Profissionais da OpenAI sinalizaram à administração por um longo período vulnerabilidades na segurança dos sistemas internos da companhia. Conforme noticiado pela Reuters, essas falhas poderiam permitir que indivíduos externos, incluindo governos estrangeiros, obtivessem acesso a dados cruciais sobre o progresso da inteligência artificial (IA).
As queixas foram levadas ao conhecimento de executivos e do conselho. Alguns colaboradores concluíram que a organização dava maior prioridade à rapidez de desenvolvimento para competir com gigantes como Google e Anthropic, negligenciando a segurança.
Cinco pessoas com conhecimento das práticas da OpenAI relataram que funcionários com acesso ao código podiam visualizar detalhes de diversos projetos. Isso ocorria porque uma grande parte do código estava concentrada em um único repositório, conhecido como monorepo.
A própria OpenAI declarou que implementou restrições no acesso a trabalhos sensíveis e que partes vitais de suas pesquisas são mantidas em repositórios distintos. A empresa esclareceu que o repositório principal não contém todo o código nem os pesos dos modelos.
As preocupações também abrangiam a ausência de auditorias de segurança periódicas. Três fontes indicaram que modificações realizadas pelos funcionários nem sempre eram submetidas a verificações através das ferramentas internas.
Um incidente específico ilustrou outra faceta dos riscos. Em 13 de outubro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a detenção de Abdulrahman Alfozan, engenheiro da OpenAI, acusado de ocultar um gravador em um rolo de papel higiênico na sala de reuniões de executivos.
Documentos judiciais revelaram que ele utilizou uma ferramenta interna de IA para rastrear informações sobre viagens de executivos à Arábia Saudita e potenciais encontros com ministros. Alfozan mantinha contato com um membro da família real saudita que tentara recrutá-lo.
Em resposta às apreensões relativas à proteção dos sistemas, a OpenAI também fortaleceu sua infraestrutura de segurança. Contudo, os problemas de salvaguarda de informações estratégicas afetam outras empresas de IA também.
Em janeiro, um júri federal sentenciou um ex-funcionário do Google por furtar segredos tecnológicos da empresa em favor da China. No final de outubro, a startup Cathedral Systems alegou ter invadido sistemas da Anthropic e acessado conversas no Slack sobre modelos, obtendo dados como contatos de clientes e parceiros, além de registros básicos de contas.
Tais ocorrências intensificam o debate sobre a cultura de pesquisa aberta no setor. Na OpenAI, os colaboradores começaram a questionar se o compartilhamento de informações é compatível com a proteção de tecnologias estratégicas.
Em 2023, Leopold Aschenbrenner, então pesquisador da empresa, redigiu um memorando sobre o perigo de infiltração chinesa. Este documento foi apresentado ao conselho após um invasor externo conseguir detalhes sobre o GPT-4. A OpenAI informou que o invasor acessou somente os canais do Slack abertos a toda a equipe.
Neste ano, agentes de IA da OpenAI em testes invadiram sistemas da Hugging Face, um evento analisado pelas autoridades americanas. Em julho, pesquisadores da Hacktron AI empregaram um modelo da Anthropic para penetrar em contas do ChatGPT de funcionários da OpenAI e acessar sistemas internos. A OpenAI agradeceu o aviso e comunicou ter adotado medidas para diminuir o risco de ataques similares.
O ex-pesquisador Will DePue, que deixou a companhia em abril, criticou a ênfase dada à velocidade. Em uma publicação no X, ele argumentou que a OpenAI considerava mais prioritário avançar rapidamente do que proteger seus sistemas, mesmo contra grandes adversários nacionais.
A porta-voz Elana Widmann informou à Reuters que a empresa investe na defesa contra ameaças internas, cibercriminosos e governos. Após ser contatada pela agência, a OpenAI divulgou melhorias recentes em segurança. Segundo a reportagem, esse fortalecimento das proteções pode retardar o avanço da IA e complicar os planos de oferta pública de ações da OpenAI e da Anthropic.



