Paleontólogos encontram o primeiro anfíbio que viveu exclusivamente em ambiente marinho na China
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Paleontólogos encontram o primeiro anfíbio que viveu exclusivamente em ambiente marinho na China

Cientistas fizeram uma descoberta significativa ao encontrar esqueletos fossilizados na província de Guizhou, na China. Esses fósseis indicam a existência de um anfíbio que habitava as águas salgadas daquela região há aproximadamente 237 milhões de anos.

Esta nova espécie, denominada Gerrothorax maritimus, possuía cerca de 74 centímetros de comprimento e um corpo achatado, protegido por escamas duras, assemelhando-se a uma armadura. Para os especialistas, este achado tem potencial revolucionário, pois, se confirmado que este anfíbio do período Triássico era totalmente marinho, isso alteraria significativamente o entendimento atual sobre a adaptação dos anfíbios modernos à vida terrestre e em água doce.

Atualmente, apenas 2% dos anfíbios demonstram tolerância ao sal marinho. Diferentemente dos peixes oceânicos, que possuem glândulas específicas para expelir o excesso de sal, a maioria dos anfíbios possui pele fina e permeável, essencial para a respiração e absorção de água doce. Contudo, essa mesma característica os torna vulneráveis à desidratação rápida quando expostos à água salgada.

Ryosuke Motani, autor do estudo, explicou à Reuters que, ao nadar em água salgada, um sapo perde água através de sua pele permeável devido à pressão osmótica, e também não consegue beber água pelo mesmo motivo, resultando em perda de peso e necessidade de recuperação em água doce. Essa limitação impede que os anfíbios se tornem completamente marinhos.

O Gerrothorax maritimus conseguiu sobreviver em águas salgadas graças a um traço único: suas couraças ósseas. Essas estruturas protetoras, compostas por placas de osso, serviam para defesa contra predadores em ambientes de água doce, mas passaram a ter uma função distinta no mar. A couraça teria evitado a absorção de sal pela pele, forçando o animal a ingerir a água do mar pela boca e, subsequentemente, filtrar o sal através das brânquias. Motani descreveu esse processo como exaptação, quando uma característica biológica adquire uma função diferente da original.

A análise anatômica comparativa aponta que o parente mais próximo do Gerrothorax maritimus é o Gerrothorax pulcherrimus, outro anfíbio extinto do período Triássico. Este parente também tinha armadura e corpo achatado, mas vivia exclusivamente em água doce. Os pesquisadores concluíram que o modo de vida marinho do Gerrothorax maritimus foi um evento evolutivo acidental.

Embora tenha surgido a hipótese de que o esqueleto possa ter sido transportado para o mar após a morte, os pesquisadores mantiveram a crença de que se tratava de uma criatura marinha. Isso se deve ao fato de seus ossos terem sido encontrados muito distantes de qualquer massa terrestre da época, o que sugere que não foram levados por correntes marítimas.

Adicionalmente, a equipe analisou os isótopos do animal para determinar sua dieta e habitat. Essa análise auxiliou na datação de minerais e água em amostras marinhas. Os níveis encontrados nos ossos coincidiram com os da água do mar do Triássico, indicando que essas criaturas provavelmente «cresceram bebendo água do mar», conforme relatado no estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution.

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