Novo estudo sugere que ave gigante da Era do Gelo pode ser variação de grou comum
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Novo estudo sugere que ave gigante da Era do Gelo pode ser variação de grou comum

Um recente estudo publicado na Royal Society Open Science questiona a existência de uma ave gigante da Era do Gelo, indicando que os fósseis anteriormente catalogados podem ser simplesmente variações maiores de grous comuns atuais.

No século XIX, arqueólogos que investigavam cavernas e pântanos na Europa encontraram uma vasta coleção de restos de animais da antiga Era do Gelo. Dentre esses achados, o biólogo francês Alphonse Milne-Edwards descreveu uma espécie ancestral de grou, denominada Grus primigenia, com base em fragmentos ósseos retirados de uma caverna no sul da França.

Devido ao tamanho notavelmente maior de seus ossos em comparação com os grous contemporâneos, a comunidade científica passou mais de cento e cinquenta anos acreditando que se tratava de uma espécie distinta que habitou o final da última Era Glacial, há mais de vinte mil anos.

Contudo, uma nova pesquisa, realizada em colaboração com o Centro de Paleogenética em Estocolmo, Suécia, e conduzida pela Universidade Bournemouth, chegou a essa conclusão após analisar amostras de DNA antigo. A análise foi feita em 18 ossos de grou coletados na Inglaterra, País de Gales, França, Alemanha e nas Ilhas Baleares.

John Stewart, autor do artigo, expressou a suspeita de que esses grandes grous fossem, na verdade, grous europeus comuns de porte aumentado. Ele especula que o equívoco na classificação poderia estar ligado às diferenças de dimensão entre machos e fêmeas; os machos antigos eram maiores que as aves atuais, enquanto as fêmeas daquele período possuíam um tamanho similar aos machos modernos.

Os métodos utilizados historicamente contribuíram para essa confusão, pois estudos anteriores classificavam essas aves de grande porte unicamente com base no formato e no tamanho dos ossos. Com o avanço das técnicas de sequenciamento genético, a análise de DNA permite agora fornecer uma determinação muito mais exata sobre a identidade desses animais.

Stewart também levantou possíveis razões para o fato de os grous atuais serem menores. Entre as hipóteses estão as pressões seletivas impostas pelas atividades humanas nos habitats dessas aves. Alterações ambientais poderiam resultar em menor disponibilidade de alimento ou forçar migrações para áreas com menor competição por recursos. Em situações de escassez, indivíduos menores, que necessitam de menos suprimentos, podem obter vantagem.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que são necessários mais investigações para compreender completamente essa questão. Segundo ele, embora muitas espécies de aves estejam vulneráveis às intervenções humanas atualmente, é plausível que o número de extinções passadas tenha sido exagerado, visto que alguns desses casos podem representar apenas mudanças no porte de espécies que ainda existem.

Atualmente, o grou comum pode ser encontrado em grande parte do norte da Europa, incluindo Noruega, Suécia e Finlândia, além da porção ocidental da Ásia. Caracterizados por pernas e pescoço alongados, plumagem cinzenta e uma marca vermelha distintiva na cabeça, eles são conhecidos por voarem em grandes grupos organizados em forma de V durante suas jornadas migratórias.

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Ciência por trás do observatório de neutrinos premiado com o Nobel de Física
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Francis Halzen, naturalizado estadunidense e belga, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 2026 pelo seu trabalho fundamental no desenvolvimento do IceCube. Este observatório está situado nas profundezas do gelo do Polo Sul, na Antártida, e possui a capacidade de identificar neutrinos de alta energia, fornecendo novas informações sobre os ambientes mais extremos do Universo.

