Trabalhadora de limpeza denuncia discriminação em ônibus por usar uniforme em Aparecida de Goiânia
Leia mais
Grupo Globo
g1.globo.com

Trabalhadora de limpeza denuncia discriminação em ônibus por usar uniforme em Aparecida de Goiânia

Valdetina Santos, uma funcionária de 45 anos, expressou sua indignação em um vídeo ao denunciar que um ônibus não parava em seu ponto de desembarque após o fim do expediente devido ao uso do uniforme de coleta seletiva. O incidente ocorreu em Aparecida de Goiânia, localizada na Região Metropolitana da capital.

A trabalhadora relatou ao g1 que trabalha como gari há quase dois anos e que esta foi a primeira vez que vivenciava uma situação de preconceito. Emocionada, ela declarou: «Ainda estou tentando esquecer, porque a tristeza está muito grande. O que eu tenho a dizer é que eu só quero Justiça».

A Prefeitura de Aparecida de Goiânia emitiu uma nota oficial informando que, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e do Consórcio Aparecida Limpa, ofereceu suporte à colaboradora Valdetina Santos e repudiou veementemente quaisquer atos de discriminação.

De acordo com a prefeitura, a Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) entrou em contato com a transportadora responsável pela linha onde o suposto episódio aconteceu. O motorista envolvido foi temporariamente retirado da operação enquanto os fatos são investigados.

A CMTC também se manifestou sobre o caso, assegurando que «todas as providências estão sendo tomadas para a apuração dos fatos». A HP Mobilidade, por sua vez, comunicou ao g1 que tomou conhecimento do ocorrido somente após a publicação em rede social, pois não havia registro formal do incidente nos canais oficiais do sistema de transporte coletivo.

A HP Mobilidade reforçou seu compromisso de não tolerar práticas discriminatórias ou tratamentos desrespeitosos aos passageiros, mantendo programas de treinamento para garantir um atendimento humanizado, respeitoso e igualitário a todos os usuários.

Trabalhadora denuncia discriminação

Valdetina explicou que o vídeo, que viralizou nas redes sociais, foi gravado por sua sobrinha na semana anterior, a pedido dela. No registro, a gari aparece visivelmente abalada ao descrever o ocorrido. Ela mencionou: «Na hora que eu voltei do ponto estava chorando demais e ela [sobrinha] gravou para mim. Eu pedi para ela gravar, já estava cansada de tanta discriminação».

No vídeo, ela detalhou que, por conta dessa situação, estava retornando para casa com atraso há mais de cinco dias. A trabalhadora lamentou: «Sou uma pessoa trabalhadeira [...] Eu tô sendo discriminada pela HP. Não posso entrar no ônibus, ficam me rejeitando e tô chegando tarde em casa, porque eles não deixam. Fala que tá quebrado, esses ‘trem’, e não deixa eu entrar».

Ela continuou desabafando sobre a injustiça: «Não posso nem ir embora para casa, tomar um banho e descansar [...] Que discriminação é essa? Só porque eu tô com esse uniforme, eu sou uma trabalhadora igual todo mundo e eu preciso descansar para poder ir trabalhar».

A gari também informou ao g1 que já havia perdoado o motorista em três ocasiões anteriores. Como o nome do condutor não foi divulgado, não foi possível contatá-lo para obter um posicionamento. Imagens fornecidas por Valdetina mostram sua caminhada até casa, momento em que ela está sendo acompanhada por um advogado e planeja buscar seus direitos judicialmente.

Nota da HP Mobilidade

A HP Mobilidade confirmou seu respeito à passageira e reconheceu a legitimidade dos relatos que os usuários consideram passíveis de investigação. Entretanto, a empresa esclareceu que teve ciência do caso unicamente por meio de postagem em rede social, visto que não houve registro prévio nos canais oficiais de atendimento do sistema de transporte coletivo.

A companhia ressaltou que a publicação não continha dados cruciais para a verificação dos fatos, como linha, data, horário de embarque ou identificação do veículo, elementos considerados essenciais para uma apuração correta. A HP Mobilidade reiterou seu compromisso de não aceitar qualquer forma de tratamento desrespeitoso ou discriminatório aos passageiros, mantendo iniciativas de capacitação para promover um serviço acessível, seguro e de qualidade.

Popular