Em shows de rock, os chamados "circle pits" são momentos comuns onde o público se move em círculos juntos. Uma curiosidade notável é que, na maior parte das vezes, esses círculos giram no mesmo sentido.
Um estudo realizado em 2013 analisou mais de cem desses círculos e constatou que 95% deles giram no sentido anti-horário. Embora os responsáveis pelo estudo não saibam a causa exata desse fenômeno, eles especulam que ele pode estar ligado à lateralidade humana, ou seja, à predominância do uso de uma mão ou pé.
A teoria sugere que o círculo gira na direção que a maioria das pessoas prefere instintivamente, e a maioria da população é destra. Essa conexão já foi investigada pela ciência.
Um estudo anterior, datado de 2003, avaliou 93 indivíduos, divididos em 69 destros e 24 não destros. Os pesquisadores utilizaram um aparelho para monitorar os movimentos rotacionais espontâneos dos participantes ao longo de três dias, durante 20 horas. O resultado demonstrou que os destros tinham uma inclinação a girar para a esquerda, espelhando o padrão observado nos circle pits. Já os não destros demonstraram preferência por girar para a direita.
Os cientistas associaram esse padrão a pesquisas com animais, onde o comportamento de rotação tende a ocorrer na direção do hemisfério cerebral com menor concentração de dopamina. A hipótese levantada é que as assimetrias desse neurotransmissor poderiam explicar a diferença observada, sugerindo que, quando a música estimula o movimento coletivo, há uma busca por suprir um déficit de dopamina.
Contudo, essa conclusão não é considerada definitiva. Outros trabalhos, como um realizado em 2007, não conseguiram estabelecer uma ligação significativa entre a lateralidade manual e a direção preferencial de desvio durante uma caminhada realizada com os olhos vendados. Assim, a razão pela qual os mosh pits giram no sentido anti-horário permanece sem uma resposta conclusiva.