O tema foi abordado no programa Olhar Espacial desta sexta-feira (30), onde o físico Alexandre Cherman participou para detalhar como o IceCube auxilia na investigação dos fenômenos cósmicos mais intensos e o que os neutrinos podem revelar sobre eles. Cherman, que é astrônomo, doutor em física teórica, cientista de dados, educador, palestrante e autor de oito livros, também é coautor do jogo educativo Banco Imobiliário Cósmico, produzido pela Estrela Cultural. Atualmente, ele lidera a área de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

A concepção de utilizar o gelo antártico como um detector de partículas remonta a 1988. Após mais de vinte anos de desenvolvimento, o IceCube começou a operar em 2010. Sua estrutura abrange cerca de um quilômetro cúbico de gelo e é composta por 5.160 sensores ópticos, distribuídos em 86 cabos verticais que se estendem entre 1,45 e 2,45 quilômetros de profundidade.

Neutrinos são partículas subatômicas que não possuem carga elétrica e apresentam massa muito reduzida. Gerados em diversos eventos naturais, eles conseguem atravessar corpos celestes, como planetas e estrelas, e até mesmo o corpo humano, interagindo minimamente com a matéria. Estima-se que aproximadamente cem trilhões desses neutrinos passam por uma pessoa a cada segundo.

A detecção desses neutrinos acontece quando eles colidem com um átomo presente no gelo, gerando partículas carregadas. Estas, por sua vez, emitem um breve brilho azulado conhecido como radiação Cherenkov. Os sensores capturam esses sinais, permitindo que os pesquisadores calculem a energia e determinem a direção de origem da partícula.

Ao contrário dos telescópios convencionais, que funcionam captando luz, o IceCube foca na observação de partículas. Devido à ausência de carga elétrica nos neutrinos, seus caminhos não são alterados por campos magnéticos. Isso possibilita que eles apontem para a localização de aceleradores cósmicos, ou seja, ambientes extremos capazes de gerar partículas com energias muito superiores às alcançadas em laboratórios terrestres.

As descobertas feitas pelo observatório impulsionaram o campo da astronomia de neutrinos, que complementa as observações realizadas com luz e ondas gravitacionais. O IceCube permanece em funcionamento e está recebendo melhorias contínuas para aumentar sua capacidade de detecção, identificar novas fontes dessas partículas e auxiliar na compreensão dos fenômenos mais extremos do Universo.

Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA, membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira, diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, apresenta o programa, que é transmitido ao vivo todas as sextas-feiras às 21h (horário de Brasília) pelos canais oficiais do veículo nas plataformas YouTube, Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), LinkedIn e TikTok. O conteúdo original foi publicado no Olhar Digital.

Fêmea de sagui-da-serra ameaçado de extinção nasce trigêmeos em Minas Gerais
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Fêmea de sagui-da-serra ameaçado de extinção nasce trigêmeos em Minas Gerais

Uma fêmea da espécie sagui-da-serra (Callithrix flaviceps), que está classificada como criticamente ameaçada de extinção, deu à luz trigêmeos no dia 25, dentro do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), pertencente à Universidade Federal de Viçosa (UFV), localizado em Minas Gerais. Este evento é considerado incomum, visto que, habitualmente, as fêmeas deste animal geram apenas dois filhotes por gestação.

O programa de conservação dedicado aos saguis-da-serra, que começou em 2025 e é conduzido pela UFV, é o único no mundo a gerenciar e reproduzir esta espécie. O professor Fabiano Melo, conhecido como Bião, lidera a equipe e esclarece que a mãe dos trigêmeos faz parte de um dos grupos monitorados pelos pesquisadores.

Este programa de reprodução assistida visa assegurar a continuidade do sagui-da-serra, que é listado como criticamente em perigo de extinção tanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) quanto pela lista nacional de espécies ameaçadas. As principais ameaças enfrentadas pela espécie incluem a fragmentação de florestas, a perda de seu habitat natural e a hibridação genética.

