em ativos. A corretora afirmou que não houve prejuízos aos clientes nem vazamento de dados, suspendendo depósitos e saques preventivamente.
Apesar da coincidência temporal entre os fatos, não há confirmação de que as interrupções vivenciadas pelo Nubank e pelo Mercado Pago estejam relacionadas a ataques cibernéticos recentes. Uma das teorias levantadas no mercado aponta para empresas especializadas em análise de blockchain, como a Chainalysis, que auxilia instituições no monitoramento de transações e na identificação de movimentações suspeitas.
Rocelo Lopes, fundador da empresa de pagamentos com criptomoedas Truther, sugeriu à Folha de S.Paulo que problemas em serviços desse tipo poderiam explicar as interrupções. Um possível comprometimento das ferramentas de monitoramento poderia levar instituições financeiras a bloquear temporariamente transferências para prevenir operações envolvendo carteiras suspeitas ou potencialmente comprometidas. Contudo, não há confirmação de que a Chainalysis esteja envolvida nos incidentes das duas instituições, visto que tanto Nubank quanto Mercado Pago mantêm em sigilo a identidade dos fornecedores.

