Ciência por trás do observatório de neutrinos premiado com o Nobel de Física
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Ciência por trás do observatório de neutrinos premiado com o Nobel de Física

Francis Halzen, naturalizado estadunidense e belga, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 2026 pelo seu trabalho fundamental no desenvolvimento do IceCube. Este observatório está situado nas profundezas do gelo do Polo Sul, na Antártida, e possui a capacidade de identificar neutrinos de alta energia, fornecendo novas informações sobre os ambientes mais extremos do Universo.

O tema foi abordado no programa Olhar Espacial desta sexta-feira (30), onde o físico Alexandre Cherman participou para detalhar como o IceCube auxilia na investigação dos fenômenos cósmicos mais intensos e o que os neutrinos podem revelar sobre eles. Cherman, que é astrônomo, doutor em física teórica, cientista de dados, educador, palestrante e autor de oito livros, também é coautor do jogo educativo Banco Imobiliário Cósmico, produzido pela Estrela Cultural. Atualmente, ele lidera a área de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

A concepção de utilizar o gelo antártico como um detector de partículas remonta a 1988. Após mais de vinte anos de desenvolvimento, o IceCube começou a operar em 2010. Sua estrutura abrange cerca de um quilômetro cúbico de gelo e é composta por 5.160 sensores ópticos, distribuídos em 86 cabos verticais que se estendem entre 1,45 e 2,45 quilômetros de profundidade.

Neutrinos são partículas subatômicas que não possuem carga elétrica e apresentam massa muito reduzida. Gerados em diversos eventos naturais, eles conseguem atravessar corpos celestes, como planetas e estrelas, e até mesmo o corpo humano, interagindo minimamente com a matéria. Estima-se que aproximadamente cem trilhões desses neutrinos passam por uma pessoa a cada segundo.

A detecção desses neutrinos acontece quando eles colidem com um átomo presente no gelo, gerando partículas carregadas. Estas, por sua vez, emitem um breve brilho azulado conhecido como radiação Cherenkov. Os sensores capturam esses sinais, permitindo que os pesquisadores calculem a energia e determinem a direção de origem da partícula.

Ao contrário dos telescópios convencionais, que funcionam captando luz, o IceCube foca na observação de partículas. Devido à ausência de carga elétrica nos neutrinos, seus caminhos não são alterados por campos magnéticos. Isso possibilita que eles apontem para a localização de aceleradores cósmicos, ou seja, ambientes extremos capazes de gerar partículas com energias muito superiores às alcançadas em laboratórios terrestres.

As descobertas feitas pelo observatório impulsionaram o campo da astronomia de neutrinos, que complementa as observações realizadas com luz e ondas gravitacionais. O IceCube permanece em funcionamento e está recebendo melhorias contínuas para aumentar sua capacidade de detecção, identificar novas fontes dessas partículas e auxiliar na compreensão dos fenômenos mais extremos do Universo.

Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA, membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira, diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, apresenta o programa, que é transmitido ao vivo todas as sextas-feiras às 21h (horário de Brasília) pelos canais oficiais do veículo nas plataformas YouTube, Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), LinkedIn e TikTok. O conteúdo original foi publicado no Olhar Digital.

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Cientistas descobrem sinais de túnel subterrâneo de 50 km na Lua na região de Marius Hills
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Cientistas descobrem sinais de túnel subterrâneo de 50 km na Lua na região de Marius Hills

Cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) descobriram sinais da existência de um túnel subterrâneo com cerca de 50 quilômetros de extensão na região de Marius Hills na Lua. Esta informação foi obtida após a análise de dados de radar coletados pela sonda orbital Kaguya. Os pesquisadores acreditam que, se este túnel existir, ele poderá ser usado no futuro para habitação humana na Lua.

Na Lua, não há atmosfera nem condições climáticas semelhantes às da Terra. Existe o risco de exposição a raios nocivos do espaço, pequenos meteoritos e flutuações bruscas de temperatura. Um túnel subterrâneo poderia ajudar a proteger contra essas ameaças. No entanto, no momento, as informações completas sobre este túnel são desconhecidas, e ainda é preciso determinar quão seguro seria permanecer dentro dele.

Em 2009, a sonda orbital Kaguya tirou imagens da Lua, nas quais foi observado um grande cráter na região de Marius Hills, nomeado Marius Hills Hall. Este cráter foi estimado em aproximadamente 50 metros de largura e 50 metros de profundidade. Esta área da Lua está visível da Terra. Os cientistas suspeitavam que este cráter pudesse ser uma abertura de um grande túnel subterrâneo, por isso verificaram os dados de radar em busca de grandes vazios sob a superfície lunar.

O satélite Kaguya estava equipado com o instrumento Lunar Radar Sounder (LRS), que direcionava sinais de radar para a superfície da Lua. Esses sinais eram refletidos de volta, ajudando os cientistas a entender a estrutura abaixo da superfície. Em 2017, um artigo na revista científica Geophysical Research Letters descreveu sinais que indicavam a probabilidade de grandes cavidades subterrâneas. Com base nesses dados, foi levantada a hipótese da existência de um tubo de lava com cerca de 50 quilômetros de comprimento. No entanto, devido às limitações do radar, não foi possível inspecionar cada parte do túnel, exigindo pesquisas adicionais para confirmar seu comprimento e estrutura completos.

