A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro) confirmou que concordou com um reajuste de cinco meticais (equivalente a 0,07 euros) nas tarifas dos transportes semicolectivos de passageiros na área metropolitana de Maputo. Este acordo foi alcançado mesmo após a Fematro ter apresentado uma proposta inicial quatro vezes superior, de 20 meticais (0,28 euros).
Durante uma coletiva de imprensa, Paulo Muthisse, presidente da organização, manifestou que o valor final negociado com o Governo ficou abaixo da expectativa dos transportadores. No entanto, ele ressaltou que o consenso foi fruto de diversas rodadas de negociação.
As novas tarifas estão programadas para entrar em vigor a partir de 7 de novembro. Muthisse expressou insatisfação com o resultado, afirmando que os cinco meticais não supriram totalmente a preocupação dos transportadores, visto que a proposta original era de 20 meticais.
O presidente da Fematro justificou o aceite do valor menor, explicando que o acordo levou em consideração a capacidade financeira dos passageiros, que dependem diariamente desses serviços de transporte. Ele enfatizou que a análise não se restringiu ao lucro da empresa, mas também à situação da população moçambicana.
Este entendimento foi estabelecido em negociações entre a Federação e a Agência Metropolitana de Transportes (AMT), que atuou como representante do Governo no processo. O ajuste tarifário ocorre meses após aumentos significativos nos preços dos combustíveis, o que forçou os transportadores a solicitar a revisão das tarifas para cobrir os crescentes custos operacionais.
Em maio, o preço do gasóleo subiu 45,5% e o da gasolina 12,1%. O Governo atribuiu esse aumento à dinâmica do mercado internacional e às dificuldades de fornecimento ligadas ao conflito no Médio Oriente. Inicialmente, para evitar um aumento imediato, o executivo implementou um mecanismo temporário de compensação aos transportadores, que esteve ativo entre junho e agosto, enquanto o Governo aguardava melhorias nos mercados energéticos globais.
Posteriormente, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, admitiu que o Estado não poderia sustentar os subsídios aos operadores indefinidamente. Muthisse criticou a forma como o mecanismo de compensação estava sendo aplicado, prejudicando os operadores, embora reconhecesse a importância do suporte estatal. Ele defendeu que os transportadores precisam garantir a continuidade do serviço de transporte de passageiros de maneira sustentável.
O presidente da Fematro esclareceu que o acordo se aplica exclusivamente à região metropolitana de Maputo, onde a tarifa mínima anterior era de 15 meticais (0,21 euros) por viagem. Em outras províncias, as negociações serão conduzidas pelas associações locais em coordenação com os respectivos governos provinciais. Além disso, a Federação planeja monitorar a implementação das novas tarifas nos pontos de maior circulação a partir de 7 de novembro, visando fiscalizar o serviço e coibir o encurtamento de rotas.



