Estudo revela como a microbiota ajuda o peixe-boi a extrair energia de uma dieta puramente vegetal
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Estudo revela como a microbiota ajuda o peixe-boi a extrair energia de uma dieta puramente vegetal

O estudo revelou o mecanismo pelo qual a microbiota contribui para a capacidade do peixe-boi de obter energia exclusivamente de alimentos vegetais. Como o maior mamífero de água doce do Brasil, ele mantém um peso de quase meio tonelada alimentando-se apenas de plantas, e o segredo reside em seu intestino.

Mapeando a microbiota do peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis), os cientistas descobriram uma via metabólica desconhecida: o animal possui bactérias capazes de decompor a epilactose — um carboidrato que a maioria dos microrganismos conhecidos não consegue digerir.

Esta descoberta faz parte de uma pesquisa mais ampla que demonstrou a grande diversidade de microrganismos, genes e enzimas associados à absorção da dieta vegetal por esses animais. Além da espécie de água doce, o estudo também investigou a microbiota intestinal do peixe-boi marinho (Trichechus manatus). Os resultados, publicados na terça-feira (02/11) na revista Nature Microbiology, têm um potencial significativo para aplicações biotecnológicas.

Mario Murakami, diretor do Laboratório Nacional de Recursos Bioenergéticos do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (LNBr-CNPEM) e coordenador da pesquisa com apoio da FAPESP, observou: «O peixe-boi amazônico se alimenta de uma grande variedade e quantidade de plantas. Essa dieta está sujeita a mudanças sazonais, passando da estação seca para a chuvosa. Portanto, ao longo de sua evolução, eles desenvolveram um arsenal de microrganismos intestinais capazes de digerir celulose com eficiência excepcional, cerca de 80% a 86%».

Graças a essa capacidade, o ecossistema de bactérias, arqueias, vírus e fungos no intestino do peixe-boi foi um alvo natural para o grupo de Murakami, que anteriormente estudava o microbioma intestinal do capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), uma espécie semi-aquática.

Murakami explica a diferença na estratégia digestiva: «Em ruminantes, como o gado, a fermentação microbiana ocorre principalmente no estômago, no rúmen, onde os microrganismos começam a decompor a biomassa vegetal. O peixe-boi e as capivaras usam uma estratégia diferente: eles são fermentadores do intestino posterior, e a maior parte desse processo ocorre após o estômago. Portanto, os microrganismos que vivem no intestino desempenham um papel fundamental no aproveitamento da dieta vegetal rica em fibras».

O estudo analisou amostras de 47 animais: 36 peixes-bois amazônicos mantidos no Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em Manaus, e onze peixes-bois marinhos em reabilitação no Programa de Mamíferos Marinhos da ONG Aquasis em Ceará.

Murakami participou pessoalmente de todas as fases das pesquisas realizadas e até mergulhou no mar para coletar uma amostra. Ele relatou: «Havia um peixe-boi marinho que já havia sido reintegrado à natureza, mas continuava a frequentar frequentemente a área perto do cercado onde outros animais estavam sendo recuperados. Por acaso, enquanto estávamos lá, ele defecou, e surgiu a oportunidade de coletar a amostra deste animal. Eu não hesitei: pulei na água para obtê-la».

Dos mais de 6 mil genomas de bactérias e outros microrganismos sequenciados nas análises, mais da metade representa espécies ainda não descritas pela ciência. Quanto aos vírus associados a essas comunidades microbianas, cerca de 80% eram desconhecidos.

Foram também descobertos milhares de genes e enzimas que podem ser utilizados em diversas aplicações biotecnológicas. Murakami observa: «Foi difícil escolher em qual aspecto aprofundar bioquimicamente. Agora temos dados para análise pelo menos nos próximos dez anos».

Um dos principais avanços do estudo foi a descoberta de uma enzima antes desconhecida, utilizada pela bactéria recém-descoberta ‘Candidatus Epilactovorans intestinalis’ para decompor a epilactose. Como este açúcar é inacessível para a maioria esmagadora dos microrganismos, essa capacidade serve como uma vantagem adaptativa na competição por nutrientes no intestino. No futuro, esse mecanismo pode inspirar a criação de novos agentes prebióticos — ingredientes que servem de «alimento» para estimular o crescimento de bactérias benéficas em nossa própria flora intestinal.

