A rede FEWS NET estima que, em abril, cerca de 1,99 milhão de cidadãos moçambicanos precisarão de ajuda alimentar urgente. Este número está abaixo tanto do registro de abril de 2026 quanto da média dos últimos cinco anos, mesmo considerando os riscos associados ao fenômeno El Niño.
O relatório mais recente da Famine Early Warning Systems Network (FEWS NET) aponta que, em abril de 2027, entre 5% e 10% da população moçambicana enfrentará insegurança alimentar aguda, o que corresponde a um intervalo de 1,5 milhão a 1,99 milhão de pessoas. A rede observa que as necessidades de assistência alimentar em Moçambique em abril de 2027 devem ser menores do que as registradas em abril de 2026 e abaixo da média quinquenal.
Moçambique faz parte de um grupo seleto de nações monitoradas por esta organização, que é uma rede internacional de alerta precoce sobre insegurança alimentar e é financiada pelos Estados Unidos. As necessidades de assistência alimentar no país devem diminuir em comparação com o mesmo período de 2026, ao lado de Quênia, Zâmbia, Lesoto e Afeganistão.
De acordo com a FEWS NET, que acompanha riscos de fome e demandas de assistência alimentar em diversas nações, a melhora na situação em Moçambique deve-se principalmente à produção agrícola superior à média registrada em 2026, ao acúmulo de reservas alimentares pelas famílias, à estabilidade dos preços dos alimentos e à disponibilidade de estoques que ajudarão a amenizar os problemas esperados na próxima safra.
Não obstante, a organização emite um alerta sobre a continuidade de situações de Crise (Fase 3 do IPC) em áreas atingidas por conflitos armados, especificamente em Cabo Delgado e no norte da província de Nampula. Nestas regiões, a insegurança alimentar segue limitando o acesso a alimentos e aos meios de subsistência.
A análise da FEWS NET destaca que o conflito armado continuará a prejudicar o acesso a alimentos e aos meios de subsistência. O relatório identifica o conflito e as condições climáticas desfavoráveis como os principais vetores de risco para a segurança alimentar nacional.
A organização também adverte que os efeitos do El Niño podem restringir a recuperação em várias regiões, prevendo quedas na produção agrícola em partes do centro e sul de Moçambique no início da colheita de 2027. O documento acrescenta que o fenômeno El Niño 2026-2027 deve causar chuvas abaixo da média na África Austral durante a estação chuvosa de outubro de 2026 a março de 2027, elevando o risco de impactos na produção e na segurança alimentar.
Segundo a FEWS NET, essas deficiências podem reduzir as melhorias sazonais habitualmente vistas no acesso a alimentos durante o período da colheita. No entanto, o impacto imediato deve ser suavizado pelas boas colheitas de 2026 e pelas reservas existentes.
Em um relatório especial divulgado neste mês, a organização alertou que o El Niño 2026-2027 se intensificou rapidamente para níveis classificados como muito fortes, e deve resultar em precipitação abaixo da média em grande parte da África Austral entre outubro de 2026 e março de 2027. A FEWS NET ressalta, contudo, que os efeitos mais graves do fenômeno na segurança alimentar costumam aparecer somente nos meses subsequentes, durante o período de escassez, indicando que os impactos mais profundos podem ocorrer mais tarde em 2027.
Em Cabo Delgado, onde a insurgência armada gera violência desde outubro de 2017, a organização antecipa a manutenção de cenários de crise alimentar até pelo menos abril do próximo ano, devido à persistência de deslocamentos populacionais e às restrições no acesso a terras agrícolas, mercados e fontes de renda.