A Volkswagen Tukan, a aguardada picape monobloco da montadora, finalmente obteve uma data de lançamento. Ricardo Ploguer, vice-presidente de Desenvolvimento de Produto da Volkswagen América do Sul, informou em um evento realizado na Alemanha que o veículo será introduzido no começo de 2027.
No Brasil, a Tukan será oferecida em quatro configurações: duas de cabine dupla e duas de cabine simples. Quando foi exposta em Barretos (SP), a picape foi vista nas variantes Extreme, com cabine dupla e acabamento superior, e Robust, focada em trabalho, caracterizada por para-choques sem pintura e rodas de aço estampadas sem calotas.
Durante o mesmo evento na Alemanha, a Volks também apresentou a Tukan Magnet, sua opção de cabine dupla mais econômica. Comparada à Extreme, esta versão Magnet elimina a pintura preta brilhante na grade e substitui as rodas de 17 polegadas por um conjunto de 16 polegadas. O modelo exibido possuía retrovisores na cor da carroceria, estribos laterais e iluminação LED frontal, embora não tenha sido confirmado se esses itens serão de série ou opcionais.
A nomenclatura da versão intermediária de cabine simples, que fica acima da Robust, ainda não foi oficializada pela Volkswagen, apesar de exemplares vistos em testes ostentarem o emblema “Iron”. Até o momento, a imprensa só teve acesso ao exterior da Tukan, deixando o design do painel como um mistério. Contudo, dado que a picape utiliza a plataforma MQB-A0, compartilhada com o Tera, T-Cross e Nivus, espera-se uma arquitetura interna similar.
Em relação à mecânica, não há detalhes completos, mas sabe-se que a VW Tukan debutará com um sistema híbrido-leve de 12V, destinado às versões mais caras, enquanto a Tukan Robust deve manter o motor 1.6 MSI da Saveiro.
Possibilidade de elétrico chinês no Brasil
Continuando o tema do evento da Volkswagen na Alemanha, a fabricante mencionou a possibilidade de firmar uma parceria com empresas chinesas para introduzir um modelo elétrico mais acessível no mercado brasileiro. O objetivo seria competir diretamente com o BYD Dolphin Mini, um dos principais impulsionadores dos veículos elétricos de entrada no país.
Outras marcas já estão se movimentando nesse setor: especula-se que a Chevrolet trará o Wuling Bingo Pro sob o nome Joy EV, e a Stellantis avalia entre os modelos A05 e B03X da Leapmotor para criar seu próprio elétrico de entrada no Brasil.
Para a Volkswagen, as chances de colaboração residem em suas atuais parcerias na China, como Saic, FAW e JAC. Duas dessas empresas possuem laços com o Brasil: a Saic auxiliou no desenvolvimento do VW Taos (derivado do VW Tharu chinês) e forneceu a plataforma usada na futura Amarok; e a FAW está envolvida no projeto do futuro VW Taos híbrido, previsto para 2028 no Brasil. A conexão com a JAC, por enquanto, é limitada à China, mas é relevante, pois eles são responsáveis por toda a linha de elétricos construídos sobre a plataforma MEB vendida pela Volks na China.
Embora o projeto ainda esteja em fases iniciais de desenvolvimento e a solução final não esteja definida, o plano é que ele esteja pronto e disponível para venda nos próximos dois anos.
Nissan adapta motor V6 biturbo do Z ao Datsun 240Z clássico
A Nissan apresentará no SEMA, em Las Vegas, uma releitura do primeiro Z, o Datsun 240Z, lançado originalmente em 1969. Este projeto, denominado Datsun S30 Concept, foi desenvolvido em colaboração com Chris Forsberg, tricampeão da Formula Drift, unindo a carroceria clássica do esportivo ao conjunto mecânico do Nissan Z contemporâneo.
O motor de seis cilindros em linha original foi substituído pelo V6 VR30DDTT de três litros e duplo turbo do Z moderno. Este motor foi equipado com turbos Garrett PMAX, admissão e intercooler Nismo, e foi acoplado ao câmbio manual de seis velocidades do novo Z, que inclui embreagem de disco duplo e diferencial autoblocante Nismo R200. A potência exata do conjunto não foi divulgada, mas o motor original do Z atinge 400 cv (405 cv) na versão padrão.
