Novo status do café: surgimento de máquinas e cápsulas sem plástico
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Novo status do café: surgimento de máquinas e cápsulas sem plástico

Durante muitas décadas, a principal vantagem das máquinas de café caras foram suas inúmeras funções. No entanto, os consumidores agora procuram exatamente aquilo que esses aparelhos não possuem. A crescente preocupação com microplásticos e desenvolvimento sustentável está impulsionando o surgimento de máquinas e cápsulas de café sem plástico.

Empresas que produzem café e eletrodomésticos lançaram novos modelos e reformularam cápsulas nos últimos meses. Por exemplo, as novas cápsulas da Keurig e Lavazza substituem os copos plásticos tradicionais por pastilhas de café compostáveis. E uma nova máquina da Caraway utiliza café moído comum, mas, ao contrário das cafeteiras gota a gota padrão, seu corpo de aço inoxidável e vidro não contém plástico no sistema de infusão.

Pesquisas adicionais são necessárias para determinar o dano real causado pelos microplásticos. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pelo grupo ambiental 5 Gyres em 2025, nove em cada dez americanos estão preocupados com o impacto das partículas minúsculas de plástico no planeta e no organismo humano, e estudos já mostraram que as cápsulas liberam microplásticos.

O aumento da procura por equipamentos e cápsulas caras sem plástico corresponde a uma tendência mais ampla, na qual os consumidores começaram a atualizar seus equipamentos de café domésticos após a pandemia, observou Peter Giuliano, consultor sênior de pesquisa da Specialty Coffee Association. Ele explicou que o apelo dessa tendência é motivado por três fatores: preocupações com a saúde devido aos microplásticos, preocupação com o meio ambiente e a sensação de que metal e vidro são percebidos como mais 'luxuosos' do que plástico.

Novas Cápsulas

Em junho, a Lavazza apresentou nos EUA o modelo Tablì — uma máquina de US$ 129 que funciona exclusivamente com pastilhas de espresso descartáveis feitas de café moído prensado. Isso representa uma mudança em relação às suas cápsulas anteriores, que eram feitas de plástico e alumínio. A Lavazza informou em um comunicado de imprensa que as pastilhas são criadas usando uma tecnologia especial que 'dosifica, moe e compacta o café em um bloco sólido pronto para uso'.

A empresa italiana declarou que a Tablì é o 'maior investimento' nos EUA, pois busca dobrar sua receita para US$ 1 bilhão até 2029, a fim de enfraquecer o monopólio da Keurig Dr. Pepper no mercado de café. Segundo Daniele Foti, vice-presidente de marketing da Lavazza América do Norte, a Tablì é voltada para clientes que desejam encontrar uma alternativa ecológica às cápsulas tradicionais. Ela enfatizou que 'os consumidores querem desfrutar de café sem os resíduos que geralmente acompanham as porções descartáveis'.

A Keurig, que popularizou o plástico com seus K-Cups ainda nos anos 90, lançou em outubro uma nova linha de cápsulas compostáveis com a máquina Alta especialmente desenvolvida (as novas cápsulas não são compatíveis com modelos antigos). Essas cápsulas, chamadas AltaRounds, foram desenvolvidas a partir de 2020 em resposta às mudanças nas preferências dos consumidores em termos de sustentabilidade e saúde. Philip Drapau, vice-presidente sênior da divisão Future Coffee Systems da Keurig, afirmou que as novas cápsulas representam uma 'redução significativa de plástico em comparação com nossas cápsulas K-Cup'. Ele acrescentou que 'ouvimos claramente dos clientes que eles querem produtos mais ecológicos, ou seja, menos plástico e resíduos plásticos'. Drapau também observou que 'nossos dados mostram que a variedade de bebidas, a qualidade e a menor quantidade de resíduos plásticos são prioridades altas para quase todos os grupos'.

Anteriormente, a Keurig enfrentou críticas por suas cápsulas e, em 2022, concordou em pagar US$ 10 milhões para resolver um processo coletivo alegando que a empresa enganou os consumidores ao anunciar seus K-Cups de plástico como recicláveis, embora a própria Keurig negasse qualquer culpa. No entanto, apesar de as cápsulas e a máquina conterem menos plástico, elas são significativamente mais caras do que a máquina Keurig tradicional. O kit Alta, que inclui louça de vidro e cápsulas, custa US$ 499.

Melissa Valiant, diretora de comunicação da 5 Gyres, observou que tanto os produtos Lavazza quanto os da Keurig ainda utilizam plástico que 'eventualmente acaba em aterros sanitários, incineradores ou em nosso meio ambiente após o uso, contribuindo para a crescente crise de poluição plástica no planeta'.

