Missão Hera da ESA examina asteroides Didymos e Dimorphos após impacto intencional da NASA
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Missão Hera da ESA examina asteroides Didymos e Dimorphos após impacto intencional da NASA

A missão Hera, desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), está iniciando uma nova etapa nas pesquisas de defesa planetária. Esta missão foi lançada em outubro de 2024 e alcançou o sistema binário composto pelos asteroides Didymos e Dimorphos.

O objetivo da chegada da espaçonave é inspecionar de perto os resultados do impacto que a NASA realizou em setembro de 2022. Naquela ocasião, a missão DART (Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo) colidiu deliberadamente com o corpo menor para testar métodos de desvio de trajetória.

Nesta quinta-feira (5), a ESA disponibilizou os primeiros registros visuais de Didymos, capturados pela sonda a uma distância de somente 60 quilômetros. Essas imagens expõem detalhes da superfície do asteroide, incluindo uma elevação na área equatorial, além de sulcos, cristas e blocos rochosos. Também é possível notar Dimorphos, que está parcialmente obscurecido pela sombra do corpo maior.

Didymos possui um diâmetro aproximado de 780 metros, enquanto sua pequena lua, Dimorphos, mede cerca de 151 metros. Juntos, esses corpos celestes funcionam como um laboratório natural no espaço para a missão da NASA.

A partir deste momento, a ESA conduzirá análises detalhadas para mapear áreas inéditas da superfície, estudar eventuais modificações causadas pelo impacto e quantificar a cratera deixada pela sonda DART. O foco principal é entender a física desses choques e como pequenos corpos celestes reagem estruturalmente a impactos cinéticos.

Para discutir os avanços dessa investigação e o futuro da exploração de asteroides, o programa Olhar Espacial receberá o físico, engenheiro e astrônomo amador Cristóvão Jacques nesta sexta-feira (6). Jacques é o fundador do Observatório SONEAR, o primeiro observatório brasileiro dedicado ao monitoramento e descoberta de asteroides e cometas, localizado em Minas Gerais.

Como membro da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG) e da Rede de Astronomia Observacional (REA), Jacques fará uma análise aprofundada sobre a relevância da missão europeia e o papel da astronomia observacional na salvaguarda da Terra.

O programa, apresentado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA, e membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira, e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, é transmitido ao vivo todas as sextas-feiras às 21h (horário de Brasília) nos canais oficiais do veículo nas plataformas YouTube, Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), LinkedIn e TikTok.

Histórias semelhantes

O sucesso do desvio de asteroide por explosão nuclear depende de um detalhe relacionado à exposição à radiação
Leia mais
olhardigital.com.br

O sucesso do desvio de asteroide por explosão nuclear depende de um detalhe relacionado à exposição à radiação

A possibilidade de prevenir a colisão de um asteroide perigoso com a Terra usando uma explosão nuclear existe, mas o sucesso dessa estratégia depende criticamente de um fator inesperado: o lado do objeto espacial exposto à radiação. Uma nova pesquisa mostrou que a forma incorreta desses corpos celestes afeta diretamente a eficácia da manobra.

O estudo, publicado na revista científica Icarus, foi realizado por cientistas dos Laboratórios Nacionais Sandia nos Estados Unidos. Usando simulação computacional, a equipe demonstrou que a exposição a diferentes partes do mesmo asteroide pode levar a resultados completamente diferentes em sua trajetória e rotação.

Foi identificada uma diferença de quase cinco vezes na velocidade de desvio do mesmo objeto, dependendo do ângulo da explosão. Em um dos cenários simulados, a mudança de velocidade foi de 3,9 milímetros por segundo em uma direção, mas apenas 0,8 milímetros por segundo na outra.

Para outro asteroide analisado, a mudança na velocidade de rotação variou em 17 vezes dependendo do local do impacto.

A estratégia considerada não é simplesmente destruir o corpo espacial. A ideia é causar uma explosão nuclear a uma distância específica, fazendo com que a radiação de raios X liberada pela explosão atinja parte da superfície do asteroide. A radiação aquece intensamente o material superficial, causando sua evaporação. O material expelido age como uma espécie de motor, criando um impulso capaz de alterar o movimento do objeto.

A simulação permite ajustar parâmetros como tamanho e distância da explosão, bem como a área que recebe radiação. Com base nesses dados, o programa calcula quanta matéria será evaporada, qual impulso será criado e como a rotação do asteroide mudará. Além disso, os pesquisadores podem avaliar a pressão exercida em diferentes partes da superfície e determinar o risco de fragmentação do material.

O último aspecto é de suma importância. O objetivo da defesa planetária é desviar o asteroide, e não destruí-lo em pedaços menores que ainda possam representar uma ameaça à Terra. Apesar dos resultados promissores, a ferramenta ainda tem limitações. Atualmente, o modelo considera a fragmentação das rochas superficiais, mas não consegue prever com precisão a ruptura de todo o corpo do asteroide.

