OMS alerta que República Democrática do Congo enfrenta a pior epidemia de cólera em décadas
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OMS alerta que República Democrática do Congo enfrenta a pior epidemia de cólera em décadas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta informando que a República Democrática do Congo (RDCongo) está lidando com a pior epidemia de cólera registrada em décadas. Desde o começo do ano, foram contabilizados mais de 60.000 casos e 1.800 óbitos.

Este cenário de cólera ocorre paralelamente à epidemia de Ébola, que em apenas cinco meses causou mais de 10.400 casos e mais de 5.300 mortes. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, comunicou estes dados durante uma coletiva de imprensa realizada em Genebra.

A maior parte dos casos de cólera, assim como os de Ébola, tem sido identificada nas duas províncias localizadas no leste da RDCongo: Kivu do Norte e Kivu do Sul. No entanto, uma preocupação crescente reside no registro de novos casos ao longo da bacia do rio Congo, o que sugere um potencial de disseminação da doença até a capital, Kinshasa, localizada no oeste do país.

De acordo com a OMS, o ano de 2025 registrou o maior volume de notificações de casos em mais de 25 anos, embora o ano corrente esteja projetado para ser ainda mais severo. A organização destacou que a progressão da doença em áreas de difícil acesso, especialmente aquelas afetadas por conflitos, é motivo de grande apreensão, devido ao risco de essas epidemias se sobreporem à crise de Ébola.

Adicionalmente, a estação chuvosa atual deve favorecer a propagação da doença, inclusive na capital, Kinshasa. A taxa média de mortalidade associada à cólera é alta, aproximando-se dos 3%, o que reflete as dificuldades enfrentadas no acesso aos devidos tratamentos.

Tedros enfatizou a importância crucial de direcionar atenção especial às campanhas de vacinação, principalmente nas regiões orientais do país. Em resposta a esta situação, o Grupo Internacional de Coordenação (GIC) do Aprovisionamento de Vacinas, que inclui a OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) e a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), obteve aprovação para a distribuição de 7,4 milhões de doses para o ano de 2026, contando com o suporte financeiro da Aliança para as Vacinas (Gavi). Foi mencionado também que um novo pedido de suprimentos está atualmente sob análise pela organização.

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OMS propõe medidas de baixo custo para combater mudanças climáticas e salvar milhões de vidas
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OMS propõe medidas de baixo custo para combater mudanças climáticas e salvar milhões de vidas

Um novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que a implementação de seis ações sanitárias e climáticas de custo relativamente baixo tem o potencial de salvar 1,6 milhão de vidas anualmente, além de gerar bilhões de dólares em ganhos econômicos e fiscais.

Este documento foi divulgado pouco antes da reunião anual da ONU sobre alterações climáticas (COP31), que ocorrerá em Antalya, Turquia. O relatório detalha que a instalação de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, o fornecimento de água potável resiliente às mudanças climáticas e outras intervenções podem resultar em benefícios anuais de 3,9 bilhões de dólares (equivalente a 3,49 bilhões de euros).

Adicionalmente, os especialistas da OMS estimam que haverá outros 5,4 bilhões de dólares (4,83 bilhões de euros) em vantagens fiscais. Entre as recomendações listadas, encontram-se investimentos em serviços essenciais de saneamento, higiene e lavagem das mãos.

A lista de medidas também inclui a transição para combustíveis mais limpos para aquecimento e cozimento em residências, juntamente com a adoção de políticas de precificação para combustíveis fósseis. Segundo as projeções da organização, essas ações poderiam prevenir uma morte a cada 40 ocorrências anuais.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatizou no relatório que a aplicação de medidas acessíveis e eficazes pode salvar milhões de vidas, sendo que os maiores benefícios seriam percebidos pelos países com maior necessidade.

Frank Pega, responsável pela área de Clima, Saúde e Economia da OMS e apresentador do estudo, classificou a iniciativa como «uma das maiores oportunidades de investimento em saúde do século XXI, com um retorno que poucas outras iniciativas poderiam igualar».