Nova Máquina

A Caraway concentrou seus esforços no desenvolvimento de uma máquina de café de US$ 495, lançada no mês passado, que é totalmente feita de aço inoxidável e vidro, garantindo que nenhum plástico entre em contato com o café moído. Ao contrário das máquinas Lavazza e Keurig, esses dispositivos contêm alguma quantidade de plástico. De acordo com o CEO da Caraway, Jordan Nathan, criar uma máquina de café com um sistema de infusão livre de plástico foi um desafio complexo, pois os componentes caros de vidro e aço exigiam fabricação personalizada.

Nathan disse à CNN que tiveram que criar o melhor café sem plástico dentro de um corpo totalmente metálico, mas em um tamanho compacto para bancada com um único controle giratório. A preocupação com o plástico na cozinha e seu impacto no sistema endócrino tem crescido nos últimos anos. Nathan citou um artigo viral que liga o plástico preto na cozinha a níveis preocupantes de antipirênicos tóxicos.

A discussão sobre este tema foi alimentada pelas redes sociais, influenciadores e vários estudos científicos, levando pais e outras pessoas preocupadas com a saúde a evitar o plástico sempre que possível — seja em cosméticos, alimentos ou roupas de cama. Outros produtos da Caraway, como tábuas de corte, aumentaram significativamente as vendas nos últimos três anos. Nathan acrescentou que o café é o próximo passo natural, porque 'nunca se deve aquecer plástico'.

A procura pela nova cafeteira Caraway para 10 xícaras foi tão alta que esgotou antes de janeiro, forçando a empresa a aumentar a produção. Enquanto isso, Keurig e Lavazza relataram interesse semelhante, pois os produtos de ambas as empresas esgotaram rapidamente após o lançamento inicial. Nathan concluiu que esse alto interesse em cápsulas e máquinas sinaliza que o setor estará caminhando em direção a alternativas mais ecológicas, acrescentando: 'Se você não está fazendo isso, está ficando para trás do rumo em que a bola está indo.'

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Para os produtores da Nova Alta Paulista, a obtenção de um café com aroma pronunciado, doçura natural e sabor bem equilibrado depende de uma série de práticas rigorosas que se iniciam antes da colheita e persistem até o momento do preparo dos grãos para a torra.

Nesta área, os cafeicultores têm direcionado seus investimentos para o manejo das plantações e para a seleção cuidadosa da produção, visando a criação de cafés especiais, incluindo microlotes e nanolotes.

A distinção entre os cafés não reside apenas no volume produzido; ela é determinada pela escolha dos grãos, pelo estágio de maturação, pelos procedimentos pós-colheita e pela correta identificação das características sensoriais da bebida.

Experiências de produtores em Osvaldo Cruz

Em Osvaldo Cruz, Lucas Antônio Neves Benites, que atua com café há três anos, desenvolveu sua produção em uma propriedade familiar já estabelecida. Desde então, ele intensificou o uso de técnicas de manejo para elevar a qualidade dos grãos.

Lucas explicou que a produção de café de alta qualidade exige um manejo contínuo desde o início, utilizando análises para compreender as necessidades da planta e aplicar adubação precisa, suprindo todos os requerimentos da lavoura.

O produtor enfatizou a relevância das análises de solo e foliares para diagnosticar as demandas vegetais, juntamente com o monitoramento de pragas e enfermidades. Segundo ele, a nutrição apropriada é crucial para guiar o desenvolvimento da lavoura e prevenir danos que possam afetar o resultado final.

Contudo, o zelo não se encerra no campo. As fases de secagem e armazenamento impactam diretamente a qualidade da bebida. Lucas alertou que a secagem inadequada é um fator principal, pois deixar o café em camadas muito espessas no terreiro pode promover a fermentação indesejada.

Ele também advertiu contra o uso de temperaturas excessivamente altas nos secadores e o armazenamento em ambientes quentes e úmidos, condições que tendem a diminuir o aroma e modificar o sabor do café.

Tradição e seleção em Parapuã

Em Parapuã, Santo Altrão possui uma ligação com a cafeicultura que abrange várias gerações. Com 60 anos, ele relatou ter aprendido sobre a cultura com seu pai, crescendo entre os cafezais. Após um período de dificuldades financeiras que o afastaram da atividade, ele retornou ao cultivo com seus filhos, que também cuidam do plantio e do processamento dos grãos.

