Origem do Halloween: A festa celta de Samhain, com raízes antigas na Irlanda e Escócia
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Origem do Halloween: A festa celta de Samhain, com raízes antigas na Irlanda e Escócia

Embora fantasias, doces e abóboras esculpidas façam parte da imagem moderna do Halloween, a celebração popularizada nos Estados Unidos possui origens muito mais remotas e distintas. A ligação mais conhecida aponta para o Samhain, um antigo festival celta realizado há pelo menos 2.500 anos, nas regiões que hoje correspondem à Irlanda, Escócia e País de Gales.

Para os povos celtas, o Samhain era um evento crucial no calendário, ocorrendo entre o final de outubro e o começo de novembro. Este período simbolizava a passagem da fase mais clara do ano (primavera e verão) para a chegada do inverno, estação ligada à escuridão e à morte. Segundo a tradição, na noite de 31 de outubro, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos enfraquecia, permitindo que os espíritos circulassem livremente.

Registros antigos sugerem que os celtas acreditavam que indivíduos falecidos durante o ano migravam para outro plano, enquanto seus espíritos poderiam retornar para visitar os vivos. Havia também o risco de alguém entrar acidentalmente nesse domínio espiritual. Ademais, as crenças da época mencionavam a aparição de fadas emergindo de montes de terra, que gostavam de pregar peças nos habitantes.

Para se protegerem dessas entidades sobrenaturais, como fadas, bruxas e duendes, as comunidades acendiam grandes fogueiras. Alguns relatos indicam que também utilizavam disfarces para afastar esses seres indesejados. É possível que banquetes, jogos, contação de histórias e consumo de álcool fossem parte das festividades de Samhain, servindo para acolher os falecidos que retornavam.

Contudo, a veracidade dessas informações permanece incerta, pois os antigos celtas deixaram poucas anotações sobre o Samhain. Grande parte do conhecimento atual provém de escritores cristãos, de um período posterior à predominância do cristianismo, ou de observações de costumes locais realizados em séculos mais recentes.

Observa-se que a Igreja Católica pode ter influenciado a celebração. Por volta do século VIII, o papa Gregório III alterou a data do Dia de Todos os Santos, movendo-o de 13 de maio para 1º de novembro, coincidindo com o Samhain. Alguns especialistas especulam que essa mudança teria sido deliberada, numa tentativa de «cristianizar» o Samhain, dado que os celtas eram um povo pagão, que cultuava diversas divindades.

Um marco histórico ocorreu entre 1845 e 1852, quando a Europa enfrentou uma grave crise humanitária. Na Irlanda, um fungo denominado Phytophthora infestans devastou as colheitas de batata, que sustentavam um terço da população. Com a perda de aproximadamente um milhão de vidas e a ruína econômica, muitos irlandeses foram obrigados a emigrar para os Estados Unidos.

Ao fazerem isso, trouxeram consigo suas tradições, incluindo o Samhain. Consequentemente, as primeiras menções ao Halloween surgiram na América do Norte logo após esse período. Em 1870, por exemplo, uma revista americana publicou uma matéria descrevendo-o como um feriado «inglês», conforme noticiado pela BBC.

O nome moderno, «Halloween», é uma junção de dois termos: «Hallow», uma palavra antiga para «santo», e «eve», em inglês, que significa «véspera». Até o século XVI, este termo designava a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Com o passar do tempo, as pessoas passaram a chamar a noite de Todos os Santos (All Hallows’ Even) de «Hallowe’en», que posteriormente simplificou para «Halloween».

A celebração sofreu adaptações significativas; muitas práticas atuais do Halloween nasceram na cultura americana. Exemplos incluem o costume de «doces ou travessuras», a escultura de abóboras, o uso de fantasias e a tradição de assustar. Atualmente, o Halloween é o maior feriado não cristão dos Estados Unidos.

Para os adeptos de religiões pagãs, a celebração do Samhain permanece ativa. Ela foi incorporada e adaptada em crenças como a Wicca e o Druidismo, tornando-se uma festividade relevante. Além de homenagear os antepassados, o Samhain é visto como um momento de «morte simbólica», onde as pessoas escrevem em papéis o que desejam deixar para trás e os queimam em fogueiras para dar lugar a um novo ciclo.

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