Governo britânico anuncia pacotes de apoio a famílias e empresas em resposta ao aumento do custo de vida
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Governo britânico anuncia pacotes de apoio a famílias e empresas em resposta ao aumento do custo de vida

O Governo britânico divulgou medidas de suporte destinadas a famílias e empresas, visando mitigar o impacto do encarecimento dos custos de energia durante o período de inverno. Esta ação ocorre em decorrência das «tempestades económicas globais» ligadas ao conflito no Irão e às suas ramificações no Médio Oriente.

Durante a apresentação do Orçamento do Estado no parlamento, o ministro das Finanças britânico, John Healey, manifestou o desejo de proporcionar «algum espaço para respirar» tanto às famílias quanto às empresas. Ele justificou que o conflito no Médio Oriente tem levado a aumentos nos preços de combustíveis, energia e crédito à habitação para os lares, além de elevar os custos operacionais e de empréstimos para as companhias.

Entre as iniciativas anunciadas, destaca-se um pagamento único de 100 libras (equivalente a 120 euros) que será distribuído neste inverno a aproximadamente 20 milhões de famílias com rendimentos médios e baixos. Adicionalmente, o Governo decidiu estender a redução do imposto sobre a eletricidade e eliminar uma taxa previamente aplicada às faturas de gás.

Para custear estas medidas, John Healey propôs o aumento da sobretaxa sobre os lucros bancários, elevando-a de 3% para 6% por um período de 15 meses, com início previsto para janeiro. O ministro assegurou que, «No meio das turbulências económicas globais, conto com os nossos bancos para ajudar a financiar um espaço para respirar para as famílias britânicas».

O orçamento também contempla cortes fiscais direcionados ao comércio local e ao setor de restauração, enquanto prevê um incremento na tributação do segmento de jogos de azar. No âmbito da política de defesa, o ministro reafirmou o compromisso do Reino Unido de investir 3% do Produto Interno Bruto (PIB) anual em defesa até 2030, superando os atuais 2,7%. Este compromisso será detalhado no próximo ano, quando forem apresentados os planos de despesa trianual.

Healey anunciou ainda um reforço de 10 mil milhões de libras (12 mil milhões de euros) para apoiar economicamente e militarmente a Ucrânia. Declarando publicamente, «Hoje enviamos uma mensagem clara a Moscovo: o Reino Unido estará ao lado da Ucrânia durante todo o tempo que for necessário».

De acordo com o Governo, a economia britânica deve registrar um crescimento de 1,2% em 2026, embora este ritmo seja projetado para desacelerar para 1% em 2027, um valor inferior à estimativa anterior de 1,6%, devido ao impacto económico gerado pela guerra no Irão. A inflação no Reino Unido alcançou 3,5%, o nível mais alto em quase um ano, e espera-se que continue a subir nos próximos meses, distanciando-se da meta de 2% estabelecida pelo Banco de Inglaterra, que deverá implementar novos aumentos nas taxas de juro.

O endividamento público permanece um desafio central: a dívida britânica ultrapassou, pela primeira vez, os três biliões de libras (aproximadamente 3,6 biliões de euros), e o custo do serviço da dívida consome 8% da despesa pública. O Gabinete de Responsabilidade Orçamental (OBR) estima um aumento de 14 mil milhões de libras (17 mil milhões de euros) nos gastos com juros da dívida neste ano.

John Healey enfatizou que «Essas são as tempestades que enfrentamos. Não podemos desejar que desapareçam. Temos de escolher o rumo que vamos seguir para as enfrentar». Em contraste, Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, criticou o orçamento apresentado por John Healey, classificando-o como «não suficientemente bom, não é suficientemente forte, não é suficientemente audaz».

A líder da oposição argumentou que, no ano seguinte, a carga fiscal no Reino Unido atingirá «o nível mais elevado da história do país», num cenário onde o país, na sua visão, apresenta «despesa excessiva, endividamento excessivo, impostos excessivos e afogado num sistema de segurança social fora de controlo». Ela também defendeu uma postura de «amor duro» em relação aos apoios sociais, alertando para o risco de colapso do Reino Unido «sob o peso da segurança social».

Rob Wood, economista-chefe para o Reino Unido na consultora Pantheon Macroeconomics, avaliou que o primeiro Orçamento do Estado de John Healey «dificilmente ficará na memória». Para ele, o orçamento oferece «um pequeno alívio para os investidores», mas os planos governamentais continuam a negligenciar os desafios de médio prazo relativos ao financiamento da despesa militar e aos programas de consolidação orçamental.

Por sua vez, o Instituto de Estudos Fiscais (IFS) considerou que o orçamento correspondeu ao que muitos aguardavam, ressaltando que, face a notícias económicas desfavoráveis, o ministro optou por aceitar um maior endividamento nos próximos cinco anos. Segundo o centro de estudos, embora John Healey tenha falado em um orçamento de «espaço para respirar» para famílias e empresas, o executivo adiou muitas decisões cruciais para o futuro, num contexto de margem fiscal reduzida, pior qualidade de vida e riscos económicos persistentes.

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