Fotógrafo registra aranha camuflada, menor que uma unha, no campus da Unesp em Rio Claro (SP)
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Fotógrafo registra aranha camuflada, menor que uma unha, no campus da Unesp em Rio Claro (SP)

Uma pequena aranha, que se assemelhava a uma flor, surpreendeu Jonas Gazzaneo Denardo, estudante de Ciências Biológicas e macrofotógrafo, durante um passeio pelo campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, no estado de São Paulo. O registro foi capturado na madrugada de 17 de setembro.

A espécie identificada é a *Epicadus trituberculatus*, uma aranha-caranguejo notável por sua aparência singular e pela habilidade de se misturar à vegetação. O animal foi encontrado imóvel sobre uma flor de ipê-roxo, nas proximidades do Instituto de Biociências da universidade, chamando a atenção do fotógrafo.

Jonas relatou que o encontro foi totalmente fortuito, pois ele não procurava especificamente por aquele animal, mas sim caminhava pelas áreas verdes do campus da Unesp com o objetivo de documentar invertebrados através de macrofotografia. Mesmo sendo experiente na observação de pequenos seres vivos, ele precisou examinar a aranha com muita atenção.

Uma caçadora disfarçada

O que despertou seu interesse foi o formato corporal incomum da aranha, que parecia uma minúscula escultura pousada sobre uma folha. Ele explicou que aranhas do gênero *Epicadus* são especialistas em camuflagem, confundindo-se perfeitamente com folhas e flores; ele só percebeu devido a uma assimetria sutil no meio do folhagem ao observar de perto.

Pertencente à família Thomisidae, a *Epicadus trituberculatus* faz parte de um grupo de aranhas que utiliza a emboscada e a camuflagem para capturar suas presas. Ao contrário de outras aranhas que dependem de teias, muitas espécies desta família permanecem sobre a vegetação, esperando a aproximação de insetos.

Durante o registro, Jonas observou o animal completamente parado, um comportamento típico dessas predadoras. Ele descreveu que a aranha mantinha-se imóvel, empregando a tática clássica de caça por emboscada característica das aranhas-caranguejo, aguardando pacientemente que algum inseto descuido chegasse perto o suficiente para o ataque.

A semelhança entre certas aranhas do gênero *Epicadus* e flores gera interesse científico. Um estudo de 2017, publicado na revista *Scientific Reports* por pesquisadores brasileiros, investigou como a espécie *Epicadus heterogaster* usa sinais visuais, incluindo a reflexão de luz ultravioleta, para atrair polinizadores. Os cientistas notaram que essas aranhas conseguem atrair insetos mesmo estando sobre folhas sem flores próximas. Contudo, os achados desse estudo não podem ser aplicados diretamente à *Epicadus trituberculatus* fotografada em Rio Claro.

Dezenas de fotos para um único registro

Para Jonas, descobrir a espécie pela primeira vez foi uma vivência marcante. No entanto, transformar esse momento em fotografias detalhadas demandou grande paciência e precisão. Ele afirmou que nunca havia visto uma *Epicadus trituberculatus* pessoalmente antes, ressaltando que o registro era especial devido à beleza exótica impressionante da espécie e à raridade de se deparar com um mimetismo tão perfeito na natureza.

O maior obstáculo técnico foi manter a aranha em foco. Como o animal estava sobre a vegetação, qualquer movimento causado pelo vento prejudicava o enquadramento. O fotógrafo recorreu à técnica de empilhamento de foco, que consiste em combinar dezenas de imagens tiradas com diferentes níveis de nitidez para cobrir todo o assunto.

A identificação da espécie envolveu várias fases. Inicialmente, Jonas analisou as características morfológicas da aranha e consultou referências científicas do *World Spider Catalog*. Posteriormente, a confirmação foi obtida no Laboratório de Aracnologia (LARC) da Unesp de Rio Claro, sob a orientação do professor José Paulo Guadanucci, e validada pelos aracnólogos Jean Martins e Fernando Daros. O registro também foi compartilhado em plataformas de ciência cidadã focadas no monitoramento da biodiversidade.

Biodiversidade escondida no campus

Além da qualidade das imagens, este encontro reforçou para Jonas a importância das áreas verdes como refúgio para diversas espécies, mesmo em contextos urbanos. Ele declarou que registros como este demonstram como os campi universitários, especialmente um campus arborizado como o da Unesp de Rio Claro, atuam como verdadeiros santuários para a vida selvagem.

Para o estudante, o flagrante serve também como um incentivo para que as pessoas observem com mais atenção os pequenos animais que habitam ao redor. Ele concluiu que, ao dedicarmos mais atenção ao nosso entorno, descobrimos uma biodiversidade rica e fascinante convivendo conosco em espaços acadêmicos e urbanos.

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