Macacos japoneses desenvolvem fobia a germes após sobreviverem a surto de doença
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Macacos japoneses desenvolvem fobia a germes após sobreviverem a surto de doença

Alguns macacos-japoneses no Texas começaram a apresentar uma aversão patológica a germes depois de sobreviverem a um surto epidêmico de doença, semelhante ao que ocorreu no início de 2020, quando grande parte do mundo focava na prevenção da Covid-19.

Após testemunharem a devastação de seu santuário por um patógeno contagioso e mortal, esses primatas passaram a adotar precauções mais rigorosas em relação a alimentos que pareciam estar contaminados. Os pesquisadores sugerem que, devido à capacidade de aprendizado social dos primatas, essa aversão a parasitas e germes pode ser transmitida entre os membros do grupo e persistir ao longo do tempo.

Federico Rossano, autor do estudo, declarou em um comunicado que este achado permite demonstrar que a germofobia ocorre também em primatas não humanos. Ele explicou que, mesmo sem compreender o mecanismo de transmissão de uma doença, a exposição a indivíduos que adoecem e morrem altera a probabilidade de os animais desenvolverem comportamentos que possam levar a enfermidades.

Este comportamento foi detalhado em um artigo publicado na revista Royal Society Open Science e pode ser crucial para que cientistas investiguem as origens evolutivas do nojo, uma emoção fundamental no sistema imunológico comportamental utilizado pelos animais para evitar agentes biológicos nocivos.

Os estudos foram conduzidos no Santuário de Primatas Born Free USA, localizado no sul do Texas, uma organização que acabara de sofrer uma tragédia recente. O retrovírus símio (SRV) afetou os macacos-japoneses, resultando em dezenas de óbitos causados por imunodeficiência (similar à AIDS) e síndrome de emagrecimento crônico.

Dado que o SRV é altamente transmissível — sendo propagado pela saliva, urina, sangue, mordidas, arranhões e contato direto —, a infecção por fluidos contaminados pode evoluir rapidamente, levando à morte em cerca de três a quatro semanas após o início da contaminação.

Para lidar com o surto, o santuário implementou um protocolo de separação, testes e quarentena dos grupos de macacos. Isso gerou quatro categorias de grupos: três que tiveram contato com o surto (seja por adoecerem ou por presenciarem outros adoecerem) e um grupo controle que não teve nenhuma interação com o SRV.

Essa situação estabeleceu um experimento natural singular. Dentro dos grupos expostos, alguns indivíduos foram infectados, enquanto outros conviviam com macacos doentes sem contrair a infecção. Isso possibilitou aos pesquisadores analisar se a mera vivência de um surto, mesmo sem adoecer, alteraria o comportamento animal.

Cinquenta e cinco macacos foram submetidos a um teste de escolha. Em um recipiente, uvas foram dispostas sobre uma superfície de madeira limpa; em outro, as mesmas uvas estavam sobre uma superfície coberta com fezes de macaco e revestida com resina epóxi, o que garantia a proteção contra riscos de infecção. Teoricamente, as uvas atraem os macacos-japoneses por serem um agrado raro no santuário.

Pesquisas anteriores já indicaram que as fezes nem sempre são um fator de repulsão quando há uma recompensa atrativa, visto que, diante de um petisco preferido, como amendoim, os macacos consumiam o alimento mesmo sobre superfícies contaminadas. Contudo, com refeições menos apetitosas, eles evitavam a área suja.

No entanto, neste experimento específico, os macacos que haviam vivenciado o surto de SRV mostraram menor inclinação a ingerir alimentos sobre a superfície contaminada. Eles consumiram da área contaminada em apenas 47% das tentativas, comparado aos 79% observados nos macacos do grupo que jamais passou pelo surto.

Um aspecto notável foi que até mesmo os macacos que não contraíram o SRV, mas apenas presenciaram outros adoecerem, exibiram padrões comportamentais similares aos dos infectados. Isso aponta que a modificação comportamental está ligada à experiência do surto, e não exclusivamente ao fato de terem ficado doentes.