Ao comparar o genoma desta bactéria com outros disponíveis em bancos de dados públicos, os pesquisadores encontraram uma sequência semelhante, originária da microbiota intestinal do povo Hadza, um dos últimos grupos de caçadores-coletores da África, cujos pouco mais de mil habitantes vivem no norte da Tanzânia.

Na opinião de Murakami, essa semelhança genética não é coincidência. Ele acredita que a capacidade de metabolizar a epilactose pode ser uma característica hereditária de um ancestral comum de todos os mamíferos. Uma das hipóteses é que a dieta tradicional do povo Hadza continua a fornecer os nutrientes necessários para manter esta bactéria.

Em outro aspecto, o estudo mostrou que os microrganismos do peixe-boi trabalham em conjunto para digerir as partes mais duras e fibrosas das plantas, como celulose e hemicelulose. Essas bactérias combinam diferentes estratégias para «desconstruir» a parede celular das plantas, transformando estruturas altamente rígidas em nutrientes que o animal pode absorver.

Alguns desses compostos metabolizados são produzidos a partir da lignina — uma substância que confere rigidez às plantas e representa um dos principais obstáculos para o uso industrial da biomassa vegetal. Este conjunto de microrganismos e enzimas pode abrir novas soluções biotecnológicas para o processamento de resíduos agrícolas e o desenvolvimento de bioprodutos, incluindo aplicações em bioenergia, agricultura e outros setores da bioeconomia.

Parte das enzimas identificadas no estudo e envolvidas na desconstrução da biomassa vegetal também pode ser avaliada para aplicação em plataformas como o Coquetel Enzimático Brasileiro (OpEn), desenvolvido no CNPEM e ajustável para processar diversos materiais brutos e resíduos.

Murakami conclui: «Nosso coquetel enzimático tem grande potencial para reduzir a dependência do Brasil de enzimas importadas, bem como para criar oportunidades para o surgimento de novas indústrias de base biológica. Este trabalho demonstra que a biodiversidade brasileira é um reservatório de soluções para problemas globais e pode colocar o país na liderança da corrida pelo desenvolvimento sustentável».

As primeiras autoras do trabalho são Gabriela Persinotti, coordenadora do projeto com apoio da FAPESP no CNPEM, e Marcelo Martins, bolsista de pós-doutorado do Fundo.

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Existe um debate sobre se consumir as cascas de frutas e vegetais traz benefícios à saúde, e um novo estudo reforça essa hipótese. Partes como cascas, sementes e talos são frequentemente jogadas fora após o consumo de frutas e vegetais, mas algumas pessoas já suspeitavam que esses resíduos poderiam ser mais nutritivos que a polpa.

A pesquisa, divulgada no periódico científico International Journal of Food Sciences and Nutrition, demonstrou que, de fato, as cascas, sementes e talos contêm uma concentração de fibras superior às partes habitualmente ingeridas dessas plantas.

Um grupo de cientistas do King’s College London iniciou uma análise focada no conteúdo de fibras de doze tipos de frutas e vegetais, incluindo abóbora, kiwi, melancia, brócolis, pimentão, abacaxi, alho-poró, funcho, couve, aipo, couve-flor e beterraba. O objetivo era quantificar e comparar a quantidade de fibras tanto nas porções mais consumidas quanto nas partes geralmente descartadas, como cascas, sementes e talos.

Os resultados da investigação indicaram que, em dez dos doze alimentos testados, as porções não consumidas apresentaram um teor de fibras mais elevado. Um exemplo notável foi o abacaxi, onde a casca e o miolo possuíam aproximadamente 450% mais fibras em comparação com a polpa. Na abóbora, as sementes e a casca registraram 9,25 gramas de fibra a cada 100 gramas, enquanto a polpa continha apenas 2 gramas.