Segundo os cientistas, há muito tempo ocorreram erupções vulcânicas na Lua, das quais fluía lava quente. Quando a lava parava de fluir, sua camada externa esfriava e endurecia, enquanto a lava interna, mais quente, continuava a avançar, formando um longo espaço semelhante a um túnel subterrâneo. Tais estruturas são chamadas de tubos de lava. Na região de Marius Hills, existem muitas estruturas formadas por atividade vulcânica. Os cientistas sugerem que este túnel pode ter cerca de 3,5 bilhões de anos, e seu estudo ajudará a compreender melhor a história antiga da Lua.

Para a permanência humana de longo prazo na Lua, uma zona segura é fundamental. É difícil proteger-se contra raios cósmicos nocivos e pequenos meteoritos. Um túnel subterrâneo pode fornecer proteção contra esses fatores, além de reduzir o impacto de mudanças bruscas de temperatura. Os cientistas esperam que sinais de água ou gelo possam ser encontrados nesses locais, mas ainda não há confirmação da presença de água ou gelo neste túnel. Agora, os cientistas precisam determinar o tamanho do túnel e a resistência de seu teto e paredes. Somente depois disso será possível decidir se este local é adequado para a ocupação humana. Se futuras pesquisas confirmarem essas suposições, este túnel pode se tornar um refúgio para os humanos na Lua no futuro. No momento, esta descoberta representa um passo importante na compreensão dos espaços subterrâneos da Lua.

Projeto "Quebra as Paredes" leva ensino de astronomia de escolas para praças públicas
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Em celebração ao Dia dos Professores, ocorrido na quinta-feira, 15 de outubro, destacou-se a importância dos educadores em fomentar a curiosidade e o conhecimento. Foi ressaltado que a educação não se restringe aos ambientes escolares, podendo ocorrer em espaços públicos, como praças, através da observação astronômica, aproximando a ciência do público.

O programa Olhar Espacial, exibido na sexta-feira, 16, abordou o potencial da divulgação da astronomia como meio de inclusão científica e inspiração, homenageando professores que expandem o ensino para fora dos muros da escola. O convidado especial da noite foi o professor Rodrigo Fernandes.

Fernandes é o responsável pela concepção do projeto "Astronomia – Ciência na Rua", uma iniciativa que utiliza telescópios e atividades práticas tanto em escolas quanto em praças abertas ao público. Este projeto visa democratizar o acesso à observação cósmica, estimulando o pensamento crítico e despertando o interesse científico em novas gerações.

Com vasta experiência em divulgação científica, Fernandes coordena atividades em colaboração com diversas instituições de pesquisa e universidades públicas. Ele possui doutorado em medicina chinesa pela Universidade de Shanghai, na China, e estudou na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além de seu trabalho atual com "Astronomia-Ciência na Rua", que também disponibiliza cursos livres no YouTube, Fernandes foi criador e coordenador de grupos como Polaris e Tapirapé. Atualmente, ele mantém parcerias com a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Observatório Nacional (ON) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ele também é especialista na construção e restauração de telescópios refletores.

O programa, apresentado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA, e membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira, é transmitido semanalmente às 21h (horário de Brasília) pelos canais oficiais do veículo em plataformas como YouTube, Facebook, Instagram, X, LinkedIn e TikTok.

Novo estudo indica que a Lua está encolhendo devido ao resfriamento interno, gerando tremores lunares
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Pesquisadores, liderados pelo geólogo Thomas Watters, do Museu Nacional do Ar e do Espaço Smithsonian, descobriram que a Lua está passando por um processo de encolhimento, o que tem provocado um aumento nos chamados "lunamotos" ou terremotos lunares, afetando a superfície do satélite natural.

As conclusões do estudo indicam que este fenômeno ocorre de maneira gradual; estima-se que, ao longo dos últimos 400 a 800 milhões de anos, o raio lunar tenha diminuído em aproximadamente 45 metros. Este encolhimento é atribuído ao resfriamento do interior da Lua, o que faz com que sua única placa tectônica gere fissuras e tremores na superfície.

O trabalho foi divulgado na revista The Planetary Science Journal nesta quarta-feira (14). Os pesquisadores compararam este cenário com a Terra, onde terremotos e desastres naturais são associados ao movimento de aproximação ou afastamento de placas tectônicas, gerando falhas, vulcões e impactos na crosta terrestre. No caso lunar, a geologia é composta por apenas uma placa, e seu resfriamento provoca a contração, manifestando-se em falhas e tremores.

Thomas Watters declarou que, "à medida que o interior da Lua continua a esfriar e a se contrair, espera-se que o crescimento das falhas existentes e a formação de novas falhas continuem". Para chegar a esses resultados, o estudo analisou dados coletados pela Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC) da NASA, que registrou milhões de fotografias da Lua durante 17 anos.

Ao analisar essas imagens, o grupo calculou o tempo de surgimento das falhas e quantas já eram visíveis. Com a contagem de cerca de 10 mil fissuras detectadas, os achados apontam que a Lua encolhe em uma taxa de 6 a 11 centímetros por milhão de anos. Além disso, esta pesquisa é relevante para o entendimento da geologia lunar e para identificar áreas de maior estabilidade superficial, o que é crucial para futuras missões da NASA, como as missões Artemis destinadas a estabelecer uma base tripulada na Lua.

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