Os cientistas também enfatizaram que, para funcionar, são necessárias imagens tridimensionais de alta resolução do objeto, contendo informações sobre sua forma de todos os lados. Em uma situação de emergência real, pode não haver tempo para coletar tais dados. Outro problema é posicionar o dispositivo explosivo à distância e na direção ideais enquanto o asteroide se move no espaço.

Apesar dessas dificuldades, esta pesquisa representa um avanço na preparação para possíveis ameaças espaciais. Esta ferramenta pode ajudar a calcular a intensidade, distância e direção mais adequadas da explosão nuclear, aumentando assim as chances de desviar um objeto perigoso antes que ele atinja nosso planeta.

Estudo da Universidade de Cambridge questiona a frequência de cometas transportando moléculas orgânicas para a Terra
Leia mais
olhardigital.com.br

Estudo da Universidade de Cambridge questiona a frequência de cometas transportando moléculas orgânicas para a Terra

Uma investigação conduzida pela Universidade de Cambridge sugere que é altamente improvável que um cometa consiga entregar grandes volumes de moléculas intactas à superfície terrestre. Este achado coloca em dúvida uma teoria antiga sobre a gênese da vida, embora não elimine outras formas pelas quais esses corpos celestes poderiam ter contribuído.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, focou na análise do transporte do cianeto de hidrogênio (HCN), uma substância crucial para as reações químicas que poderiam ter precedido o surgimento da vida.

Historicamente, os cometas eram vistos como potenciais fontes de matéria-prima para a química pré-biótica, pois carregam moléculas orgânicas. Contudo, a chegada desses compostos à superfície terrestre depende de circunstâncias muito específicas.

As simulações realizadas indicaram que os cometas frequentemente atingiam a Terra com muita velocidade e em ângulos excessivamente inclinados. O calor e a pressão resultantes dessas colisões poderiam destruir o HCN antes que ele alcançasse o solo em estado íntegro.

Além disso, mesmo que a molécula sobrevivesse ao impacto, sua concentração precisaria ser alta o suficiente para impulsionar as reações químicas investigadas. A diluição no ambiente aquático também poderia diminuir o tempo necessário para que tais processos ocorressem.

Richard Anslow, pesquisador do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge e autor principal do trabalho, admitiu que a hipótese não pode ser totalmente descartada. Ele declarou que, embora seja possível, isso pareceria ser um evento extremamente raro, talvez um acaso isolado.

A situação se torna ainda mais complexa ao considerar que a taxa de impactos de cometas diminuiu drasticamente durante os primeiros quinhentos milhões de anos da história da Terra, limitando assim as chances de entrega de quantidades significativas de HCN.

É importante notar que a pesquisa aborda apenas um mecanismo específico e não define se os cometas tiveram outras formas de participação no início da vida. Existem outras explicações viáveis para a presença dos componentes químicos necessários às primeiras reações, e estas não foram excluídas pelo estudo, visto que ele não avaliou exaustivamente todas as moléculas orgânicas ou todas as consequências químicas dos impactos.

As simulações sugeriram que Marte apresentaria condições mais favoráveis para receber moléculas pré-bióticas trazidas por cometas. Devido ao seu tamanho menor que o da Terra e à sua atmosfera mais tênue, o planeta ofereceria menos barreiras à chegada desses compostos durante os períodos de maior incidência de impactos.

Este resultado não implica que a vida tenha surgido em Marte; ele se refere unicamente à possibilidade de transporte de insumos químicos, sem determinar se estes originaram seres vivos.

Adicionalmente, o estudo pode auxiliar na orientação da procura por vida em outros sistemas planetários, pois identificar sistemas onde cometas transitam entre planetas é uma tática que pode enriquecer futuras observações astronômicas.

Em suma, a pesquisa restringe uma das teorias propostas para a origem da vida na Terra, mantendo aberta a questão fundamental de como os elementos químicos se organizaram para possibilitar o surgimento dos primeiros organismos.

Radiação espacial: análise dos riscos e métodos de proteção para viagens interplanetárias
Leia mais
olhardigital.com.br

Radiação espacial: análise dos riscos e métodos de proteção para viagens interplanetárias

Ao imaginar futuras viagens espaciais, como um voo direto para Marte, surge um risco silencioso e perigoso: as tempestades solares. Milhões de quilômetros da Terra, uma grande quantidade de partículas energéticas pode atravessar o espaço em direção à nave, representando sério risco à saúde dos ocupantes, mesmo sem sinais visíveis como fumaça ou explosão.

Este desafio fundamental das longas missões espaciais reside em como salvaguardar os astronautas contra essa ameaça invisível. Partículas minúsculas, menores que um átomo, têm potencial para causar danos significativos à saúde humana.

