O telescópio espacial Swift, pertencente à NASA, finalizou sua jornada de mais de vinte anos no espaço nesta quarta-feira (4). O observatório reentrou na atmosfera terrestre de forma descontrolada, três meses após uma tentativa de resgate conduzida por uma companhia privada ter falhado.
Oficialmente nomeado Neil Gehrels Swift Observatory, o instrumento foi colocado em órbita em novembro de 2004 com o propósito de investigar explosões de raios gama, consideradas alguns dos eventos mais potentes do Universo.
De acordo com dados reportados pelo Space.com, o telescópio cruzou a atmosfera às 9h39 (horário de Brasília) sobre o norte de Sumatra, na Indonésia. O equipamento possuía um peso aproximado de 1.450 kg e suas dimensões eram comparáveis às de um micro-ônibus.
A maior parte da estrutura era esperada para se desintegrar durante a passagem atmosférica. Anteriormente à reentrada, a NASA calculou que a probabilidade de qualquer fragmento sobrevivente atingir alguém na superfície terrestre era de apenas uma em 2.1 mil.
O retorno à Terra poderia ter sido postergado. Em setembro de 2025, a NASA firmou um contrato de US$ 30 milhões (equivalente a cerca de R$ 165 milhões) com a empresa americana Katalyst Space para desenvolver uma missão robótica destinada a elevar a órbita do Swift.
O observatório estava perdendo altitude progressivamente devido ao arrasto atmosférico e não dispunha de propulsores próprios para neutralizar esse efeito.
Para executar o resgate, a empresa criou a LINK, uma nave robótica equipada com três braços e com tamanho similar ao de uma geladeira. Este equipamento foi lançado em 3 de julho de 2026, visando alcançar o Swift em agosto.
Contudo, a operação não ocorreu conforme o previsto. A LINK enfrentou problemas no seu sistema de propulsão e nas rodas de reação responsáveis por manter sua orientação espacial, o que impossibilitou o encontro com o telescópio. A própria espaçonave de resgate acabou retornando à Terra em 25 de setembro.
Apesar do insucesso da missão de resgate, a NASA avaliou que a iniciativa proporcionou conhecimentos valiosos para futuras operações de manutenção e prolongamento da vida útil de satélites.
O fim da missão Swift não é um evento isolado. Um relatório de 2025, citado pelo Space.com, indica que, em média, pelo menos três objetos grandes — sejam satélites desativados ou partes de foguetes — voltam à atmosfera terrestre diariamente.
Projeta-se que este número venha a crescer nos próximos anos, à medida que a humanidade aumenta a quantidade de satélites em órbita, especialmente através das megaconstelações. Assim, o término da missão Swift também destaca um desafio crescente para a exploração espacial: gerenciar a quantidade cada vez maior de equipamentos orbitais e planejar o destino dessas estruturas quando elas deixam de operar.



