A Samsung reportou um lucro operacional recorde no terceiro trimestre de 2026, um resultado diretamente ligado à elevada procura por semicondutores utilizados em sistemas de inteligência artificial (IA). No período compreendido entre julho e setembro, o resultado operacional da corporação sul-coreana atingiu 107,4 trilhões de won, o que equivale a cerca de US$ 80 bilhões ou R$ 432 bilhões, representando um aumento expressivo de 783,1% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
Adicionalmente, a empresa alcançou uma receita histórica de 195,25 trilhões de won, correspondente a aproximadamente US$ 145,5 bilhões ou R$ 786 bilhões, marcando um crescimento anual de 126,9%. O lucro líquido também cresceu significativamente, avançando 514,6% para 75,13 trilhões de won, ou cerca de US$ 56,2 bilhões (R$ 303 bilhões).
Estes resultados foram divulgados na quinta-feira (29) e são reflexo do progresso nos investimentos em infraestrutura de IA, o que tem expandido a necessidade de componentes aptos a processar e armazenar grandes volumes de dados. Com este desempenho, a Samsung consolidou-se como a primeira empresa de tecnologia a ultrapassar a marca de 100 trilhões de won em lucro operacional em um único trimestre.
Apesar desses números notáveis, o lucro líquido ficou aquém das projeções feitas por analistas consultados pela Yonhap Infomax, que previam uma média de 87,01 trilhões de won (aproximadamente US$ 64,9 bilhões ou R$ 350 bilhões).
O desempenho do setor de semicondutores contrastou com os resultados apresentados por outras áreas da Samsung. A divisão Device eXperience (DX), que engloba diversos negócios de dispositivos, registrou um prejuízo operacional de 800 bilhões de won, o que corresponde a aproximadamente US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões).
No que tange aos segmentos de celulares e redes, a receita combinada foi de 37,7 trilhões de won (cerca de US$ 28,3 bilhões ou R$ 153 bilhões), contudo, houve um prejuízo operacional de 600 bilhões de won (US$ 450 milhões ou R$ 2,4 bilhões). Embora as vendas tenham sido estimuladas pelos lançamentos de aparelhos dobráveis e outros modelos de ponta, os custos acabaram por impactar negativamente a rentabilidade.
Os negócios relacionados a televisores e eletrodomésticos também enfrentaram desafios. Juntos, eles geraram uma receita de 13,9 trilhões de won (US$ 10,4 bilhões ou R$ 56 bilhões) e incorreram em um prejuízo operacional de 200 bilhões de won (US$ 150 milhões ou R$ 810 milhões), devido ao aumento dos custos e à queda na receita de televisores após grandes eventos esportivos.
A Samsung Display, responsável pelos negócios de telas, obteve uma receita de 8 trilhões de won (US$ 6 bilhões ou R$ 32,4 bilhões) e um lucro operacional de 1,1 trilhão de won (US$ 825 milhões ou R$ 4,5 bilhões).
Por sua vez, a Harman, atuante nos setores de áudio e tecnologia automotiva, demonstrou melhoria em seus resultados, beneficiada tanto pelo aumento das vendas quanto por reembolsos tarifários realizados nos Estados Unidos. Esta divisão registrou uma receita de 4,3 trilhões de won (cerca de US$ 3,2 bilhões ou R$ 17,3 bilhões) e um lucro operacional de 600 bilhões de won (US$ 450 milhões ou R$ 2,4 bilhões).
A companhia também aumentou seus investimentos para suprir a crescente demanda por semicondutores. As despesas de capital somaram 29 trilhões de won, o que representa aproximadamente US$ 21,8 bilhões (R$ 118 bilhões) no terceiro trimestre, um incremento de 12,2 trilhões de won (US$ 9,2 bilhões ou R$ 49,7 bilhões) em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Deste montante, 27,2 trilhões de won (US$ 20,4 bilhões ou R$ 110 bilhões) foram direcionados à divisão de semicondutores. Acumulado entre janeiro e setembro, o investimento total atingiu 56,9 trilhões de won (US$ 42,7 bilhões ou R$ 230 bilhões), um aumento anual de 24,7 trilhões de won (US$ 18,5 bilhões ou R$ 100 bilhões).
Para o decorrer de todo o ano de 2026, a Samsung projeta despesas de capital em torno de 84,4 trilhões de won, o que equivale a aproximadamente US$ 63,3 bilhões (R$ 342 bilhões). Desse total, 76,8 trilhões de won (US$ 57,6 bilhões ou R$ 311 bilhões) serão alocados à divisão de semicondutores, e 3,9 trilhões de won (US$ 2,9 bilhões ou R$ 15,8 bilhões) serão destinados à Samsung Display.
Esses recursos visam sustentar a expansão da capacidade produtiva e preparar novas instalações para atender à procura por chips voltados para IA e computação de alto desempenho. A estratégia da empresa foca em manter o foco em componentes de maior valor agregado, como memórias HBM, DRAM para servidores e unidades de armazenamento SSD, buscando assim capitalizar sobre o crescimento dos investimentos em IA e reforçar sua posição no mercado global de semicondutores.
