Auxílio-moradia para vítimas de violência em Campinas ultrapassa o total de 2025 em nove meses de 2026
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Auxílio-moradia para vítimas de violência em Campinas ultrapassa o total de 2025 em nove meses de 2026

O número de auxílios-moradia fornecidos a mulheres que são vítimas de violência na cidade de Campinas (SP) nos primeiros nove meses de 2026 já excedeu o montante total registrado durante todo o ano de 2025. De acordo com informações da Prefeitura, foram concedidos 111 benefícios até setembro, comparado aos 108 benefícios registrados em 2025.

Este crescimento também é visível nos recursos financeiros alocados ao programa. No período de janeiro a setembro deste ano, foram comprometidos R$ 1,23 milhão, representando um aumento de 56% em relação aos R$ 789,9 mil que foram contabilizados ao longo de todo o ano anterior. Esses valores englobam tanto novas concessões quanto renovações de auxílios.

O auxílio, instituído em julho de 2023, atualmente disponibiliza R$ 994 mensais para cobrir os custos de aluguel de uma residência. Seu propósito fundamental é assegurar que mulheres em situações de violência doméstica tenham um local seguro para morar, permitindo-lhes romper a dependência econômica imposta pelos agressores.

Uma das beneficiárias, que optou por manter sua identidade em sigilo, relatou que o apoio foi crucial após seu ex-companheiro destruir a casa onde viviam, bem como os brinquedos de seu filho e os materiais necessários para seu trabalho.

Ela descreveu o histórico de abusos: «Foram muitas idas e vindas, muitas agressões físicas e emocionais. E aí, um dia, eu descobri uma traição e decidi encerrar o relacionamento. Ele não aceitou e quebrou toda a minha casa».

'Sair é difícil, não retornar é mais difícil ainda'

A mulher mencionou que havia acabado de adquirir os móveis para o apartamento alugado quando tomou a decisão de terminar o relacionamento. Além de danificar os pertences familiares, o ex-companheiro destruiu todos os itens que ela havia comprado para montar seu espaço de atendimento profissional. Ela afirmou: «Ele quebrou os brinquedos do próprio filho. O pouco que sobrou foi um colchão e um sofá. Eu estava ainda mobiliando um espaço onde seria o meu espaço de atendimento e ele quebrou tudo. Então eu saí sem ter nem como trabalhar.»

Sem fonte de renda e com responsabilidades de sustento infantil, ela precisou buscar uma solução para evitar retornar ao agressor. Foi então que tomou conhecimento da existência do auxílio-moradia. Ela declarou: «Eu não teria conseguido ter onde ficar com as crianças se não tivesse conhecimento desse auxílio, se alguém não tivesse me dito que ele existia.»

Segundo seu relato, a instabilidade financeira constitui uma das maiores barreiras enfrentadas pelas mulheres que tentam abandonar relações abusivas. Ela pontuou: «A nossa maior dificuldade em sair do relacionamento é justamente essa: pensar o que é que eu vou fazer, onde é que eu vou ficar, o que é que eu vou comer, o que é que eu vou dar para as crianças comerem.»

Ela acrescentou que necessitou do auxílio de terceiros para superar a dependência emocional e evitar o retorno ao agressor. «Não é fácil, é muito difícil, porque entra uma violência psicológica tão grande que você entende que é dependente daquele homem», afirmou.

Atualmente, após reconstruir sua carreira, ela expressa esperança de que outras mulheres compreendam que não precisam enfrentar a violência isoladamente. «Quando você tem um norte, consegue entender que não está sozinha. Hoje já consigo viver do meu trabalho e consegui recomeçar e me refazer. [...] Sair é difícil. Não retornar é mais difícil ainda. É difícil recomeçar, mas não é impossível.»

Aumento dos Benefícios

Desde o início de sua operação, no segundo semestre de 2023, o programa tem apresentado um aumento anual no número de concessões. Os dados fornecidos pela Prefeitura de Campinas indicam que os valores considerados incluem tanto novas concessões quanto prorrogações de benefícios.

Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, atribui este crescimento à maior percepção dos direitos por parte das mulheres e à melhor estruturação da rede de proteção. Ela ressaltou: «Cada mulher que tem acesso ao auxílio-moradia é uma vida salva, é uma família salva. A gente sabe que a maioria dessas mulheres tem crianças pequenas».

Como Obter o Auxílio

O auxílio-moradia destina-se exclusivamente ao pagamento de aluguel residencial. Conforme a Prefeitura, o programa visa garantir que as mulheres possam deixar o ambiente de violência sem ficarem desassistidas.

Para solicitar o benefício, são exigidos os seguintes requisitos: residir em Campinas; estar em situação de violência; apresentar um boletim de ocorrência, seja presencialmente em uma delegacia ou através da Delegacia Eletrônica; e procurar um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) ou, se estiver acolhida em um abrigo, solicitar o auxílio por meio desse serviço.

A secretária esclareceu que as equipes de assistência social podem auxiliar a mulher no registro da ocorrência e no encaminhamento do pedido. O benefício é concedido inicialmente por seis meses e pode ser estendido por mais seis meses, caso os profissionais responsáveis pelo acompanhamento determinem que o suporte ainda é necessário. O valor é revisto anualmente.

Adicionalmente ao suporte financeiro para o aluguel, as beneficiárias recebem acompanhamento da assistência social, atendimento psicológico e direcionamento para programas de capacitação profissional e oportunidades de emprego. Vandecleya explicou: «Não é apenas auxílio financeiro, que é muito importante. Essa mulher passa por um acompanhamento da assistência social, dos psicólogos da assistência social, e é encaminhada para programas de qualificação profissional e também para o mercado de trabalho, se assim desejar».

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