O Vaticano confirmou a agenda de viagens do Papa Leão XIV para Uruguai, Argentina e Peru, programadas entre 6 e 17 de novembro. Esta viagem ocorrerá após ele ter sido submetido a uma cirurgia para remover um tumor maligno localizado no seu pulmão direito.
Durante uma mensagem enviada a um fórum reunindo representantes das principais religiões mundiais, realizado na cidade italiana de Assis, o Papa Leão XIV declarou que nenhuma guerra possui caráter sagrado. Ele enfatizou a necessidade de reconstruir a paz global, alertando que o conflito jamais deve ser travado em nome de Deus.
Devido à recente operação contra o cancro pulmonar, os médicos desaconselharam o uso de helicóptero para o deslocamento até Assis, localizada ao norte de Roma, no centro da Itália.
O fórum, intitulado «Paz desarmada e desarmante», foi organizado pela Comunidade de Santo Egídio em celebração ao quadragésimo aniversário da oração pela paz promovida por João Paulo II em Assis. A conferência contou com a presença de dezenas de líderes religiosos de diversas fés, incluindo católicos, judeus, muçulmanos, budistas, cristãos ortodoxos, luteranos e xintoístas, além de especialistas em áreas como geopolítica, história, sociologia e política.
O pontífice defendeu que é crucial promover a rejeição da justificativa religiosa para a guerra, especialmente num contexto de «cultura do poder». Ele sugeriu que as religiões deveriam incentivar um «espírito de mediação e diálogo, uma experiência contemplativa e uma ação criativa por um futuro de paz» em escala mundial.
Segundo a agência espanhola EFE, o Papa ressaltou que a paz deve retornar ao estatuto de ideal comum da humanidade, servindo como guia para todas as decisões, critério para identificar a injustiça e horizonte partilhado por todos.
Neste sentido, ele fez referência à encíclica «Magnifica humanitas (Magnífica Humanidade)», publicada em maio, que aborda a proteção da pessoa humana na era da Inteligência Artificial. Por meio dela, o Papa denunciou a «preocupante reabilitação da guerra como instrumento de política internacional», um fenômeno que, na visão do líder da Igreja Católica, «trai a memória do século XX e a inútil matança de milhões de vidas humanas».
Adicionalmente, o Papa incentivou a «busca comum da paz» e recomendou a prática da oração, descrevendo-a como «a força humilde dos crentes». Ele concluiu com uma súplica a Deus, dador da paz, para que esta alcance o coração daqueles que promovem a guerra e o terrorismo, lembrando que a oração nunca é vã.



