Inter e AC Milan apresentarão novo estádio Generali, que substituirá San Siro em projeto de 1,2 bilhão de euros
Leia mais
IOL
iol.co.za

Inter e AC Milan apresentarão novo estádio Generali, que substituirá San Siro em projeto de 1,2 bilhão de euros

Os clubes Inter Milan e AC Milan apresentaram oficialmente o projeto do seu novo estádio, o «Generali Stadium», confirmando que um dos monumentos mais venerados do futebol mundial — o icónico San Siro — será amplamente demolido para a construção de um estádio ultramoderno no valor de 1,2 bilhão de euros.

O novo estádio terá capacidade para 71.500 espectadores e está planeado para inauguração na temporada 2031/32, substituindo o colosso de betão com capacidade para 75.000 pessoas, que definiu o futebol de Milão durante um século. Ambos os clubes investiram 197 milhões de euros (219 milhões de dólares) na aquisição do estádio atual e da área adjacente, e o início das obras está previsto para 2028.

Conceito do Novo Estádio

O projeto foi desenvolvido pelos renomados arquitetos Norman Foster e David Mancay, que anteriormente criaram o renovado estádio de Wembley em Londres. A estrutura foi concebida para que os espectadores fiquem o mais perto possível do campo. Foster informou que o estádio estará "baixo no corpo, subindo em ambas as extremidades" atrás dos balcões, onde as arquibancadas se elevarão num ângulo acentuado de 37 graus.

Mancay observou na apresentação em Milão que "o mais importante que percebemos ao desenvolver este projeto é que San Siro é um sentimento". Ele enfatizou que o estádio é mais do que apenas um edifício, e a tarefa era transferir essa sensação para uma nova estrutura. "Colocamos todos os assentos o mais perto possível do campo. Não podiam ser mais perto, então sentir-se-á como se estivesse sentado na relva".

Intensificação da Atmosfera

Mancay acrescentou que a estrutura da cobertura foi especificamente projetada para captar e amplificar o som, o que corresponde à atmosfera claustrofóbica que tornou Giuseppe Meazza lendário.

Funções Além do Futebol

O recinto, patrocinado pelo gigante italiano de seguros Generali, será utilizado não apenas para futebol, mas também para concertos, jogos de rugby e futebol americano. Mancay expressou o desejo de que os visitantes do novo estádio experimentassem o mesmo entusiasmo de antes e sentissem que o edifício "vive e respira com eles, como acontece agora".

História de Um Século

No entanto, nenhuma solução de engenharia moderna pode facilmente substituir a rica história que está prestes a ser demolida. O estádio foi inaugurado em setembro de 1926 após a vitória do Inter sobre o Milan no dérbi. Rapidamente tornou-se o principal teatro desportivo da Itália. O município adquiriu o local em 1935, e em 1947 ambos os clubes de Milão concordaram em partilhar o campo, o que gerou a rivalidade doméstica mais feroz e íntima do futebol europeu.

Em 1980, foi oficialmente nomeado Stadio Giuseppe Meazza em homenagem ao mascote que conquistou dois campeonatos mundiais com a Itália e jogou por ambos os clubes.

Eventos Mundiais e Glória Europeia

Ao longo da sua rica vida, Meazza testemunhou eventos do futebol mundial. As semifinais ocorreram durante a participação triunfal da Itália na Copa do Mundo de 1934, foram realizados jogos da Euro 1980, e o estádio serviu como centro do torneio Itália '90, que foi marcado pela aparição das suas icónicas torres de betão cilíndricas e do telhado com vigas vermelhas. O torneio começou com o choque inesquecível da seleção de Camarões contra Diego Maradona do Argentina.

A arena foi palco quatro vezes da coroação dos campeões europeus: desde o lendário «Grande Inter» sob o comando de Helenio Herrera, que venceu a Taça da Europa em casa contra o Benfica em 1965, passando pelo triunfo do Feyenoord em 1970, a vitória do Bayern em série de penáltis em 2001 e a derrota do Real contra o Atlético no dérbi de Madrid em 2016.

Eventos Fora do Futebol

Além do futebol, San Siro acolheu um combate de boxe pelo título mundial de Duilio Loi em 1960, e também recebeu 100.000 pessoas num concerto histórico de Bob Marley em 1980 — o que representou a maior audiência ao vivo para este ícone do reggae. Embora os requisitos comerciais modernos e a infraestrutura obsoleta tenham tornado a mudança inevitável, a iminente demolição de San Siro marcará o fim de uma era para o desporto mundial, fechando um capítulo sobre o maior colosso de betão do futebol europeu.

Histórias semelhantes

Como o Brasil consolidou os shows em estádios como evento comum a partir de 2026
Leia mais
g1.globo.com

Como o Brasil consolidou os shows em estádios como evento comum a partir de 2026

A partir de 2023, impulsionado pelo período pós-pandemia, o Brasil testemunhou uma expansão acelerada de um mercado de shows em estádios que anteriormente progrediava lentamente. Este cenário se estabilizou em 2026, transformando o show em estádio de um evento especial em algo rotineiro.

São Paulo emergiu como o centro deste fenômeno, e o Nubank Parque, estádio do Palmeiras, destacou-se como a principal atração nacional, figurando atualmente entre os dez estádios que mais vendem ingressos de shows globalmente.

A WTorre, responsável pelo estádio, projeta que o local sediará aproximadamente cinquenta shows até o final de 2026. Contudo, este crescimento é atribuído a fatores sociais e financeiros, gerando, ao mesmo tempo, uma percepção equivocada de demanda universal, visto que nem todos os públicos estão preparados para lotar um estádio.