Bião Melo detalha que a fêmea já possuía filhotes de uma gestação anterior, que hoje são jovens. Após engravidar novamente, ela deu à luz a três filhotes, todos vivos. Ele acrescenta que a sobrevivência do terceiro filhote é bastante desafiadora sem a colaboração dos membros mais velhos do grupo, pois os saguis possuem uma estrutura social onde o pai, irmãos e irmãs auxiliam no cuidado dos recém-nascidos. Atualmente, os três filhotes encontram-se em boas condições.

De acordo com Bião Melo, o período reprodutivo coincide com a estação chuvosa, ocorrendo de outubro em diante. Os filhotes costumam nascer em outubro, novembro e dezembro, podendo haver uma última leva em janeiro e fevereiro, sendo outubro e novembro os meses mais frequentes.

O sagui-da-serra é endêmico da Mata Atlântica, encontrando-se no leste de Minas Gerais, na área serrana do Espírito Santo e no extremo norte do Rio de Janeiro. Sua distribuição abrange altitudes que variam desde aproximadamente 200 metros, na região do Vale do Rio Doce, até locais acima de 1.200 metros no Espírito Santo. Além dos trigêmeos, outros quatro filhotes nasceram sob assistência humana no CCSS em outubro de 2026. Duas fêmeas do mesmo grupo ficaram prenhes do mesmo macho, que havia sido separado previamente para promover maior variabilidade genética nas futuras reproduções.

O CCSS é o único local responsável por este tipo de trabalho. Quando o plantel de saguis-da-serra for ampliado, a intenção é distribuir animais para outras instituições dedicadas à conservação do primata. Bião Melo explica que, ao aumentar o número de animais, eles serão distribuídos para outros criadouros, visando fortalecer a população de segurança sob cuidados humanos com uma genética robusta e consolidada. Isso permitirá que, em projetos futuros de reintrodução, haja uma genética protegida. A estratégia envolve cruzar pares de localidades distintas no criadouro e, simultaneamente, fornecer esses pares a outras instituições com genéticas diferentes para maximizar a variabilidade reprodutiva.

Classificado como um dos menores primatas neotropicais, o sagui-da-serra pesa cerca de 400 gramas na fase adulta e possui pelagem clara. Assim como outros membros do gênero Callithrix, ele vive em grupos familiares que podem variar entre três e vinte indivíduos.

Cuidados antes e depois do nascimento

Os trigêmeos não foram os únicos a nascer; a médica-veterinária Fabiana Voorwald, professora adjunta de cirurgia veterinária da UFV, também faz parte da equipe do CCSS. Segundo ela, o acompanhamento dos animais inicia-se antes mesmo do parto, com o monitoramento das fêmeas durante a gestação. Fabiana descreve que no CCSS são realizadas pesagens semanais para acompanhar o ganho de peso materno, além de exames ultrassonográficos e radiográficos em momentos adequados da gravidez, conforme a avaliação veterinária. Tais exames auxiliam no acompanhamento do desenvolvimento dos filhotes e na identificação de eventuais alterações, orientando os cuidados com a mãe e a preparação para o parto.

A equipe também realiza ajustes na dieta das fêmeas para suprir as necessidades nutricionais de cada estágio da gestação. As suplementações são personalizadas, buscando evitar deficiências nutricionais que possam afetar a saúde materna e o desenvolvimento dos filhotes, incluindo aquelas ligadas a malformações. Os cuidados persistem durante a lactação, garantindo a amamentação e mantendo a condição física da mãe. A veterinária complementa que essa situação oferece uma chance única de obter um conhecimento mais profundo sobre uma espécie pouco estudada, pois as pesquisas científicas e as observações diárias no CCSS fornecem dados sobre comportamento, alimentação, saúde, gestação, cuidados parentais e desenvolvimento dos filhotes.

Recuperação dos animais

Outro aspecto crucial do trabalho consiste em recuperar e aprimorar as condições de saúde dos saguis vindos da natureza que serão integrados ao plantel reprodutivo. Alguns animais chegam ao centro apresentando doenças ou endoparasitoses que podem colocar sua vida em risco, exigindo tratamentos específicos antes de serem incluídos nos grupos. Um problema significativo é uma infecção causada por um verme que afeta o trato intestinal dos saguis-da-serra.

