A Anthropic reportou uma receita de US$ 17 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 91,8 bilhões, durante o terceiro trimestre de 2026. Este valor representa um aumento significativo de 12 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior. Contudo, apesar dessa expansão acelerada, a desenvolvedora do Claude também registrou um prejuízo líquido de US$ 23 bilhões, o que corresponde a cerca de R$ 124,2 bilhões.
Esses resultados foram divulgados na segunda-feira (2) e são considerados uma atualização crucial das informações financeiras que a empresa apresentou em seu prospecto para uma Oferta Pública Inicial de Ações (IPO). Anteriormente, a maioria dos dados disponíveis cobria apenas os primeiros seis meses de 2026.
O desempenho do terceiro trimestre é particularmente importante para investidores, dada a rápida evolução do mercado de inteligência artificial (IA). A avaliação de uma empresa neste setor não se baseia somente no crescimento da receita, mas também na sua capacidade de manter os investimentos necessários para o desenvolvimento e operação de seus modelos.
Caso a abertura de capital da Anthropic se concretize, a empresa poderá ser avaliada em até US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,8 trilhões). Além disso, a oferta poderia mobilizar US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 540 bilhões), configurando-se como uma das maiores transações desse tipo já realizadas.
Embora os números trimestrais tenham superado levemente as previsões feitas anteriormente aos investidores, o ritmo de crescimento da Anthropic demonstra sinais de moderação. A receita cresceu 47% em relação ao segundo trimestre, um percentual ligeiramente superior aos 45% projetados em uma apresentação privada da companhia.
No entanto, esse avanço ficou aquém dos 144% de crescimento observados entre o primeiro e o segundo trimestre. Essa desaceleração, contudo, não implica necessariamente uma perda de força comercial, mas sim levanta questionamentos sobre a aptidão da empresa em converter sua expansão em resultados financeiros duradouros.
Brandon Ross, analista da LightShed Partners, comentou ao The New York Times que, embora a empresa seja eficiente, «o dinheiro começará a escorrer à medida que ela constrói sua própria infraestrutura». Essa apreensão não é exclusiva da Anthropic; grandes corporações de tecnologia estão aumentando seus gastos com infraestrutura de IA e dependendo crescentemente do mercado de dívida para financiar seus projetos. Se a procura por IA ficar abaixo do esperado, esses compromissos podem intensificar a pressão sobre os resultados.
A Anthropic confirmou que reservará ações para investidores individuais em sua oferta pública, sem especificar a proporção destinada a este grupo. Esta decisão segue uma tática similar à adotada pela SpaceX em sua abertura de capital em junho, onde investidores de varejo tiveram participação relevante na operação.
Se for realizada, a oferta da Anthropic será a segunda grande abertura de capital do ano, sucedendo a operação da empresa de Elon Musk. A OpenAI, criadora do ChatGPT, também está considerando uma oferta pública em 2027, com potencial de avaliação superior a US$ 1 trilhão. Esse movimento ocorre em um contexto de maior cautela dos mercados em relação aos investimentos maciços em IA, visto que ações de empresas de tecnologia sofreram uma forte onda de vendas na semana anterior devido a questionamentos sobre a sustentabilidade dos gastos do setor.
Paralelamente à preparação para o IPO, a Anthropic também reforçou as limitações de uso de suas ferramentas de IA. A empresa modificou as diretrizes do Claude Code para proibir que a ferramenta seja empregada na recriação de videogames específicos já existentes. Essa alteração foi implementada no prompt de sistema da versão Opus 5.5 do Claude Code.
As novas orientações instruem o modelo a criar jogos inéditos, produções inspiradas em gêneros ou projetos baseados em designs e recursos fornecidos pelos próprios usuários. O objetivo desta restrição é prevenir que a IA seja usada para replicar diretamente jogos protegidos por propriedade intelectual, mesmo quando o usuário tenta apresentar essa cópia como obra original.
Addy Osmani, representante da Anthropic, confirmou ao The Verge a atualização, explicando que usar o Claude para violar direitos de propriedade intelectual contraria as políticas da empresa. No entanto, a companhia não pretende barrar a criação de jogos com IA; projetos originais desenvolvidos com ideias e recursos próprios dos usuários permanecem permitidos. Segundo Osmani, a Anthropic buscará continuamente ajustar suas instruções para equilibrar a proteção da propriedade intelectual com a liberdade criativa dos usuários.


