O estado do Tocantins acumulou exportações superiores a R$ 13 bilhões no período de janeiro a setembro de 2026. Este montante representa um aumento de 3% quando comparado com o mesmo intervalo do ano anterior. Em relação às importações, houve um crescimento de 17,9%, totalizando mais de R$ 1,5 bilhão.
Os dados foram compilados pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto), sendo os valores apresentados após conversão do dólar americano para o real, utilizando a cotação vigente na sexta-feira, dia 23.
Liderança da Soja e da Carne Bovina
A soja se estabeleceu como o principal item na pauta de exportações do Tocantins, respondendo por 56,6% do valor total enviado para fora do país. A carne bovina ocupa a segunda posição, contribuindo com 16,6% desse valor.
Thiago Amorim, diretor de pecuária da Motta Agropecuária, destacou que o estado está se consolidando como uma referência na exportação de proteína animal, competindo em pé de igualdade com as principais regiões produtoras brasileiras. Ele ressaltou que o mercado chinês é o principal comprador, pois demanda grande volume, e mencionou que há instalações aptas para atender aos Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Indonésia.
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Tocantins figura na nona colocação no ranking de maior produção de carne bovina do país. Segundo Thiago, o potencial de destaque do Tocantins pode aumentar à medida que o desenvolvimento econômico avança. Ele sugeriu que seria mais vantajoso enviar carne processada ou embalada, em vez de animais vivos, visando agregar valor ao produto exportado e promover a profissionalização e verticalização da pecuária local.
No cenário nacional, o Tocantins está na 15ª posição entre os estados exportadores e na 22ª posição em termos de importação. Dentro da Região Norte, o estado é o terceiro maior exportador, ficando atrás apenas de Pará e Rondônia.
Parceiro Comercial Principal: China
Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins, enfatizou que a garantia de uma produção sustentável é essencial para obter sucesso e credibilidade no comércio exterior. Ele afirmou que a soja brasileira, incluindo a tocantinense, é considerada uma das mais sustentáveis globalmente, um feito possibilitado pelo clima local.
Embora o estado tenha mostrado um crescimento superior à média nacional na área de plantio, Thiago Facco alertou que o crescimento em 2026 pode ser modesto ou até não ocorrer, devido às preocupações com a instabilidade climática e o fenômeno El Niño.
A China mantém-se como o parceiro comercial mais importante do Tocantins, responsável por mais da metade do valor total exportado entre janeiro e setembro deste ano, segundo dados da Fieto. Este país também liderou o ranking de importações do Tocantins, representando 21,4% do total. Outros países importantes incluem Estados Unidos, Canadá, Turcomenistão e Venezuela, que juntos somaram 66,2% das importações estaduais no período.
Amorim complementou que a produção e a exportação estão alinhadas, e há expectativa de uma boa safra, apesar dos riscos climáticos. Ele observou que a demanda voltou a aquecer, especialmente vinda de mercados asiáticos como a China, e que a soja brasileira é bem aceita internacionalmente.
Desafios Logísticos
Por estar situado na região do Matopiba, o Tocantins carece de um sistema portuário próprio, o que implica que a logística para os produtores pode se tornar mais cara em comparação com estados concorrentes. Thiago apontou que essa situação diminui a competitividade do Tocantins, visto que o preço da sua soja é ligeiramente inferior ao da soja produzida no Maranhão ou no Piauí, devido à distância dos portos e aos custos logísticos.
Entre os municípios com maior desempenho, Porto Nacional liderou as exportações com 20,93%, seguido por Santa Rosa do Tocantins (10,84%), Almas (8,77%), Campos Lindos (8,21%) e Araguaína (7,11%). No setor de importação, Palmas foi o município mais relevante com 29,77%, seguido por Palmeirante (26,95%), Miranorte (10,17%), Lagoa da Confusão (9,56%) e Gurupi (5,65%). Embora Palmas não esteja entre os cinco maiores exportadores, registrou 6,62% das vendas externas estaduais, superando R$ 821 milhões.