Na Terra, a proteção é garantida pela atmosfera, que absorve grande parte da radiação, e pelo campo magnético terrestre, que desvia muitas partículas carregadas. Contudo, ao nos afastar dessa defesa natural, essas partículas podem atingir os tripulantes diretamente, podendo causar efeitos agudos ou elevar o risco de câncer e outras enfermidades a longo prazo.

Existem dois tipos principais de radiação a serem considerados. O primeiro consiste nas partículas energéticas emitidas pelo Sol, especialmente durante erupções e tempestades solares intensas, que podem expor os astronautas a doses perigosas em curtos períodos. O segundo desafio são os raios cósmicos galácticos, partículas de altíssima energia originárias de fora do Sistema Solar, algumas delas núcleos atômicos viajando quase à velocidade da luz, tornando-as particularmente difíceis de bloquear.

Para proteger os futuros exploradores espaciais, o hidrogênio, o átomo mais leve, surge como um aliado crucial. Ele é altamente eficaz na redução da energia de certas partículas nocivas, como prótons de alta energia e íons presentes nos raios cósmicos. Assim, materiais como água e polímeros ricos em hidrogênio podem ser empregados na proteção dos astronautas.

Uma abordagem promissora envolve utilizar materiais já existentes a bordo da espaçonave. Reservatórios de água, por exemplo, podem ser dispostos ao redor das áreas habitadas pela tripulação, assim como alimentos e equipamentos podem ser distribuídos estrategicamente para reforçar a blindagem.

Um teste conduzido na Estação Espacial Internacional demonstrou que uma barreira composta por materiais hidratados, com espessura equivalente a cerca de seis centímetros de água pura, conseguiu diminuir em aproximadamente 37% a dose equivalente de radiação medida pelos pesquisadores. No entanto, observa-se que apenas aumentar a espessura da blindagem nem sempre resulta em aumento proporcional da proteção, pois a colisão de raios cósmicos mais potentes com a blindagem pode gerar partículas secundárias, exigindo mais do que apenas cercar a nave com água.

Pesquisas também exploram a conversão de resíduos plásticos em materiais de blindagem. Em vez de descartar embalagens, uma futura missão poderia reciclá-las para criar peças protetoras. Além disso, cientistas estudam materiais à base de água, como hidrogéis fabricados por impressão 3D, imaginando astronautas protegidos por uma substância gelatinosa.

Outra medida vital é estabelecer um refúgio contra tempestades solares. A ideia é designar uma seção da nave que possa ser cercada por água, suprimentos e outros materiais protetores. Ao detectar um evento solar perigoso, os astronautas se abrigariam nesse compartimento até que a situação melhorasse.

Roupas de proteção especializadas, como o colete AstroRad, desenvolvidas para mitigar a exposição corporal a partículas energéticas específicas, também estão sendo testadas. Experimentos realizados na Artemis I, durante o voo ao redor da Lua, auxiliaram na avaliação da eficácia desse equipamento, embora um colete não substitua a blindagem da nave, e as soluções devam equilibrar proteção, peso e mobilidade.

Considerando a possibilidade de desviar a radiação, surgem as blindagens magnéticas. Visto que muitas partículas perigosas carregam carga elétrica, campos magnéticos intensos poderiam alterar suas trajetórias, afastando-as dos astronautas, seguindo o princípio do escudo magnético terrestre. O obstáculo reside em replicar isso em uma nave, necessitando de sistemas complexos com ímãs supercondutores que gerem campos fortes sem adicionar massa ou consumir energia excessiva; pesquisas avançam, mas um escudo compacto e confiável ainda está distante.

Uma proposta mais radical sugere não usar blindagem, mas sim aproveitar a proteção de um corpo celeste, instalando um abrigo dentro de um asteroide. A própria rocha serviria como barreira natural. Embora fisicamente fundamentada, a aplicação é extremamente complexa, exigindo encontrar um asteroide adequado, alcançá-lo, construir um abrigo interno e transformá-lo em um tipo de ônibus espacial orbital, sem contar que partículas secundárias de raios cósmicos ainda poderiam ser um risco mesmo sob rocha espessa.

Conclui-se que nenhuma solução isolada resolve o problema; a proteção nas primeiras viagens interplanetárias provavelmente exigirá uma combinação de materiais apropriados, monitoramento contínuo, abrigos para eventos solares e, futuramente, tecnologias de desvio de radiação.

Embora muitos desejem deixar o planeta rapidamente, a radiação espacial representa um risco maior à saúde do que disputas políticas terrestres. Enquanto cientistas buscam métodos seguros para explorar o espaço, torna-se essencial resolver os problemas no planeta conhecido, que oferece todas as condições necessárias para sustentar a vida e a paz.

Popular