O crescimento do mercado após a pandemia

Em novembro de 2023, a cantora Taylor Swift realizou seis apresentações no Brasil: três no Engenhão, localizado no Rio de Janeiro, e três no Nubank Parque. Essa sequência de shows ajudou a firmar o Brasil no mapa das grandes turnês internacionais.

Neste mesmo ano, a T4F, produtora responsável pela vinda da artista, obteve uma receita líquida de R$ 700,8 milhões, com a venda de 1,09 milhão de ingressos. O MorumBIS, que dominava o cenário de megashows na capital paulista no início da década passada, experimentou um aumento significativo após a pandemia. Enquanto antes realizava em média três shows anuais, entre 2023 e 2025 foram realizados nove eventos.

Aproveitando a alta procura, o estádio do São Paulo firmou um contrato de exclusividade com a produtora Live Nation, tornando-se sede dos maiores espetáculos internacionais do país. Quanto à capacidade, o Nubank Parque comporta 55 mil pessoas, enquanto o MorumBIS pode receber até 80 mil espectadores.

O jornal g1 solicitou entrevistas com representantes da WTorre e das produtoras 30e e LiveNation, mas estas optaram por não comentar detalhes sobre a logística dos shows.

A operação do Nubank Parque

Embora o mercado tenha crescido amplamente, o que justifica o Nubank Parque sediar um volume superior a trinta grandes apresentações anuais? A arena do Palmeiras difere dos estádios tradicionais por ter sido planejada para um uso múltiplo. Sua logística de montagem e desmontagem é facilitada por acessos específicos para tal finalidade.

No entanto, o fator decisivo para o destaque do estádio palmeirense foi a implementação do gramado sintético. Com grama natural, a recuperação do campo após o pisoteio de milhares de fãs demandaria semanas de descanso, criando um conflito de agenda entre futebol e entretenimento. O piso artificial eliminou esse obstáculo, possibilitando uma transição de montagem em um tempo consideravelmente menor.

Pouca audiência, grande lucro

Apesar dos números expressivos, a corrida por shows em estádios gerou uma consequência indesejada: a crença de que todo artista possui público suficiente para lotar um estádio. Um exemplo recente dessa discrepância foi o show do Jamiroquai no estádio do Palmeiras, em setembro, onde o grupo britânico não conseguiu lotar o local.

Questiona-se por que as produtoras continuam a alocar artistas com menor apelo de massa em arenas para 50 mil pessoas, quando seria mais vantajoso realizar mais datas em um espaço menor? A explicação reside em cálculos que envolvem custos operacionais, logística internacional e a carência de locais de porte médio.

Primeiramente, a experiência acumulada pelas grandes produtoras brasileiras na montagem de megaestruturas reduziu drasticamente o custo de uma produção isolada. Financeiramente, realizar um único show em um estádio parcialmente ocupado, com 20 ou 30 mil pagantes em uma arena de 50 mil, frequentemente gera uma margem de lucro superior àquela obtida ao dividir esse mesmo público em três datas esgotadas em um local menor, pois a produtora arca com os custos logísticos apenas uma vez.

Adicionalmente à economia de escala, entram em jogo o cronograma dos estádios e os compromissos contratuais das turnês. As agendas de artistas internacionais, por exemplo, estão ligadas a roteiros continentais com períodos muito apertados. Por fim, essa prática evidencia a maior falha estrutural do mercado de entretenimento brasileiro atual: a ausência de locais de porte intermediário.

As produtoras são compelidas a levar artistas com alcance para 15 ou 20 mil ingressos para estádios de futebol porque não existem espaços adequados para esse segmento intermediário. Quando um artista atinge o limite de lotação dos locais tradicionais internos, que geralmente acomodam no máximo cerca de 10 mil pessoas, o próximo nível disponível é uma arena gigantesca.

A aposta no porte intermediário

Para suprir essa lacuna entre os locais de shows convencionais e os grandes estádios, os grandes players do setor já iniciaram movimentos. O mercado reconheceu a necessidade de infraestrutura dedicada e de tamanhos intermediários.

O caso mais notável dessa movimentação é a colaboração entre a produtora Live Nation e a Cidade Center Norte, que planeja um investimento de R$ 1,5 bilhão para construir uma arena fechada em São Paulo, prevista para ser concluída em 2028 e com capacidade para 21 mil pessoas. A Opus Entretenimento, que gerencia locais menores como a Vibra São Paulo, acompanha de perto essa dinâmica de mercado e sustenta a ideia de que o setor necessita de palcos que não forcem o artista a um salto incerto.

A companhia informou ao g1 que está em negociações para construir ou administrar novas casas em todo o país. Lucas Zaffari, CEO da Opus, esclarece que «os espaços pequenos ou médios não competem com as grandes arenas e estádios, mas atuam de forma complementar. Nem todo artista busca a exposição financeira ou o formato massivo».

As arenas de porte médio desempenham um papel estratégico e financeiro crucial no sistema de shows. O modelo interno já incorpora infraestrutura de apoio, estacionamento interno e logística totalmente voltada para espetáculos, permitindo até residências de várias semanas sem competir por datas com o calendário do futebol. Zaffari complementa: «Muitos artistas preferem formatos mais flexíveis, para quatro mil pessoas, por exemplo, para que o espaço não pareça vazio. Os estádios foram criados originalmente para o futebol, enquanto as casas dedicadas oferecem uma conexão muito mais próxima entre o artista e o público».

Com a introdução de novos locais e a valorização dos espaços já existentes, o setor de entretenimento brasileiro passa a oferecer um caminho realista e economicamente viável para as produtoras, ajustando a trajetória de um mercado que foi obrigado a focar exclusivamente em megashows.

Popular