As principais montadoras que operam nos Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Congresso americano para que seja implementada uma proibição definitiva de carros chineses no território nacional.
A Alliance for Automotive Innovation, organização que congrega gigantes como General Motors, Ford, Stellantis, Toyota, Volkswagen e outras fabricantes, solicitou que a legislação fosse sancionada antes do término da sessão legislativa atual, prevista para dezembro. O setor argumenta que essa medida visa salvaguardar os investimentos bilionários realizados em fábricas locais e garantir a segurança nacional.
Segundo a entidade, a tecnologia embarcada em veículos conectados — que inclui câmeras, sensores e acesso à internet — representa um risco, pois poderia ser utilizada pela China para coletar dados tanto dos motoristas quanto das vias americanas.
Atualmente, os EUA já aplicam tarifas de importação superiores a 100% sobre automóveis elétricos vindos da China. Adicionalmente, uma regulamentação do Departamento de Comércio, estabelecida no início de 2025 durante a administração de Joe Biden, impõe restrições a softwares e componentes chineses em veículos conectados, o que, na prática, impede a entrada desses modelos.
Apesar das medidas existentes, as montadoras defendem que a proibição deve ser formalizada através de uma lei federal. John Bozzella, presidente da entidade, utilizou a União Europeia como exemplo comparativo. Ele mencionou que a UE importou mais de 1,1 milhão de veículos da China nos primeiros oito meses de 2026, um volume superior ao registrado em todo o ano anterior.
O alerta no setor foi intensificado em setembro, quando Donald Trump declarou à Fox News que estaria disposto a aceitar montadoras chinesas produzindo veículos nos EUA.
O projeto de lei, denominado Connected Vehicle Security Act, foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno, republicano, e Elissa Slotkin, democrata, e obteve aprovação na comissão do Senado em julho. Na Câmara dos Representantes, a proposta conta com o apoio de mais de cem coautores.
Contudo, o tempo disponível é limitado. O Congresso retomará suas atividades na próxima semana, após as eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3), e a sessão se encerra em dezembro.
Por sua vez, a China refuta todas as alegações. O Ministério das Relações Exteriores chinês manifestou que já solicitou aos EUA que respeitem as normas de concorrência justa e economia de mercado, classificando as propostas direcionadas às empresas chinesas como «repressão irrazoável».