Fabiana Voorwald relata que, no caso de indivíduos com parasitismo por Prostenorchis, a equipe desenvolveu e aplicou abordagens terapêuticas inovadoras devido às limitações dos tratamentos convencionais. O objetivo é elevar suas chances de sobrevivência, promover a recuperação e permitir que contribuam para a população de segurança. Dada a extrema ameaça da espécie, a recuperação de cada indivíduo é de grande relevância para o programa.

A equipe veterinária também participa ativamente das decisões de manejo, dialogando com profissionais e estudantes de diversas áreas da UFV, como biologia, zootecnia e engenharia florestal. Os pesquisadores debatem a composição dos grupos, as interações sociais, a nutrição, as condições dos recintos e o enriquecimento ambiental, pois a saúde e o comportamento dos animais estão intrinsecamente ligados. Estresse pode prejudicar o bem-estar, modificar o consumo de alimentos e interferir na resposta imunológica e reprodutiva.

Fabiana Voorwald conclui que esses resultados dependem do esforço contínuo de uma equipe multidisciplinar e da articulação entre as ações sob custódia humana e a proteção das populações e seus habitats na natureza. O CCSS também desempenha um papel vital na formação de centenas de estudantes anualmente, permitindo que eles compreendam na prática os desafios da conservação, a importância de cada decisão de manejo e a necessidade de integrar diferentes campos do saber.

O sagui-da-serra também é beneficiado por políticas públicas, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-Coleira e o Programa de Manejo Populacional. Ambos são coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em colaboração com instituições como a Universidade Federal de Viçosa.

Ameba de fogo sobrevive e se reproduz a 63 ºC, estabelecendo novos recordes
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Ameba de fogo sobrevive e se reproduz a 63 ºC, estabelecendo novos recordes

Pesquisadores da Universidade de Syracuse, nos EUA, descobriram uma espécie de ameba capaz de se reproduzir a uma temperatura de 63 ºC e permanecer viva e móvel até 64 ºC, superando assim todos os recordes anteriores.

Esta espécie, nomeada Incendiamoeba cascadensis e apelidada de 'ameba de fogo', foi encontrada nas águas termais do Parque Nacional Lassen Volcan, na Califórnia (EUA). Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Cell.

Anteriormente, em 1972, cientistas levantaram a hipótese de que formas de vida complexas não conseguiriam sobreviver e se reproduzir em temperaturas acima de 60 ºC, e essa regra permaneceu aceita por mais de cinco décadas.

Embora alguns organismos simples, como bactérias e arqueias, possam suportar temperaturas extremamente altas, superiores a 100 ºC (ponto de ebulição da água), eles são procariontes, ou seja, consistem em células primitivas sem um núcleo bem definido para proteger o material genético.

Ao contrário deles, os organismos eucarióticos, incluindo animais e amebas, possuem células mais complexas com núcleo. Apesar de as amebas serem unicelulares e microscópicas, elas são mais complexas do que as bactérias.

A nova ameba refutou a ideia de que nenhum eucarioto pode existir acima de 60 ºC. Além da capacidade de se reproduzir a 63 ºC e se mover até 64 ºC, ela também pode suportar brevemente temperaturas de até 70 ºC, entrando em um estado de repouso conhecido como cisto.

Os cientistas sequenciaram e estudaram o genoma desta ameba de fogo para entender o mecanismo de sua sobrevivência em condições vulcânicas. Uma das hipóteses baseadas nesta análise é que ela possui mecanismos para manter a estabilidade de proteínas e membranas, bem como ferramentas para reparar proteínas danificadas. Além disso, a ameba parece ser capaz de alterar seu comportamento e velocidade de movimento em temperaturas excessivamente altas.

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