A Microsoft protocolou um pedido de patente referente a uma inteligência artificial capaz de alterar, em tempo real, o conteúdo falado durante transmissões de vídeo. Este conceito também inclui a capacidade de ajustar o movimento dos lábios para corresponder à nova fala gerada.
O sistema, que é referido pelo serviço Patentlyze, funcionaria com um pequeno atraso e teria diversas aplicações potenciais. Ele poderia ser utilizado para realizar traduções de discursos, eliminar vícios de linguagem e censurar termos considerados inapropriados, além de permitir a substituição de informações apresentadas durante uma exposição.
Na documentação, a Microsoft caracteriza essa tecnologia como um mecanismo de “aprimoramento em tempo quase real” destinado a apresentações em eventos. O funcionamento envolve a análise simultânea tanto do áudio quanto das imagens da transmissão para identificar segmentos que necessitam de modificação.
Ao detectar uma expressão que se enquadra nas regras previamente configuradas, a IA criaria uma versão alternativa do áudio e ajustaria a área da boca para preservar a sincronia. Embora funcionalidades similares já existam em ferramentas de dublagem por IA em plataformas como o Instagram, o sistema da Microsoft promete operar com uma latência variando entre 1 e 10 segundos.
As reivindicações da patente abrangem desde correções menores, como a remoção automática de gaguejos ou pronúncias incorretas, até a filtragem de palavrões e ofensas conforme as preferências do espectador, além da tradução instantânea das falas.
Adicionalmente, o documento descreve uma funcionalidade que insere a tecnologia no domínio do deepfake: a possibilidade de trocar informações proferidas pelo orador. De acordo com a Microsoft, essa substituição seria fundamentada em dados obtidos através de pesquisas na internet durante a própria transmissão.
Essa capacidade levanta preocupações sobre a autenticidade, visto que o sistema poderia produzir múltiplas versões de uma declaração que nunca foi proferida pelo apresentador original. A Microsoft submeteu o pedido em 29 de abril do ano anterior, e o documento foi divulgado pelo escritório de patentes dos Estados Unidos na semana passada. Contudo, segundo o Patentlyze, as reivindicações sofreram uma rejeição na primeira avaliação preliminar, embora isso não encerre o processo, pois a empresa tem a opção de reformular o pedido.
Não há indicação de que esta tecnologia esteja sendo desenvolvida para um produto específico. Assim como ocorre com outros registros de propriedade intelectual, a mera existência da patente não garante que o sistema descrito será lançado comercialmente.


