BYD avança na Bahia e manifesta interesse na aquisição de porto desativado da Ford
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BYD avança na Bahia e manifesta interesse na aquisição de porto desativado da Ford

Um ano após estabelecer sua fábrica em Camaçari, na Bahia, a BYD planeja iniciar a produção de automóveis totalmente industrializados no Brasil até dezembro. Além disso, a montadora chinesa demonstrou interesse em adquirir o antigo porto da Ford, localizado em Candeias, na Bahia, visando expandir sua capacidade de exportação.

Esses planos foram divulgados na quinta-feira, dia 29, durante uma coletiva realizada na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador, na Bahia. Alexandre Baldy, vice-presidente da fábrica, informou que os setores de estamparia, soldagem e pintura já estão passando por testes.

A previsão é que os testes sejam finalizados em novembro, permitindo o começo da produção nacional entre novembro e dezembro. O primeiro veículo a ser produzido sob este novo processo será o Atto 2, um modelo híbrido plug-in que utiliza motor elétrico e motor a combustão, sendo compatível tanto com gasolina quanto com etanol. Este veículo possui um preço que varia entre R$ 149.990 e R$ 166.660.

A intensificação das fases de fabricação dentro do território brasileiro também auxilia a BYD a atender aos requisitos de conteúdo local estabelecidos em acordos comerciais, como as normas do Mercosul, que demandam que, no mínimo, 35% do produto seja composto por itens nacionais.

Anteriormente à ativação dos novos complexos, os carros chegavam da China já montados, sendo apenas componentes vitais, como pneus e motores, instalados na unidade baiana. Com as novas instalações, a maior parte do ciclo industrial poderá ocorrer no Brasil. A estamparia é responsável por moldar as chapas de aço da carroceria; a soldagem une essas peças, e a pintura oferece proteção contra corrosão e finalização estética do veículo. Posteriormente, os carros seguem para a montagem final, onde passam por inspeções e testes rigorosos.

Atualmente, a fábrica opera com uma produção diária de aproximadamente 700 veículos, incluindo modelos como Dolphin Mini, Song Pro, Atto 2 e King. Esta unidade representa o maior polo da BYD fora da China, e a empresa revelou ter investido R$ 11 bilhões no complexo, que abrange cerca de um milhão de metros quadrados de área construída, com planos de dobrar esse tamanho nos próximos anos.

De acordo com os dados apresentados na coletiva, a fábrica gera nove mil empregos diretos, com a meta de atingir dez mil postos de trabalho até 2026. Quando todos os investimentos planejados forem concluídos, a projeção é elevar o quadro de funcionários para 20 mil. Um levantamento conduzido pelo Observatório da Indústria da Fieb indica que o salário médio dos trabalhadores da fábrica é de R$ 3,9 mil, um valor 24% superior à média da indústria baiana.

A colaboração entre a Fieb e a BYD visa quantificar os impactos econômicos da instalação na cidade de Camaçari. Para isso, são analisados registros oficiais de emprego, dados de movimentação do mercado de trabalho formal e informações empresariais, juntamente com dados históricos do município, a fim de comparar a situação econômica antes e depois da chegada da montadora e projetar seus efeitos.

A expansão da BYD ocorre em um contexto de aumento nas importações de veículos para o Brasil. Dados da Anfavea mostram que o país importou 406,7 mil veículos nos primeiros oito meses de 2026, representando um crescimento de 29,8% comparado ao mesmo período de 2025. Mais da metade dessas unidades provinha da China, totalizando 221 mil veículos, um salto de 109,9% anualmente.

O crescimento das marcas chinesas também foi abordado por Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul. Em início de outubro, o executivo comentou que a indústria automobilística ocidental falhou ao prever a rapidez com que a eletrificação conquistaria espaço no mercado. Zola também criticou as condições de competitividade no Brasil, alegando que a ausência de incentivos e previsibilidade dificulta o desenvolvimento da cadeia de fornecedores locais, visto que componentes e matérias-primas nacionais, como aço, plásticos e pneus, podem ter custos superiores aos equivalentes chineses.

A ampliação da produção da BYD na Bahia tem potencial para incrementar a utilização de componentes fabricados internamente e fomentar as exportações, dependendo da plena operação dos novos complexos industriais e do avanço da empresa na questão do antigo porto da Ford.

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