Aproveitar essas partes alimentares através de uma abordagem denominada pelos próprios autores como “da raiz à ponta” (root-to-tip) tem o potencial de elevar consideravelmente a ingestão de fibras pela população. Este aspecto é particularmente relevante visto que uma parcela significativa das pessoas não atinge a meta diária recomendada de fibras. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) revelam que 68% dos brasileiros consomem fibras insuficientes.

Contudo, um obstáculo reside no fato de que essas partes de frutas e vegetais tendem a ser duras, difíceis de mastigar e, frequentemente, não possuem um sabor muito palatável quando consumidas cruas. Por essa razão, os pesquisadores sugerem que essas partes possam ser incorporadas em receitas, sendo raladas, trituradas, assadas ou utilizando outros métodos de preparo. Além dos ganhos nutricionais potenciais, essa prática também pode contribuir para a diminuição do desperdício de alimentos e, no contexto de restaurantes, reduzir os custos operacionais das cozinhas.

Os autores concluíram que, embora subprodutos de frutas e vegetais já tenham sido estudados para aumentar o teor de fibras, o nível de fibras em muitos componentes “da raiz à ponta” ainda é desconhecido. Eles afirmam que tais achados sugerem que o consumo “da raiz à ponta” pode promover uma maior ingestão de fibras alimentares, ao mesmo tempo em que ajuda a reduzir o desperdício de alimentos.

Tendência de saúde impulsiona mudanças no consumo e expande o mercado de alimentos funcionais
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Tendência de saúde impulsiona mudanças no consumo e expande o mercado de alimentos funcionais

O consumo de refrigerantes, por exemplo, sofreu alterações significativas, abandonando calorias, açúcar e cafeína em favor de formulações mais saudáveis. Essa mudança reflete a resposta da indústria, mesmo de setores muito rentáveis, à crescente demanda por alimentos que sejam nutritivos, saborosos, práticos e de qualidade.

Dados de mercado demonstram a dimensão dessa transformação. Um estudo realizado pela agência americana Allied Market Research projetou que o mercado global de alimentos funcionais, avaliado em US$ 177,77 bilhões em 2019, deve atingir US$ 267,92 bilhões até 2027, apresentando um crescimento anual de 6,7%. Adicionalmente, a Global Industry Analysts estima que o mercado mundial de alimentos e bebidas orgânicos pode alcançar US$ 495,9 bilhões em 2027, evidenciando que a expansão da tendência de saúde é estrutural no setor.

Essa evolução não se restringe apenas às bebidas. Proteínas, fibras, produtos integrais, itens orgânicos, ingredientes naturais, opções com menor teor de sódio ou açúcar e alternativas plant-based estão ganhando espaço nas escolhas de quem busca um estilo de vida mais equilibrado.

A saúde como resposta do Grupo Ítalo

A perspectiva futura não aponta para um único modo de se alimentar, mas sim para um consumidor mais consciente em relação aos nutrientes, à procedência dos produtos, à praticidade e ao impacto das suas decisões alimentares na rotina diária.

Essa transformação também alcança os supermercados. A disponibilidade de diversas opções em um único local simplifica a vida de quem deseja fazer escolhas mais conscientes, eliminando a necessidade de visitar múltiplos estabelecimentos para encontrar cada categoria.

No Ítalo Barigui, o setor dedicado à Saúde reúne produtos tanto nacionais quanto importados, atendendo a diversas necessidades, incluindo whey, creatina, alimentos proteicos, granolas, sementes, itens zero e opções ricas em fibras e outros componentes funcionais. Ao lado disso, há categorias básicas como hortifrúti e açougue, juntamente com produtos orgânicos, alternativas plant-based, bebidas e ingredientes que auxiliam na adaptação de receitas e hábitos.

Portanto, a saúde não está confinada a um item específico ou a uma dieta restritiva; ela reside na soma das escolhas. Para o consumidor, ter variedade suficiente para tomar essas decisões em um só lugar pode ser tão relevante quanto encontrar o produto ideal.

