Antrax ameaça a população de hipopótamos no Parque Nacional Virunga, na RDC
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Antrax ameaça a população de hipopótamos no Parque Nacional Virunga, na RDC

No ecossistema do Rio Semuliki, localizado perto do Parque Nacional Virunga, na República Democrática do Congo, um surto de doença fatal resultou na morte de pelo menos 28 hipopótamos. Esta situação levanta sérias preocupações sobre a conservação da vida selvagem e a saúde das comunidades locais.

A morte dos animais foi registrada ao longo de aproximadamente quatro semanas, com os primeiros relatos surgindo em meados de setembro de 2026. Estudos laboratoriais confirmaram que a causa das mortes foi o antraz, uma doença bacteriana causada por Bacillus anthracis.

Os moradores que vivem ao longo do Rio Semuliki começaram a notar os corpos de hipopótamos na água ainda em setembro, o que gerou preocupação com o crescente número de mortes. Este surto ocorre em meio à luta contínua da RDC contra uma grave epidemia de Ebola, o que exerce pressão adicional sobre as comunidades que já enfrentam problemas de saúde pública.

O antraz é uma doença infecciosa potencialmente fatal que afeta animais domésticos e selvagens. Os esporos desta doença podem persistir no solo por décadas, tornando a erradicação dos focos particularmente difícil após a contaminação da área.

Funcionários do Parque Nacional Virunga alertam que a doença pode ser transmitida aos humanos através do contato com animais infectados ou mortos, bem como pelo consumo de carne contaminada. As autoridades pediram enfaticamente aos moradores que não toquem, não retirem peles e não consumam animais encontrados mortos na área afetada. Recomenda-se também aos moradores locais que denunciem corpos e casos suspeitos às autoridades competentes.

As equipes do parque monitoram constantemente as áreas afetadas, registrando novos casos de morte de animais selvagens e coordenando o descarte e manuseio seguros dos cadáveres.

A perda de hipopótamos causa grande apreensão, pois esses grandes herbívoros desempenham um papel crucial na manutenção de ecossistemas aquáticos saudáveis. Eles são frequentemente chamados de 'engenheiros de ecossistemas'; eles movem nutrientes entre terra e água através de sua alimentação e excrementos, influenciando assim o equilíbrio ecológico dos rios e habitats adjacentes.

Surtos de antraz não são novidade para Virunga. Representantes oficiais do parque observam que incidentes anteriores afetaram hipopótamos e outra fauna selvagem, especialmente durante períodos de seca. As mudanças nas condições climáticas podem aumentar o risco de infecção: quando a vegetação fica escassa, os herbívoros se reúnem em torno de áreas de pastagem e fontes de água limitadas, aumentando a probabilidade de contato com o solo contaminado.

De acordo com a Al Jazeera, os surtos recorrentes são facilitados pela pressão ambiental, pela resistência dos esporos do antraz no ambiente e pelas dificuldades no monitoramento do estado da vida selvagem. A escala do último caso é motivo de preocupação, especialmente considerando que um surto anterior em Virunga em 2025 ceifou a vida de 65 hipopótamos.

Apesar dessas perdas, estima-se que o parque, em uma avaliação realizada em fevereiro de 2026, ainda tivesse mais de 2700 hipopótamos no ecossistema, distribuídos em 171 grupos. O Parque Nacional Virunga, fundado em 1925, é o parque nacional mais antigo da África e uma das zonas de conservação de biodiversidade mais importantes do continente.

Localizado na parte oriental da RDC, este Patrimônio Mundial da UNESCO é conhecido por sua rica diversidade de habitats, incluindo florestas tropicais, savanas, zonas úmidas e paisagens vulcânicas. É também lar de gorilas das montanhas, elefantes florestais, hipopótamos e muitas outras espécies selvagens.

