Instalação interativa de Harry Pearce, «All Our Blood», apresentada em Quioto
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Instalação interativa de Harry Pearce, «All Our Blood», apresentada em Quioto

O parceiro da Pentagram, Harry Pearce, apresentou uma experiência interativa que expande seu projeto «All Our Blood». Esta instalação foi exibida na primeira Kyoto YouMe Triennale, no histórico edifício Jushin Kaikan em Quioto, um centro budista datado da década de 1930.

O projeto levanta a questão do que uma única gota de sangue pode dizer sobre a humanidade. Um filme de onze minutos rastreia o caminho de uma gota de sangue de Pearce caindo na água, onde seu movimento orgânico se transforma em estruturas incomuns e semelhantes a nuvens. Esta obra é acompanhada por uma composição musical de vinte e um minutos, criada por Peter Gabriel, e convida os espectadores a refletir sobre a frágil conexão entre criação e destruição.

Pearce estabelece um paralelo notável entre a aparência do sangue e uma nuvem atômica: uma simboliza a essência da vida, e a outra, a possibilidade de sua aniquilação. A instalação, filmada pelo antigo colega Richard Foster, serve como um poderoso reflexo de nossa humanidade comum. A mensagem principal que Pearce busca transmitir é que «com um, no final, acontece com todos».

Graças à fusão de imagem em movimento, som e simbolismo, «All Our Blood» nos lembra da indissolubilidade de nossas vidas, ligadas pela própria substância que nos mantém vivos.

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Pesquisa com mais de 28 mil pessoas identifica mecanismo que pode auxiliar no tratamento de doenças sanguíneas hereditárias
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Pesquisa com mais de 28 mil pessoas identifica mecanismo que pode auxiliar no tratamento de doenças sanguíneas hereditárias

Um estudo baseado em dados genéticos de mais de 28 mil indivíduos revelou um mecanismo potencial para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças hereditárias do sangue, como a anemia falciforme e a beta-talassemia.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature e envolvendo pesquisadoras brasileiras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), focou no papel da proteína BACH2 na modulação da hemoglobina fetal, a forma de hemoglobina predominante durante a gestação.

Os cientistas descobriram que esta proteína funciona como um inibidor da produção de hemoglobina fetal. Ao diminuir essa função inibidora em células cultivadas em laboratório, foi possível elevar a quantidade de hemoglobina fetal produzida.

Ester Sabino, imunologista e chefe do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, ressalta que já era conhecido que indivíduos com altos níveis de hemoglobina fetal durante a vida intrauterina tendem a apresentar melhorias no quadro de anemia falciforme.

Essa descoberta expande o entendimento sobre os processos que controlam a produção desta proteína e aponta um caminho viável para criar novas abordagens terapêuticas. Sabino comenta que cada avanço na compreensão da produção proteica facilita a busca por métodos de tratamento para os pacientes.

Funcionamento do Mecanismo Identificado

A hemoglobina, proteína encontrada nos glóbulos vermelhos, é essencial para transportar oxigênio pelo corpo. Durante o desenvolvimento humano, ela passa gradualmente da forma fetal para a forma adulta dominante.

Em casos de anemia falciforme, uma mutação genética causa um funcionamento anormal da hemoglobina adulta, resultando na deformação dos glóbulos vermelhos. Já na beta-talassemia, a condição hereditária é marcada pela produção insuficiente ou ausente de uma das componentes da hemoglobina adulta.

Nesses cenários, aumentar a produção de hemoglobina fetal é considerado uma estratégia de interesse clínico. O estudo investigou os mecanismos genéticos reguladores dessa produção e apontou a BACH2 como um fator limitante.

O grupo de pesquisa observou que uma variação genética ligada a maiores níveis de hemoglobina fetal leva à diminuição da expressão da BACH2. Experimentos laboratoriais confirmaram que a redução ou inibição dessa proteína também elevou a expressão da hemoglobina fetal. Além disso, os resultados mostraram que a BACH2 limita a ativação promovida pela NRF2, estabelecendo um mecanismo regulatório passível de exploração futura.

Para investigar os fatores genéticos relacionados à produção de hemoglobina fetal, os pesquisadores analisaram dados de 28.279 pessoas de diversas origens. A análise identificou 91 associações genéticas distintas espalhadas por 12 regiões do genoma. Em uma dessas áreas, foi encontrada uma variante associada tanto a níveis mais altos de hemoglobina fetal quanto à menor expressão de BACH2.

Sabino enfatiza a importância de um grande volume de participantes de diferentes locais em estudos genéticos para alcançar descobertas significativas. Com base nessa pista genética, a equipe conduziu testes para verificar o papel direto da proteína na regulação da hemoglobina fetal, validando a relação vista na análise genética e elucidando o processo biológico envolvido.

A união de dados genéticos populacionais com experimentos funcionais foi crucial para conectar a variante identificada à ação da BACH2 na produção da hemoglobina fetal.

Combinação de Estratégias Apresenta Resultado Promissor

O estudo também examinou a interação entre BACH2 e BCL11A, outro regulador conhecido da produção de hemoglobina fetal e alvo de terapias. Os testes demonstraram que ambas as proteínas operam por vias independentes. Quando a ação de BACH2 e BCL11A foi reduzida conjuntamente, houve um aumento da hemoglobina fetal superior ao obtido ao reduzir cada proteína separadamente.

Este achado sugere que intervir em múltiplos mecanismos regulatórios pode ser uma rota promissora para pesquisas visando o aumento da hemoglobina fetal. Contudo, apesar do potencial, a descoberta ainda necessita de mais etapas antes de ser considerada uma opção de tratamento. Os pesquisadores alertam que os experimentos atuais não comprovam a segurança ou eficácia da estratégia em pacientes.

