Jamieson Greer, representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), comunicou a intenção de Washington de retirar a África do Sul e o Ruanda da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA).
Segundo o USTR, as razões para essa exclusão envolvem questões como barreiras alfandegárias, investimentos, o estado de direito e o pluralismo político. Especificamente em relação à África do Sul, foram apontadas a corrupção e ameaças à segurança nacional dos EUA ou aos seus interesses de política externa.
O acordo AGOA é fundamental, pois possibilita que diversos produtos africanos acessem o mercado norte-americano sem pagar direitos alfandegários, sendo de grande importância para a África do Sul, considerada a economia mais industrializada da África subsaariana.
A África do Sul havia expressado esperança de que Washington tomasse uma decisão positiva sobre sua manutenção no pacto comercial entre os Estados Unidos e o continente africano, mas esse desejo não se concretizou.
Este país da África Austral tem sido alvo do governo liderado por Donald Trump há meses, que acusa o país de suposta perseguição aos afrikaners, descendentes dos colonos brancos europeus, desde seu retorno ao poder. Além disso, a África do Sul enfrentou restrições na emissão de vistos de entrada nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos permanecem um parceiro comercial relevante para a África do Sul, com mais de 600 companhias americanas operando no território, gerando aproximadamente 134.600 empregos.
Setores como o automotivo e o agrícola (incluindo citrinos) são particularmente impactados pelo AGOA. A AFP relatou que, em 2025, a Naamsa, organização patronal do setor automotivo sul-africano, estimava que o AGOA sustentava 86 mil postos de trabalho no setor automotivo e 125 mil se fossem contados os fornecedores.

