O governo do Reino Unido informou que um médico britânico, que atuava no combate à epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDCongo), foi transferido na quinta-feira para um hospital em Londres para receber tratamento contra o vírus.
Este indivíduo é o primeiro paciente britânico a ser removido durante o surto atual do vírus, que é conhecido por ser letal, e representa a terceira pessoa a retornar à Europa após testar positivo para a doença.
A evacuação médica foi coordenada pelos governos do Reino Unido e da RDCongo, em colaboração com agências internacionais de saúde, transportando o médico para o Reino Unido. Ele foi encaminhado ao Royal Free Hospital, em Londres, que possui uma unidade de isolamento de alto nível, similar àquela usada durante o surto de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2015.
Renu Bindra, da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UK Health Security Agency), esclareceu que estão sendo aplicados protocolos rigorosos de controle e prevenção de infecções, e que o risco para a população em geral permanece baixo.
Em junho, a França havia confirmado um caso envolvendo um médico que já se recuperara após retornar de uma missão humanitária na RDCongo. No mês anterior, uma cidadã suíça, que teria contraído o vírus no Uganda, foi levada a Genebra para tratamento, enquanto seu marido, um diplomata, permaneceu em isolamento em Zurique.
A doença, que se dissemina por províncias remotas da RDCongo, infectou 10.600 pessoas, resultando em mais de 5.100 óbitos. O surto afetou 67 centros de saúde em oito províncias, um aumento considerável em comparação com as três zonas registradas quando a epidemia foi declarada em maio.
Damien Tully, especialista em doenças infecciosas da London School of Hygiene & Tropical Medicine, destacou que a infecção de um profissional de saúde britânico pelo Ebola é algo muito preocupante, embora não seja totalmente inesperado. Ele acrescentou que os profissionais de saúde estão na linha de frente desses surtos, tratando frequentemente pacientes graves em condições extremamente difíceis, e que exposições acidentais podem ocorrer mesmo com medidas de proteção rigorosas.
De acordo com dados atualizados esta semana pelas autoridades, mais de 5.100 pessoas morreram devido à epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDCongo), com quase 10.500 casos registrados. A taxa de mortalidade nessa nação vizinha de Angola atinge 48,8%. Além disso, o instituto relatou que há 980 pacientes hospitalizados ou em isolamento, 2.824 pessoas se recuperaram e receberam alta, e a taxa de acompanhamento de contatos é de 86,6%.
A epidemia na RDCongo tornou-se a mais fatal da história do país, ultrapassando os registros de 2018 a 2020. As projeções indicam que ela pode superar o número registrado na África Ocidental entre 2014 e 2016, período em que houve 28.616 casos e 11.325 mortes na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Casos também foram confirmados nas últimas semanas no Quênia e na Nigéria, ligados à situação na RDCongo. Isso ocorre após o Uganda anunciar em 28 de julho que estava livre do vírus, após registrar dois mortos e 20 casos.