Com vista para a COP31, que se inicia em 9 de novembro, o líder da agência de saúde da ONU ressaltou que a proteção da saúde «deve ocupar um lugar central» nas discussões globais.

As propostas da OMS têm o potencial de ajudar a evitar a emissão de 16,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o que corresponde a 31% das emissões anuais de gases de efeito estufa, desconsiderando as fontes relacionadas ao uso da terra e à silvicultura.

A OMS calculou que, para cada dólar investido nessas medidas, é possível obter um retorno de 24 dólares; este retorno é ainda mais elevado no caso dos sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, onde a organização prevê um retorno de 835 dólares por dólar investido.

Em relação às políticas de fixação de preços de combustíveis fósseis — que englobariam a eliminação de subsídios ineficientes e a imposição de tributos sobre seu consumo —, a OMS estima que seria possível evitar 1,2 milhão de mortes por ano e gerar anualmente três bilhões de dólares (2,68 bilhões de euros) em benefícios.

Surtos de Ebola ultrapassam 10 mil casos no Congo, gerando alta mortalidade e desafios de contenção
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Surtos de Ebola ultrapassam 10 mil casos no Congo, gerando alta mortalidade e desafios de contenção

Os dados governamentais divulgados nesta terça-feira indicaram que o surto de Ebola no Congo atingiu mais de 10 mil casos confirmados, enquanto as autoridades sanitárias trabalham intensamente para controlar a propagação da enfermidade em diversos países africanos.

Este surto é considerado o de crescimento mais acelerado na história, e, segundo informações do Ministério da Saúde do Congo, quase metade das 10.060 pessoas diagnosticadas faleceu, tornando-o o mais letal da doença no país.

O surto, que foi notificado em maio, é causado pelo vírus Bundibugyo, um patógeno para o qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. As equipes de resposta enfrentam inúmeros entraves, incluindo conflitos armados, infraestrutura rodoviária precária e hostilidade da população, motivada por desinformação e desconfiança.

Esses obstáculos dificultam a adesão das pessoas ao relato de sintomas e à busca por assistência médica em comunidades que historicamente lidam com violência e epidemias sucessivas.

Comparativo com surtos anteriores

Em comparação com o surto de Ebola ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016 — o maior e mais fatal da história, com mais de 28 mil casos e mais de 11 mil óbitos —, o surto atual registrou, desde sua declaração, pelo menos três vezes mais casos e mortes no mesmo período.

A doença se disseminou por toda a África, superando qualquer surto anterior, e alcançou três regiões. Foram registrados casos em cinco nações, incluindo Uganda, além de França, que atualmente não apresenta casos ativos.

Um problema persistente na disseminação da doença na África é a aparente falha na vigilância, visto que a maioria dos primeiros casos só foi confirmada muito tempo depois do início dos sintomas ou após viagens realizadas pelos indivíduos.

Distribuição e Desafios no Congo

No Congo, a doença se expandiu para 66 zonas de saúde em oito províncias, um aumento significativo em relação às três zonas existentes quando o surto foi declarado em maio. Profissionais envolvidos na resposta informaram à Associated Press que os centros de tratamento em certas áreas estão sobrecarregados, e que parte da população mantém desconfiança, reagindo com violência.

Além disso, os profissionais de saúde têm realizado greves regularmente devido a atrasos ou ausência de pagamento de seus salários. Sephora Bgosi, membro da equipe responsável pelo sepultamento de vítimas de Ebola na província de Ituri, epicentro do surto, alertou: «Algumas pessoas ainda parecem não entender a gravidade da situação, embora estejam diretamente expostas ao risco». Ela reforçou que «O Ebola é extremamente perigoso e pode ser mortal».

Estima-se que cerca de 80% dos casos registrados ainda sejam identificados fora do círculo de contatos monitorados, o que sugere a existência de vias de transmissão desconhecidas pelas autoridades sanitárias. O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) aponta que, para que o surto seja considerado amplamente controlado, pelo menos 95% dos casos deveriam estar entre contatos conhecidos.

