Diretora da RTS renuncia um dia após estudantes exigirem sua demissão
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Diretora da RTS renuncia um dia após estudantes exigirem sua demissão

A diretora do grupo de comunicação social público Rádio e Televisão da Sérvia (RTS) renunciou no dia seguinte ao pedido formalizado pelo movimento estudantil, que venceu as eleições legislativas antecipadas realizadas no domingo.

A oposição, representada pela Lista dos Estudantes, conquistou a maioria absoluta no país balcânico, retirando do poder o antigo presidente ultraconservador, Aleksandar Vucic. A própria estação noticiou que Manja Grcic havia se desligado do cargo de diretora-geral da RTS, mencionando que sua saída foi demandada pelo sindicato dos trabalhadores da RTS, por grupos informais de colaboradores da emissora e pela Lista dos Estudantes.

Grcic, que estava no cargo desde fevereiro do corrente ano e era vista há anos como alguém próxima a Vucic, declarou sua disposição em colaborar integralmente para assegurar uma transição organizada, garantindo a continuidade das operações da RTS.

Na terça-feira, o movimento estudantil protocolou uma carta solicitando a demissão da diretora-geral da RTS, de sua adjunta, dos editores responsáveis pela cobertura de notícias atuais, além de todos os redatores do setor de informação.

Este movimento acusou a RTS de apresentar um tratamento tendencioso das informações e de falhar em exercer um controle crítico sobre as autoridades políticas. Durante a noite das eleições, a emissora suspendeu a transmissão dos eventos em Belgrado logo após o ex-presidente nacionalista Aleksandar Vucic admitir a derrota, mesmo havendo celebrações ocorrendo nas ruas por todo o território nacional.

A Lista dos Estudantes também pleiteou a instituição de uma direção provisória para a RTS, uma sugestão apresentada em conjunto com os sindicatos que representam os funcionários da estação pública, criticada por não cumprir suas obrigações de serviço público. A Lista declarou após a vitória eleitoral que «os cidadãos têm direito a uma informação verdadeira, completa e imparcial».

De acordo com a organização não governamental CRTA (Centro de Pesquisa, Transparência e Responsabilidade), durante uma semana da campanha eleitoral examinada, a RTS destinou 93% do tempo a Vucic e a outros representantes do Governo, enquanto a oposição recebeu apenas 7% do tempo, e isso majoritariamente de maneira negativa.

Na Sérvia, a maior parte dos veículos de comunicação, tanto públicos quanto privados, tem estado sob influência de Vucic ou de pessoas ligadas a ele. Em 2025, o ex-chefe de Estado sérvio foi listado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) entre os 34 «Predadores da Liberdade de Imprensa» mundiais.

Em Novi Sad, no norte da Sérvia, a estação pública regional RTV pediu desculpas na segunda-feira por não ter cumprido sua função de serviço público «durante muitos anos», e seu diretor apresentou sua renúncia.

As eleições legislativas antecipadas de domingo na Sérvia resultaram em uma vitória histórica para uma lista apoiada por estudantes contra o partido nacionalista de direita SNS, liderado por Aleksandar Vucic, encerrando um período de 14 anos de governo. Essa mudança ocorreu após dois anos de protestos iniciados pelo colapso, em 2024, de um alpendre na estação ferroviária de Novi Sad, um evento trágico que causou 16 mortes.

Essa catástrofe, amplamente associada à corrupção, deflagrou alguns dos maiores movimentos de manifestação na Sérvia desde a queda do líder autoritário Slobodan Milosevic, em 2000. Ao longo desses protestos, os estudantes acusaram a RTS de ignorar intencionalmente os manifestantes e de difamá-los. Paralelamente, entidades da sociedade civil e associações de comunicação social pressionaram as autoridades reguladoras para cassar a licença da Informer TV, um canal privado alinhado a Vucic, citando violações reiteradas da legislação de imprensa.

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