A Honda divulgou um aporte financeiro de R$ 3,3 bilhões destinado ao mercado brasileiro. Este investimento visa ampliar a capacidade produtiva e aumentar a fabricação de veículos, concentrando-se na cidade de Manaus, no estado do Amazonas.
A notícia foi apresentada na última quarta-feira (4), durante uma coletiva de imprensa realizada em celebração aos 50 anos da presença da marca no país. De acordo com os representantes japoneses, o plano inclui a edificação de duas novas instalações produtivas, cada uma equipada com sua própria linha de montagem.
Com essa expansão, a Honda almeja alcançar uma capacidade instalada de 2,3 milhões de motocicletas até o ano de 2029. Esse volume ultrapassa o total de 1,9 milhão produzido atualmente por todas as marcas no mercado nacional.
Detalhes do Investimento e Impacto no Emprego
Os R$ 3,3 bilhões serão aplicados no período compreendido entre 2026 e 2030, somando-se a um investimento anterior de R$ 1,6 bilhão realizado no ano passado. Além do aumento da capacidade, a ampliação das operações em Manaus deve gerar 2.000 novos empregos para apoiar o crescimento da produção. Atualmente, a fábrica conta com 9.000 colaboradores diretos.
O complexo de Manaus já possui quatro linhas de montagem espalhadas por duas unidades produtivas. O novo ciclo de investimentos prevê a construção de mais duas unidades dentro deste mesmo complexo, cada uma com sua linha de montagem dedicada e outros processos fabris associados.
Estratégia de Mercado e Concorrência
Em resposta a questionamentos sobre se a estratégia está relacionada à perda gradual de participação de mercado, Marcos Bento, diretor de vendas da Honda no Brasil, assegurou que o objetivo da companhia é manter-se na liderança. Ele ressaltou que qualquer aumento na participação, retornando a patamares mais elevados, é sempre positivo.
Atualmente, a Honda detém 64,05% do mercado de motocicletas nacionais, embora esse percentual tenha diminuído em função do crescimento do número de competidores, apesar de já ter chegado perto dos 80% em algum momento. Apesar desse cenário, a fabricante não manifestou preocupação, visto que suas vendas estão em ascensão. Beto declarou que a Honda recebe positivamente a chegada de novos concorrentes, contanto que a competição ocorra sob as normas competitivas do setor.
Operações e Tecnologia
Durante o evento, os executivos também abordaram outros aspectos da operação brasileira. Sobre a introdução de modelos eletrificados, a empresa japonesa mencionou que monitora constantemente as necessidades de cada consumidor e país, mas não confirmou nenhum lançamento específico. No contexto da «corrida energética», a Honda enfatiza que seu foco no Brasil é a tecnologia FlexOne, que possibilita o uso tanto de etanol quanto de gasolina.
A fábrica, estabelecida na Zona Franca desde 1976 e responsável por toda a produção de motocicletas da Honda no Brasil, já montou mais de 33 milhões de unidades ao longo de cinco décadas. Diariamente, são produzidas 7.200 motos, abrangendo 20 modelos com cilindradas variando de 110 cm³ a 1.100 cm³.
Para além do mercado doméstico, a unidade realiza exportações para 19 nações, incluindo Estados Unidos, Austrália e México. A Honda descreve esta operação como a mais verticalizada do grupo globalmente, pois fabrica internamente a maior parte dos componentes, como chassis, rodas, assentos e motores. A empresa também mantém mais de 1.200 pontos de venda e mais de 120 fornecedores diretos no país.