Proteína, fibras e alimentos funcionais ganham destaque

A procura por proteína é um exemplo claro dessa alteração no comportamento do consumidor. Este nutriente deixou de ser relevante apenas para quem pratica exercícios físicos, passando a ser importante para aqueles focados em saciedade, manutenção da massa muscular e qualidade geral da alimentação.

As fontes de proteína podem vir de carnes, ovos, laticínios, mas também de leguminosas, sementes e outros alimentos vegetais. O foco atual está menos ligado a uma dieta específica e mais na capacidade de obter múltiplas fontes de nutrientes para construir refeições balanceadas.

Neste contexto, categorias como snacks proteicos, massas fortificadas com fibras, produtos integrais, granolas, sementes e refeições prontas, que unem conveniência e valor nutricional, estão se tornando parte do dia a dia de mais pessoas.

A praticidade também é um fator decisivo. Para indivíduos com rotinas agitadas, encontrar uma opção nutritiva que seja fácil de armazenar e preparar pode ser tão crucial quanto a composição do próprio alimento.

Menos açúcar, menos sódio e ingredientes reconhecíveis

A busca por uma alimentação mais saudável também se manifesta na reformulação de categorias tradicionais, como visto no caso da Coca-Cola triplo zero. Bebidas com redução de açúcar, sucos naturais, versões gaseificadas à base de frutas e produtos funcionais estão ocupando um espaço antes dominado por opções mais convencionais.

O mesmo ocorre com temperos, onde os produtos industrializados estão sendo substituídos por ervas e especiarias nos preparos. No Ítalo Barigui, essa tendência é visível em produtos da Cipria, linha de ervas e especiarias de Curitiba, que possibilita a criação de temperos utilizando insumos naturais.

Essa transição não implica transformar cada refeição em uma lista de proibições. Pelo contrário, o consumidor busca alternativas que permitam manter o prazer e o sabor enquanto faz escolhas mais conscientes. Esse equilíbrio explica a ampla abrangência da tendência de saúde: o consumidor não precisa renunciar a uma bebida familiar, a um doce ou a uma refeição rápida; ele deseja ter opções para escolher aquilo que melhor se adequa ao seu momento.

Os alimentos orgânicos são definidos como produtos de alta qualidade, livres de agrotóxicos, e os consumidores também os procuram por razões de sustentabilidade.

Orgânicos e certificações conectam saúde e sustentabilidade

A atenção ao conteúdo do prato está ligada também à maneira como o alimento é produzido. Produtos orgânicos, selos de certificação relacionados à produção e iniciativas de bem-estar animal tornaram-se critérios observados por consumidores que desejam saber mais sobre a origem do que adquirem. Nesse cenário, a sustentabilidade transcende a mera discussão ambiental e passa a influenciar a decisão de compra.

No Ítalo Supermercados, essa preocupação se manifesta em várias seções. Entre as ofertas disponíveis estão ovos de marcas com certificações de produção livre de gaiolas, além de produtos orgânicos que englobam vegetais, grãos, café e outras categorias.

A estratégia é oferecer alternativas para diversos perfis de consumidor, inclusive para aqueles que desejam introduzir gradualmente esses tipos de produtos em sua rotina.

A saúde começa no hortifrúti e se estende às proteínas

Uma alimentação equilibrada não depende exclusivamente de itens com características funcionais na embalagem; sua base permanece constituída por alimentos frescos e conhecidos. Nesse sentido, o setor de hortifrúti dos Supermercados Ítalo desempenha um papel central, pois frutas, verduras, legumes e outros ingredientes frescos possibilitam a montagem de refeições variadas, sendo essenciais para uma rotina alimentar baseada em diferentes nutrientes.

O mesmo princípio se aplica às fontes de proteína animal. No açougue, a diversidade de carnes amplifica as possibilidades para quem busca proteínas de distintos tipos e deseja combinar esses alimentos com vegetais, grãos e outros acompanhamentos.

É essa combinação que tira a saúde do campo teórico e a insere no cotidiano. Um carrinho de compras pode reunir frutas para o café da manhã, vegetais para as refeições principais, grãos e sementes, uma fonte de proteína, itens integrais e opções funcionais para momentos específicos do dia.