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Assim como muitas pessoas higienizavam alimentos com desinfetante no início da pandemia de COVID-19, quando o modo de propagação do vírus ainda era desconhecido, os macacos também demonstram maior desconfiança em relação à comida após serem expostos a um vírus.

Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos, cujos resultados foram publicados na revista da Royal Society de Londres, originou-se a partir de um surto de retrovírus símio do tipo II ocorrido em um santuário de primatas localizado no sul do Texas.

Este santuário abriga diversos grupos de macacos-japoneses, descendentes de animais introduzidos no país asiático em 1972. Em 2020, a equipe do santuário confirmou a presença desse vírus em alguns dos grupos de macacos, resultando em doenças graves e, em certas ocasiões, mortes dos animais.

A transmissão do vírus ocorria predominantemente por meio de mordidas e arranhões. Diante disso, o santuário implementou diversas medidas, tais como isolamento dos animais, colocação em quarentena quando necessário e realização de exames.

Para a experiência científica, os animais foram divididos em quatro grupos: três foram afetados pelo surto e um serviu como controle. Os pesquisadores então testaram 55 macacos para observar como eles reagiam ao escolher entre um alimento de sua preferência, disposto sobre uma superfície de madeira limpa, e o mesmo alimento colocado sobre uma superfície coberta com fezes reais de outros macacos, vedada sob uma camada de plástico transparente.

Nos grupos que tiveram contato com o surto, alguns indivíduos foram infectados, enquanto outros conviveram com macacos doentes sem contrair a enfermidade. Isso possibilitou aos investigadores analisar se a vivência de um surto, mesmo sem adoecer, poderia modificar o comportamento animal.

Em alguns testes, a superfície limpa foi trocada por uma esponja de cores vibrantes, visando determinar se os animais simplesmente evitavam objetos desconhecidos ou se, de fato, demonstravam aversão ao contato com fezes de outros animais, mesmo estando cobertas, o que impedia o cheiro ou a infecção.

Pesquisas anteriores indicaram que os macacos não são necessariamente dissuadidos pela contaminação quando a recompensa é atrativa; macacos-japoneses selvagens continuavam consumindo amendoins sobre superfícies com fezes, mas evitavam locais com alimentos de menor valor, como grãos de trigo.

Neste experimento específico, não havia nenhuma recompensa tentadora que os levasse a assumir riscos, e os macacos dos três grupos que vivenciaram o surto viral, independentemente de terem sido infectados ou não, recusaram-se a comer na superfície onde as fezes estavam cobertas. Por outro lado, os macacos do grupo sem contato com o vírus consumiram o alimento na superfície com fezes em 79% das situações.

Stephan Kaufhold, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, comentou em um comunicado da instituição que isso sugere que a alteração comportamental está ligada ao fato de terem experimentado o surto, e não necessariamente ao fato de terem contraído a doença.

Um aspecto notável dessa descoberta é que o vírus não se disseminou através de alimentos contaminados, mas sim por meio de sangue e saliva, transmitido por mordidas e arranhões. Foi constatado que os macacos que ficaram doentes, assim como aqueles que testemunharam a doença de seus pares, demonstraram maior hesitação em ingerir alimentos dispostos sobre uma superfície que aparentava estar contaminada à primeira vista.

Kaufhold acrescentou que «isso demonstra que as mudanças no comportamento de evitar agentes patogênicos, que dependem da experiência, não são exclusivas dos seres humanos». Segundo os cientistas, os macacos podem compartilhar com os humanos o que denominam «sistema imunitário comportamental», um conjunto de ações que auxilia na prevenção de infecções antes que o sistema imunológico do organismo precise agir. Este sistema é acionado diante de uma suspeita, mesmo que não haja, de fato, uma fonte de contágio.

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