A família trabalha com café arábica, abrangendo todas as etapas, desde a colheita e beneficiamento até o preparo e a torra. Sua vasta experiência permitiu a Santo comparar a produção local com cafés de outras regiões do Brasil, identificando traços próprios na bebida da Nova Alta Paulista, notadamente no equilíbrio entre acidez, corpo e doçura.

Para alcançar este perfil, é imprescindível selecionar os grãos no momento exato. Santo fez uma analogia entre a maturação do café e a de uma fruta: um grão colhido prematuramente difere daquele que atingiu o ponto ideal. Ele comparou dizendo que, assim como em uma manga madura, uma colheita seletiva dos grãos cereja garante uma bebida mais suave, com maior concentração de açúcar e mais sabor aparente.

O produtor detalhou que os cuidados devem começar no preparo do solo e continuar durante o crescimento, a maturação e a colheita. Após serem removidos da planta, os grãos necessitam de uma secagem correta. Santo ressaltou que o café recém-colhido não deve permanecer amontoado e úmido por muito tempo, pois isso pode provocar fermentações indesejadas. No terreiro, os grãos devem ser revirados diversas vezes ao dia para assegurar uma secagem adequada.

Ele frisou que tanto a pré-colheita quanto a colheita são decisivas para um café de boa qualidade. O ciclo do café, incluindo a floração e o desenvolvimento após o plantio, ocorre no final de setembro ou outubro, dependendo da estação chuvosa. A colheita propriamente dita acontece em abril e maio, quando inicia a maturação. Portanto, é vital acompanhar de perto a lavoura neste período, devido aos cuidados necessários contra pragas comuns na região quente, como o bicho-mineiro, que pode causar desfolha.

Essa fase é particularmente importante porque falhas no pós-colheita podem comprometer as qualidades que o produtor buscou manter, mesmo após todo o trabalho realizado na lavoura.

Microlotes e nanolotes

A produção de cafés especiais também pode ser segmentada em lotes menores, destinados a evidenciar características específicas. Neste contexto surgem os microlotes e os nanolotes, categorias reconhecidas no concurso de qualidade da Nova Alta Paulista.

Segundo o Sebrae-SP, um microlote representa uma seção específica da fazenda, distinguida por suas condições de cultivo, variedade ou método de maturação. Já o nanolote é um recorte ainda mais restrito, podendo envolver poucas fileiras de cafeeiros ou um processo singular de pós-colheita.

As quantidades e os critérios de participação variam conforme as normas de cada competição. Lucas informou que, no concurso regional, as amostras dessas duas categorias possuem volumes distintos. Ele especificou que o microlote corresponde a uma amostra de 180 kg, enquanto o nanolote, que ele ganhou, é composto por uma amostra de 90 kg, sendo a diferença primária a quantidade da amostra.

No caso do microlote, o foco está na importância de zelar por cada etapa da produção para preservar as qualidades do café. A seleção e o cuidado com os grãos possibilitam que os produtores identifiquem atributos específicos da bebida e busquem um nível superior de qualidade. Em ambos os casos, a divisão da produção permite a avaliação de amostras distintas, seguindo os parâmetros definidos em cada competição.

Critérios de Qualidade

A qualidade de um café não é definida unicamente pela aparência visual dos grãos. Durante as avaliações sensoriais, degustadores especializados examinam aspectos como fragrância, aroma, sabor, doçura, acidez, corpo, finalização e equilíbrio. A presença de defeitos também pode influenciar a pontuação.

Santo salientou que, na bebida regional, é fundamental a harmonia entre os diversos atributos, sem que um deles se destaque de forma exagerada. Ele observou que, embora a acidez deva estar presente, ela precisa estar em equilíbrio. O café não é descrito como excessivamente licoroso, nem muito fraco, apresentando um corpo equilibrado e uma persistência agradável na boca, com o sabor característico do café. A doçura, segundo ele, é essencial, pois possui um nível moderado que permite consumir o café sem adição de açúcar, e apresenta pouco amargor, um traço considerado único do café da Nova Alta Paulista.

O produtor reforçou que a doçura e o amargor são características cruciais para definir o perfil da bebida, e a combinação desses elementos distingue os cafés cultivados na região.

Incentivo e Reconhecimento

A busca pela excelência tem sido impulsionada por iniciativas que valorizam a cafeicultura da Nova Alta Paulista. Um exemplo disso é o Concurso de Qualidade do Café Arábica da Nova Alta Paulista, cuja oitava edição ocorreu em Osvaldo Cruz.

Além de reconhecer os produtores, o evento visa aumentar a visibilidade da região e consolidar a associação do café com seu território. Guilherme Soares mencionou que a iniciativa também auxilia na divulgação da Indicação Geográfica do Café Arábica da Nova Alta Paulista e estimula a participação em outras competições.

