O Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto (SP) tem potencial para adquirir uma arena coberta de uso múltiplo destinada a shows e eventos, além de uma praça de convívio com áreas de lazer e infraestrutura renovada para sediar feiras e festivais. Os estudos preliminares da concessão indicam um custo inicial de R$ 134,8 milhões, que será custeado pela empresa vencedora da licitação, responsável pela administração do local durante 35 anos.
Esses estudos foram elaborados pelo Consórcio Arena Ribeirão e avaliados por uma comissão da Prefeitura. Em 29 de setembro, essa comissão sugeriu que o material fosse utilizado na continuidade do processo, embora tenha ressaltado que isso não implica aceitação automática de valores, projetos ou regras, permitindo ajustes por parte da Prefeitura.
A concretização do projeto ainda depende da aprovação da Câmara Municipal e da realização de uma licitação. João Rafael Mião, secretário municipal de Administração, informou que a intenção da Prefeitura é lançar o edital até o final de 2026, com a meta de finalizar as obras em 2028. Mião enfatizou que o objetivo é conceder a requalificação do espaço, pois Ribeirão Preto merece um local adequado, bonito e agradável para a comunidade.
Como deve ficar o parque
A principal adição prevista é uma arena coberta multifuncional, projetada para abrigar shows, congressos, feiras, apresentações culturais e competições esportivas. O modelo contratual estabelece uma capacidade mínima de 10 mil pessoas, sendo que o projeto de referência previa 15.075 espectadores na pista, complementados por 138 camarotes. A arena incluiria áreas de alimentação, espaços de suporte aos artistas e um palco reversível, utilizável tanto internamente quanto nos eventos realizados na área aberta do parque.
Adicionalmente, o plano contempla uma praça externa de 14,6 mil metros quadrados, que contará com arborização, quiosques, opções gastronômicas, playground, academia ao ar livre e um espaço dedicado a animais de estimação. O atual local de exposições, que já recebeu eventos como o Ribeirão Rodeo Music e o Festival João Rock, passará por melhorias significativas em sistemas de energia elétrica, água e esgoto, além de receber iluminação, pavimentação, drenagem, acessibilidade e novos acessos. A proposta também engloba a reorganização dos estacionamentos e das zonas de montagem e operação dos eventos.
O que fica para a população e para a Prefeitura
De acordo com o modelo proposto, a praça externa deverá permanecer aberta ao público gratuitamente todos os dias, no horário compreendido entre 8h e 18h. Contudo, esta regra não assegura acesso livre e irrestrito à arena nem às demais seções do complexo.
Os estudos indicam que a Prefeitura terá a possibilidade de utilizar, sem custos de aluguel, um dia por ano na arena e três dias no parque de exposições. Os gastos referentes aos eventos realizados nestas datas seriam de responsabilidade do município. A empresa que vencer a concorrência também pagará à Prefeitura uma outorga fixa, cujo valor mínimo estipulado é de R$ 1.049.168,54. Existe também uma outorga variável, limitada a 3% da receita líquida anual. Ao término dos 35 anos de concessão, o parque retornará à posse do município.
Quanto será investido
O estudo econômico-financeiro detalha os R$ 134,8 milhões previstos inicialmente em três componentes distintos: R$ 101,3 milhões destinados à construção da arena multifuncional; R$ 24 milhões para a modernização e reforma do parque de exposições; e R$ 9,5 milhões para a implementação da praça externa. Além deste montante, os estudos projetam um adicional de R$ 44,6 milhões em melhorias e substituição de equipamentos ao longo dos 35 anos, elevando o custo total estimado para R$ 179,4 milhões. O secretário esclareceu que este investimento será realizado pela empresa que for selecionada como vencedora da concessão.
Em troca, a concessionária terá permissão para explorar o complexo comercialmente, abrangendo eventos, aluguel de espaços, serviços de estacionamento, alimentação e outras atividades previstas no contrato.
Quando as obras podem começar
Atualmente, não há uma data definida para o início das obras, visto que o projeto se encontra na fase preparatória da concessão. Após receber os estudos do consórcio, a Prefeitura realizou uma audiência pública em 16 de outubro para debater a proposta. Segundo Mião, as sugestões coletadas serão analisadas antes que o processo avance para a Procuradoria do Município. Posteriormente, a Prefeitura planeja submeter um projeto de lei à Câmara para autorizar a concessão, o que permitirá a abertura da licitação para selecionar a empresa responsável pelas obras e gestão do espaço.
Mião reiterou a meta de conseguir publicar o edital ainda em 2026. A Prefeitura prevê a entrega do complexo em 2028. Entretanto, os estudos apontam que o período entre o projeto e o início da obra da arena pode levar cerca de dois anos após a emissão da ordem de início do contrato, tornando o cronograma dependente da aprovação na Câmara, da licitação e da contratação da concessionária.