Além do motor, o S30 recebeu melhorias na suspensão, incluindo ajustes, novas barras estabilizadoras e geometria revisada, além de direção modificada e freios Wilwood com pinças de seis pistões na frente e quatro na traseira. A carroceria manteve as proporções originais, mas recebeu capô, para-lamas, para-choques e tampa traseira em fibra de carbono, juntamente com rodas forjadas Nismo de 17 polegadas. O interior conta com bancos de competição OMP, instrumentos analógicos e volante esportivo.
O Datsun S30 Concept será exibido junto a outros dois projetos da Nissan para o SEMA: um Z preparado para a categoria SCCA Touring 2 e um Sentra Spec-V de 300 cv com câmbio manual e componentes de competição.
BAIC confirma B30 híbrido para o Brasil em 2027
A BAIC, fabricante chinesa que iniciou suas operações no Brasil em agosto com os elétricos Arcfox T1 e T5, confirmou o lançamento de seu primeiro modelo híbrido no país, o B30. Este SUV, inspirado em designs robustos como Defender/Wrangler e com foco off-road, está programado para chegar entre março e abril de 2027.
Conhecido como BJ30 em outros mercados, o veículo possui 4,73 metros de comprimento, 2,82 metros de distância entre eixos e 220 mm de altura livre do solo. Seu sistema de propulsão combina um motor 1.5 turbo a gasolina com dois motores elétricos, um em cada eixo, utilizando uma transmissão DHT de duas marchas. A fabricante anuncia uma potência total de 409 cv somando os três motores, mas ainda não especificou a potência combinada efetiva do conjunto. De acordo com os dados da fábrica, ele consegue acelerar de zero a 100 km/h em 6,9 segundos.
A BAIC também está trabalhando com a Bosch no desenvolvimento de uma versão híbrida flex para o mercado brasileiro, mas esta só deve ser lançada em 2028. Futuramente, a marca planeja introduzir o B60, um SUV maior que utilizará propulsão elétrica complementada por um motor a combustão atuando como extensor de autonomia. Os valores de venda ainda não foram divulgados.
Alpine não descarta motor a combustão para o novo A110
É comum que fabricantes anunciem novos esportivos como totalmente elétricos, prometendo replicar a experiência de um carro a combustão. Após a reação do público, algumas empresas reconsideram, optando por manter o motor tradicional. A Alpine é o foco dessa discussão.
A empresa francesa havia sinalizado anteriormente que a próxima geração do A110 seria exclusivamente elétrica. No entanto, parece que a companhia levou em conta o feedback dos entusiastas, que consideraram um desperdício transformar um carro tão bem desenhado, como o visto no Salão de Paris, em um veículo movido apenas a bateria.
Philippe Krief, chefe global da Alpine, e Nicola Burnside, diretora da marca no Reino Unido, afirmaram que a fabricante não descartou a possibilidade de incluir um motor a combustão na estrutura do novo carro, visando facilitar sua comercialização em diversos mercados globais. Em entrevista ao TopGear.com, Burnside esclareceu que a nova arquitetura da marca, chamada APP (Alpine Performance Platform), foi concebida para oferecer flexibilidade. Embora a marca esteja totalmente comprometida com o lançamento inicial elétrico, acreditando que isso pode elevar o patamar do esportivo, ela enfatizou que não está fechando nenhuma porta.
Caso o caminho 100% elétrico seja seguido, a engenharia garante a manutenção da leveza e agilidade que definiram o cupê. Burnside confirmou que o novo A110 elétrico terá peso máximo de 1.500 kg e manterá a baixa posição de condução do modelo atual, graças a um arranjo que distribui as baterias entre a frente e a traseira ao redor do motorista, prevenindo a sensação de estar sobre um bloco pesado. Adicionalmente, a plataforma APP foi projetada para suportar vários tipos de carroceria (como conversíveis e versões 2+2) e configurações de motor únicas na traseira ou duplas.
A executiva convidou os críticos mais rigorosos a testarem o modelo a bateria antes de emitirem juízos, resumindo a meta da fabricante francesa para o futuro: “Minha visão é que sejamos a marca elétrica de escolha para os petrolheads”.