No entanto, os esforços de conservação são complicados por décadas de conflitos armados na região. De acordo com a Al Jazeera, a instabilidade contínua contribuiu para a caça furtiva, o desmatamento e dificultou a proteção de partes do parque. Representantes de Virunga também relataram a perda de controle sobre vastas áreas do parque nos últimos quatro anos devido a combates entre o exército congolês e os rebeldes M23. Esses problemas tornam extremamente complexo o monitoramento das populações de vida selvagem e a resposta a surtos de doenças.

O surto recente destaca a estreita interconexão entre a conservação da vida selvagem, a saúde ambiental e o bem-estar humano. Especialistas em conservação pediram para intensificar a vigilância de doenças, melhorar o gerenciamento de carcaças de animais e estabelecer uma cooperação mais estreita entre serviços de vida selvagem, autoridades de saúde pública e comunidades locais. A proteção dos hipopótamos de Virunga não é apenas a preservação de uma espécie; seus movimentos e hábitos alimentares ajudam a sustentar processos ecológicos que garantem a existência de outras vidas selvagens e habitats aquáticos. O parque continua a monitorar o surto, e a situação serve como um lembrete da pressão ambiental enfrentada por algumas das áreas selvagens mais importantes da África.

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Alguns macacos-japoneses no Texas começaram a apresentar uma aversão patológica a germes depois de sobreviverem a um surto epidêmico de doença, semelhante ao que ocorreu no início de 2020, quando grande parte do mundo focava na prevenção da Covid-19.

Após testemunharem a devastação de seu santuário por um patógeno contagioso e mortal, esses primatas passaram a adotar precauções mais rigorosas em relação a alimentos que pareciam estar contaminados. Os pesquisadores sugerem que, devido à capacidade de aprendizado social dos primatas, essa aversão a parasitas e germes pode ser transmitida entre os membros do grupo e persistir ao longo do tempo.

Federico Rossano, autor do estudo, declarou em um comunicado que este achado permite demonstrar que a germofobia ocorre também em primatas não humanos. Ele explicou que, mesmo sem compreender o mecanismo de transmissão de uma doença, a exposição a indivíduos que adoecem e morrem altera a probabilidade de os animais desenvolverem comportamentos que possam levar a enfermidades.

Este comportamento foi detalhado em um artigo publicado na revista Royal Society Open Science e pode ser crucial para que cientistas investiguem as origens evolutivas do nojo, uma emoção fundamental no sistema imunológico comportamental utilizado pelos animais para evitar agentes biológicos nocivos.

Os estudos foram conduzidos no Santuário de Primatas Born Free USA, localizado no sul do Texas, uma organização que acabara de sofrer uma tragédia recente. O retrovírus símio (SRV) afetou os macacos-japoneses, resultando em dezenas de óbitos causados por imunodeficiência (similar à AIDS) e síndrome de emagrecimento crônico.

Dado que o SRV é altamente transmissível — sendo propagado pela saliva, urina, sangue, mordidas, arranhões e contato direto —, a infecção por fluidos contaminados pode evoluir rapidamente, levando à morte em cerca de três a quatro semanas após o início da contaminação.

Para lidar com o surto, o santuário implementou um protocolo de separação, testes e quarentena dos grupos de macacos. Isso gerou quatro categorias de grupos: três que tiveram contato com o surto (seja por adoecerem ou por presenciarem outros adoecerem) e um grupo controle que não teve nenhuma interação com o SRV.

Essa situação estabeleceu um experimento natural singular. Dentro dos grupos expostos, alguns indivíduos foram infectados, enquanto outros conviviam com macacos doentes sem contrair a infecção. Isso possibilitou aos pesquisadores analisar se a mera vivência de um surto, mesmo sem adoecer, alteraria o comportamento animal.

Cinquenta e cinco macacos foram submetidos a um teste de escolha. Em um recipiente, uvas foram dispostas sobre uma superfície de madeira limpa; em outro, as mesmas uvas estavam sobre uma superfície coberta com fezes de macaco e revestida com resina epóxi, o que garantia a proteção contra riscos de infecção. Teoricamente, as uvas atraem os macacos-japoneses por serem um agrado raro no santuário.