Pelo menos metade das mortes registradas ocorreu entre indivíduos que não foram internados nos centros de tratamento, indicando que, em muitas localidades, os moradores ainda não estão comunicando seus sintomas.

Em diversas áreas, os profissionais de saúde enfrentam desde carências básicas, como a falta de veículos apropriados, até questões mais complexas, como persuadir famílias a entregar parentes doentes ou falecidos para um enterro seguro.

Na semana passada, na zona de saúde de Nia Nia, na província de Ituri, alguns trabalhadores da resposta ao Ebola, incluindo agentes de vigilância e mobilização comunitária, fizeram greve por bônus não pagos desde o final de agosto, um problema recorrente em várias regiões afetadas.

Mais de cinco meses após o início do surto, os profissionais de saúde continuam sendo agredidos por moradores. Um enfermeiro foi assassinado e outro profissional ficou gravemente ferido ao atender um alerta de Ebola em Bafwasende, na província de Tshopo, no último sábado.

Impacto nos Serviços de Saúde do Congo

O surto comprometeu os serviços essenciais de saúde, que já operavam com escassez de recursos e sobrecarga, e desviou o foco de outras epidemias enfrentadas pelo país, como a de cólera.

Há um aumento nas mortes de mulheres grávidas, pois elas evitam hospitais por receio de infecção e isolamento, resultando em um dobro da mortalidade materna em algumas províncias logo após a declaração do surto.

A epidemia também afetou serviços de rotina, como a vacinação infantil, interrompeu as aulas em regiões onde milhões de crianças já estavam fora da escola, causou estigma e trauma nas famílias atingidas e piorou as condições de subsistência de muitas pessoas que já viviam em situação de vulnerabilidade.

Epidemia de Ebola na RDC: mais de 10 mil casos e 4887 mortes registrados
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Epidemia de Ebola na RDC: mais de 10 mil casos e 4887 mortes registrados

Fontes autorizadas na República Democrática do Congo (RDC) relataram que o surto de Ebola, declarado em 15 de maio, ultrapassou a marca de 10 mil casos confirmados, incluindo 4887 mortes.

De acordo com o último relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDC, que contém dados até 25 de outubro, foram registrados 10.060 casos confirmados, com uma taxa de letalidade atingindo 48,6%. Até a data atual, 2684 pessoas infectadas se recuperaram, e a cobertura de busca de contatos é de 81,6%.

As províncias mais afetadas no leste do país são Ituri e Kivu do Norte, onde foram registrados 32 e 58 novos casos, respectivamente, nas últimas 24 horas.

No total, a epidemia afeta oito das 26 províncias da RDC: Ituri e Kivu do Norte, além de Tshopo (noroeste), Bas-Uele (norte), Haut-Uele (nordeste), Kivu do Sul (leste), Ubangi do Sul (sudoeste) e Ubangi do Norte (norte).

Este surto, que é o segundo mais mortal e contagioso na história mundial, já superou a escala do surto na mesma região congolesa entre 2018 e 2020. No entanto, ainda fica aquém do surto mais grave, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, resultando em cerca de 11.000 mortes e 28.000 infecções.

A cepa Bundibugyo, que causa a epidemia atual, não possui tratamento específico. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando em duas vacinas que passaram por testes de fase um em humanos e atualmente demonstram segurança, embora seu desenvolvimento possa levar vários meses.

Entretanto, a RDC iniciou uma campanha de imunização contra a Ebola no final de agosto, utilizando a vacina Ervebo, que é a única disponível em grandes quantidades. Embora esta vacina tenha sido originalmente desenvolvida para a variante Zaire, que é mais comum, ela mostrou resultados promissores contra a variante Bundibugyo em animais.

A OMS também anunciou na última sexta-feira o início de ensaios clínicos na RDC para avaliar várias vacinas potenciais contra esta cepa. O vírus Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e causa febre hemorrágica grave, acompanhada de vômitos, diarreia e hemorragia interna.

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