Ester Sabino conclui que este é apenas o começo; após entender os mecanismos, é imperativo testar inicialmente em modelos animais e, subsequentemente, realizar estudos em seres humanos para, somente então, desenvolver um tratamento seguro.

Filme documentário do diretor iraniano exibido simultaneamente em Toronto e Teerã
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Filme documentário do diretor iraniano exibido simultaneamente em Toronto e Teerã

O filme documentário 'Sangue Dourado de Ameneh', do roteirista e cineasta iraniano Habib Ahmadzadeh, foi exibido simultaneamente na Universidade York em Toronto, Canadá, e no café Tarikh em Teerã, na sexta-feira, 23 de outubro. O evento reuniu espectadores de dois países para estudar uma história sobre urgência médica, solidariedade humana e a busca por um grupo sanguíneo extremamente raro.

A exibição na Universidade York foi organizada a convite de Claudia Choufan, professora da Escola de Política e Gestão de Saúde da universidade. O evento ocorreu presencialmente e online para professores e estudantes, seguido por uma sessão de perguntas e respostas de 90 minutos com Ahmadzadeh.

O filme conta a história de Ameneh, uma jovem de Bushehr, uma cidade portuária do sul do Irã, cuja necessidade urgente de um grupo sanguíneo extremamente raro desencadeou uma busca internacional por uma transfusão potencialmente salvadora.

A exibição e discussão em Toronto foram organizadas pelo Cluster de Pesquisa do Oriente Médio da Universidade York. Além disso, o evento abordou as consequências humanitárias das sanções e seu impacto nas decisões médicas e no sistema de saúde.

Enquanto isso, o filme documentário foi exibido ao público iraniano no café Tarikh em Teerã. O programa foi conduzido pelo cineasta e pesquisador de história iraniana Hossein Dehbashi, e o crítico de cinema Abbas Yari também compareceu. Após a exibição, houve uma discussão com Ahmadzadeh.

O filme destaca os esforços do médico Mostafa Mokkaddam na busca por sangue compatível para Ameneh, cujo tipo sanguíneo, segundo o filme, é Rh-null — um tipo extremamente raro, às vezes chamado de 'sangue dourado'. A busca enfatiza a importância da cooperação internacional e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde quando um paciente necessita de sangue disponível apenas em alguns doadores conhecidos em todo o mundo.

Através de um relato cinematográfico intenso, o documentário de Ahmadzadeh apresenta a complexidade médica do caso juntamente com as ações de pessoas e organizações que trabalham através de fronteiras nacionais na busca pelo sangue necessário.

De acordo com os organizadores, o filme foi preparado com legendas em 55 idiomas com o objetivo de aumentar a conscientização pública sobre grupos sanguíneos raros e garantir a acessibilidade da história para o público internacional. Ele também está disponível gratuitamente na plataforma de vídeo iraniana Aparat.

A exibição na Universidade York faz parte da promoção internacional do filme, que utiliza uma história médica pessoal para estimular discussões sobre saúde, acesso a tratamentos e o papel da solidariedade internacional em situações críticas.

Centro de Sangue de Ribeirão Preto organiza transporte de sangue raro para salvar paciente em Santa Catarina
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Centro de Sangue de Ribeirão Preto organiza transporte de sangue raro para salvar paciente em Santa Catarina

Uma mulher diagnosticada com anemia falciforme não conseguiu encontrar sangue compatível na rede local, o que exigiu uma operação conjunta de busca e transporte entre os estados de São Paulo e Santa Catarina.

A anemia falciforme é uma doença genética hereditária na qual os eritrócitos mudam de forma, dificultando a circulação sanguínea e a oxigenação do organismo. Estoques raros de sangue foram transportados das regiões interiores de São Paulo para ajudar a paciente em Santa Catarina.

Para atender a essa necessidade urgente, o Centro de Sangue de Santa Catarina (Hemosc) recorreu ao Banco de Doadores de Sangue Raro. A busca permitiu identificar dois doadores com perfil adequado na região interior de São Paulo: um em Araras e outro em Ribeirão Preto.

A coleta de sangue ocorreu na quinta-feira (dia 22). A unidade de sangue coletada em Araras foi armazenada até ser unificada com a unidade em Ribeirão Preto. Em seguida, ambas as unidades foram transportadas por carro até o Aeroporto Internacional Viracopos, em Campinas (São Paulo), de onde voaram às 18h na sexta-feira com destino à capital de Santa Catarina.

A equipe do Centro de Sangue de Ribeirão Preto enviou os estoques raros de sangue para a paciente com anemia falciforme em Florianópolis (Santa Catarina). Ana Paula Zanelli, gerente do laboratório de imunohematologia do Centro de Sangue de Ribeirão Preto, explicou que a maioria dos procedimentos requer apenas um teste de compatibilidade padrão, mas casos específicos necessitam de análise mais complexa.

Ela observou: «Para a maioria dos pacientes, realizamos tipagem ABO e Rh, o que é suficiente para encontrar sangue compatível. No entanto, em alguns casos, precisamos realizar uma verificação de compatibilidade mais minuciosa e testar outros grupos sanguíneos». Segundo ela, qualquer caso é considerado raro se sua frequência for inferior a um em 1000 pessoas na população. Neste caso, «para estas duas unidades que enviamos hoje para Santa Catarina, a frequência é de um em cem mil pessoas testadas para encontrar tal unidade. Nesse caso, é muito mais raro», acrescentou Ana Paula.

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