Pesquisas anteriores já indicaram que as fezes nem sempre são um fator de repulsão quando há uma recompensa atrativa, visto que, diante de um petisco preferido, como amendoim, os macacos consumiam o alimento mesmo sobre superfícies contaminadas. Contudo, com refeições menos apetitosas, eles evitavam a área suja.

No entanto, neste experimento específico, os macacos que haviam vivenciado o surto de SRV mostraram menor inclinação a ingerir alimentos sobre a superfície contaminada. Eles consumiram da área contaminada em apenas 47% das tentativas, comparado aos 79% observados nos macacos do grupo que jamais passou pelo surto.

Um aspecto notável foi que até mesmo os macacos que não contraíram o SRV, mas apenas presenciaram outros adoecerem, exibiram padrões comportamentais similares aos dos infectados. Isso aponta que a modificação comportamental está ligada à experiência do surto, e não exclusivamente ao fato de terem ficado doentes.

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O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a identificação de um foco da Doença de Newcastle (NDV) em uma fazenda de criação de perus localizada no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Apesar de o vírus ter sido detectado em análises laboratoriais, os animais afetados não apresentaram sinais clínicos visíveis.

Este surto gerou suspensões parciais ou totais na compra de frangos brasileiros por países como China e México. Contudo, as autoridades asseguram que a doença não constitui um perigo para a saúde humana.

Embora a contaminação humana seja teoricamente possível, ela é descrita como extremamente rara e de baixa gravidade. O consumo de frangos doentes que foram adequadamente cozidos não transmite a enfermidade. Os casos em seres humanos tendem a ocorrer em indivíduos que têm contato direto com as aves, sendo preveníveis através do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Quando ocorre uma infecção humana, a Doença de Newcastle manifesta sintomas parecidos com os de uma gripe comum ou uma conjuntivite leve, condições que geralmente se resolvem espontaneamente.

A NDV é causada por uma cepa do vírus Orthoavulavirus javaense e afeta primariamente aves. Sua característica principal é ser altamente contagiosa, disseminando-se majoritariamente pelo contato direto entre aves sadias e as secreções provenientes de aves contaminadas.

Todas as secreções de animais portadores carregam uma elevada quantidade do vírus causador da NDV, o qual possui capacidade de sobrevivência por dias ou semanas em superfícies. Essa combinação facilita a propagação da doença por vias mecânicas, como através de vestimentas e calçados sujos com essas secreções.

Em ambientes de criação comercial, o sistema de confinamento acelera significativamente a transmissão. Conforme um material informativo da Organização Mundial da Saúde Animal, quando o vírus entra em um plantel vulnerável, quase todas as aves podem ser infectadas em um intervalo de dois a seis dias.

A contaminação pode ser assintomática, como observado nas fazendas de SC. Caso os sintomas apareçam, o vírus atinge os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves. Os sinais clínicos incluem dificuldade para respirar, manifestações nervosas (como depressão, perda de apetite, tremores musculares, quedas de asas, torção de cabeça e pescoço, movimentos circulares, e paralisia total), inchaço nos tecidos ao redor dos olhos e pescoço, diarreia aquosa e esverdeada, além de ovos com casca fina ou áspera e deformada, resultando em menor produção de ovos.

A taxa de mortalidade pode atingir 100%. Devido a isso, existe um protocolo específico para gerenciar surtos ou epidemias de Doença de Newcastle. As ações necessárias englobam a implementação de quarentenas, o abate humanitário de todos os animais infectados ou expostos à infecção, seguido pelo descarte apropriado dos carcaças e pela desinfecção geral das instalações.

Celes Regina de Matos, presidente da Cidasc, declarou à Agência Brasil que a equipe já está no local, trabalhando na contenção e erradicação do vírus. Ela enfatizou que o local será tratado como um foco, e a erradicação e desinfecção serão realizadas até que o foco seja eliminado. A Cidasc só deixará o local após essa eliminação, visando fazer isso o mais rápido possível. Assim que o foco for controlado, todos serão notificados, cumprindo o compromisso com o mercado externo, que depende da saúde do plantel para garantir as importações.

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