Na categoria nanolote, Lucas obteve o primeiro lugar com 81,91 pontos. Na categoria microlote, o vencedor foi Augusto Enrico Gonsales Altrão, representando a família Altrão de Parapuã, com 82,91 pontos.

Para Santo Altrão, este reconhecimento serve para demonstrar o potencial da região na produção de cafés especiais e agregar valor à atividade. Ele defende que os cafeicultores devem focar em uma produção mais eficiente e voltada à qualidade, em detrimento da mera priorização da quantidade colhida. Há a expectativa de que a valorização do café local motive outros produtores a investir na cultura, fortalecendo toda a cadeia produtiva, conectando quem planta, beneficia, torra e consome a bebida.

Caffè Florian, a cafeteria mais antiga da Itália, localizada na Piazza San Marco em Veneza
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Caffè Florian, a cafeteria mais antiga da Itália, localizada na Piazza San Marco em Veneza

Localizado no coração de Veneza, especificamente na Piazza San Marco, 57, encontra-se o Caffè Florian, reconhecido como a cafeteria mais antiga da Itália e uma das mais antigas em operação mundialmente. Este estabelecimento, situado sob os arcos e galerias da emblemática Praça de São Marcos, mantém suas portas abertas diariamente, funcionando das 9h até a meia-noite.

Conhecida popularmente como o «salão nobre da Europa», a cafeteria distingue-se pelo seu serviço altamente refinado. Os pedidos são apresentados em bandejas prateadas brilhantes, acompanhados de louças delicadas e talheres finos, sendo servidos por garçons trajados em vestimentas formais clássicas.

Embora possa não estar nos roteiros turísticos mais comuns, o local justifica uma visita, principalmente para apreciar sua arquitetura nobre. Devido ao seu prestígio histórico acumulado ao longo de séculos e à sua localização privilegiada, os custos tendem a ser elevados; um café expresso, por exemplo, custa aproximadamente 6,50 € quando consumido à mesa.

O Caffè Florian foi inaugurado em 29 de dezembro de 1720 por Floriano Francesconi, inicialmente sob o nome «Alla Venezia Trionfante», que significa «À Veneza Triunfante». Com o passar dos anos, os clientes leais passaram a se referir ao local como «Andemo da Florian», em referência ao nome do proprietário.

A mudança oficial de nome para «Caffè Florian» ocorreu em 1797, durante a queda da Sereníssima República de Veneza, que foi derrubada por Napoleão Bonaparte, sob a administração de seu sobrinho, Valentino Francesconi. Desde o século XVIII, a cafeteria consolidou-se como ponto de encontro para figuras proeminentes da política e cenário para discussões culturais, sendo frequentemente chamada de «bebida do Iluminismo» ou «bebida da razão».

O Caffè Florian possui marcos históricos significativos, como ter sido um dos primeiros locais públicos a permitir a livre presença de mulheres. Durante a Revolução Veneziana de 1848, a célebre República de San Marco foi proclamada dentro de suas dependências, que também serviram como hospital de campanha para atender patriotas feridos.

O livro de visitas do café registra nomes de grande importância cultural e histórica, incluindo Casanova — cuja lenda sugere que seu espírito ainda vagueia pelos salões suntuosos —, Mozart, Goethe, Lord Byron, Oscar Wilde, Thomas Mann, Ernest Hemingway, Andy Warhol e Charlie Chaplin.

Ao entrar na cafeteria, o visitante pode admirar um espaço dividido em duas zonas principais: uma área externa, situada na praça, equipada com cadeiras beges, toalhas creme e coberta por toldos sob os arcos; e os salões internos, luxuosos, que evocam uma atmosfera palaciana digna de castelos aristocráticos. Estes interiores apresentam espelhos dourados, afrescos nos tetos e relevos adornados com folha de ouro.

Entre as atrações regulares, destaca-se a Orquestra do Florian, um grupo musical que se apresenta ao ar livre no estilo dos «cafés-concerto», muito populares na Europa Central. É interessante notar que, em certas épocas do ano, acontece o tradicional «duelo de orquestras», onde cafés vizinhos da praça competem musicalmente.

O cardápio oferece itens notáveis como espressos tradicionais, cappuccinos com chantilly e uma variedade de chocolates quentes, além de opções alimentares como croissants frescos, conhecidos como «cornetti», tortas de chocolate, tramezzini e panini gourmet. Para ilustrar os preços, um cappuccino custa cerca de 10,50 €, e o serviço completo de chá tradicional tem um valor de 35 €.

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