Pesquisa aponta que o consumo de maçã pode auxiliar a saúde cardiometabólica e intestinal
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Pesquisa aponta que o consumo de maçã pode auxiliar a saúde cardiometabólica e intestinal

Uma revisão abrangente que analisou 38 estudos revelou evidências de que ingerir maçã pode ser benéfico para a saúde cardiometabólica. Os efeitos observados incluem melhorias no controle da glicemia, na funcionalidade dos vasos sanguíneos e na composição da microbiota intestinal.

Este estudo, publicado no periódico científico Food & Function, compilou diversas pesquisas clínicas e destacou potenciais vantagens ligadas aos nutrientes, fibras e compostos bioativos presentes na fruta. Pesquisadores da Itália descreveram os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios da maçã, os quais têm impacto positivo no endotélio, a camada celular interna das artérias, promovendo assim a função vascular.

A análise também apontou alterações na constituição da microbiota intestinal, reforçando o papel da maçã como suporte à saúde cardiometabólica. Contudo, os autores alertam que o alimento isoladamente não garante resultados milagrosos, sendo necessário um olhar crítico sobre os achados.

Cautela na interpretação dos resultados

Isis Helena Avelino, nutricionista do Einstein Hospital Israelita, ressaltou que existe variação entre os 38 estudos analisados, tanto nas populações envolvidas quanto nas quantidades consumidas, o que demanda prudência antes de firmar conclusões definitivas.

A maçã possui uma combinação de nutrientes e compostos bioativos já reconhecidos pela ciência por seus benefícios cardiovasculares. Entre os minerais presentes no fruto estão potássio e magnésio, além de vitaminas, notavelmente as do complexo B e a vitamina C.

As fibras, com especial menção à pectina — um tipo solúvel —, desempenham um papel importante. Ao formar um gel no trato digestivo, a pectina retarda o esvaziamento gástrico e a absorção de carboidratos, auxiliando no controle glicêmico e diminuindo o risco de diabetes. Além disso, ela possui função prebiótica, nutrindo a microbiota, visto que parte das fibras não é digerida e chega ao intestino grosso, servindo de alimento para microrganismos benéficos.

A revisão também enfatiza que o consumo regular de maçã está correlacionado ao aumento de certas bactérias, como as bifidobactérias. Durante o processo de fermentação, ocorre a geração de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que estão ligados à manutenção da integridade da barreira intestinal, ao controle inflamatório e à modulação do metabolismo energético, conforme detalhou a nutricionista do Einstein.

Polifenóis e variedades de maçã

Outro ponto de destaque é a alta concentração de polifenóis, substâncias conhecidas por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Renata Carnauba, pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), especificou que os principais polifenóis encontrados são os flavonoides, sendo a quercetina, as catequinas e as proantocianidinas os mais proeminentes nessa classe.

As maçãs vermelhas contêm antocianinas, que pertencem à mesma família de pigmentos. Embora os polifenóis estejam distribuídos por toda a maçã (polpa, casca e semente), a maior concentração é encontrada na casca, que abriga mais de 80% de todos os flavonoides. Por isso, a recomendação é consumir a fruta sem descascá-la, desde que esta tenha sido devidamente higienizada.

A pesquisadora ainda aconselha a diversificação das variedades consumidas diariamente, pois o perfil de compostos bioativos varia entre os tipos de maçã. Para prolongar o teor de polifenóis, ela sugere manter as frutas refrigeradas.

A maçã, originária da Ásia Central, é amplamente consumida globalmente. No Brasil, seu cultivo concentra-se principalmente na região Sul, devido à sua preferência por clima temperado. Algumas variedades populares incluem a Fuji, conhecida por sua polpa aromática, firme e crocante, com casca avermelhada; a Gala, que apresenta um equilíbrio entre ácidos e açúcares em sua polpa suculenta; e a Granny Smith, um tipo de maçã-verde comum no mercado brasileiro, caracterizada por sua polpa branca e ácida.

Também são mencionadas as variedades Red, apelidada de maçã Argentina, que possui casca vermelha e brilhante, e pode ficar farinhenta quando muito madura.

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