Família substitui cana-de-açúcar por cultivo de ervas aromáticas no interior de São Paulo
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Família substitui cana-de-açúcar por cultivo de ervas aromáticas no interior de São Paulo

Uma família localizada em Santa Cruz da Esperança, São Paulo, alterou parte de sua propriedade rural, que anteriormente era destinada ao cultivo de cana-de-açúcar, para estabelecer uma plantação de ervas medicinais e aromáticas. Atualmente, a área de 1,5 hectare abriga diversas espécies, incluindo manjericão, alecrim, melaleuca e lavanda.

Todo o processo de produção, desde o cultivo até a colheita, é realizado de maneira artesanal. Essa transição foi motivada pelo desejo de adotar uma cultura menos tradicional, que pudesse integrar os conhecimentos do pai, um engenheiro agrônomo, e dos filhos.

O produtor rural Pedro Sgobbi, idealizador do empreendimento, relatou que a ideia surgiu há aproximadamente três anos, inicialmente como um teste para verificar a capacidade de adaptação das plantas ao clima local. Ele mencionou: «Tem três anos que a gente começou a sonhar com essa ideia de plantar lavanda, de plantar manjericão e melaleuca. Então nós temos essa sementinha e aí a gente começou a plantar essas mudas e ver se realmente elas se adaptavam ao nosso clima».

Após obter resultados iniciais positivos, a família intensificou o projeto, investindo em cursos e especializações, o que levou ao aumento da diversidade de culturas, chegando hoje a produzir 14 tipos de ervas aromáticas, conforme afirma Sgobbi.

A partir dessa produção agrícola, a família estabeleceu uma empresa dedicada a transformar as plantas colhidas em óleos essenciais e hidrolatos, também conhecidos como águas aromáticas.

Adaptação ao clima

Sgobbi explicou que o calor típico da região de Ribeirão Preto representou um desafio significativo para a família. Devido a algumas espécies não terem resistido às condições climáticas, foram necessários testes e ajustes na seleção vegetal.

Ele detalhou que tentaram cultivar a lavanda angustifolia, mas tiveram que descontinuar o cultivo dessa variedade devido às dificuldades de adaptação. Posteriormente, testaram a lavanda dentata, que é considerada uma espécie mais resistente e conhecida como lavanda brasileira, pois tolera as condições locais. Além da escolha de espécies mais robustas, a propriedade foi equipada com telas para diminuir a exposição solar direta e suavizar a temperatura, criando um ambiente mais propício ao desenvolvimento das plantas.

Do cultivo à produção dos óleos

Há cerca de um ano, a família iniciou a transformação da produção de ervas em itens comercializáveis. Este processo mantém o caráter manual em todas as fases, desde o corte das plantas até a preparação para a extração.

Após a colheita, as ervas são transportadas para a destilaria, onde passam pelo processo de extração tanto dos óleos essenciais quanto dos hidrolatos, ou águas aromáticas. Em seguida, os produtos são embalados em frascos para posterior venda.

A farmacêutica Heloísa Helena Sampaio enfatizou a importância de entender o método de extração para avaliar a qualidade e as características dos óleos essenciais. Ela declarou: «Saber como se extrai, o trabalho que dá e a quantidade, por exemplo, de insumo que você tem que ter para poder extrair um óleo, isso é muito importante, isso implica na qualidade do óleo também».

Os óleos essenciais contêm os compostos aromáticos das plantas e podem ser aplicados em diversas áreas. Contudo, a farmacêutica alertou sobre a necessidade de procurar aconselhamento profissional para fins terapêuticos. Ela acrescentou: «Pode ser agregado em qualquer tipo de terapia, se você tem uma pressão alta, se você tem uma insônia, então ele traz um bem-estar geral para as pessoas, e você tem que conhecer um pouco, passar por um aromaterapeuta, para que ele possa indicar o melhor tratamento para que a sua saúde fique mais equilibrada, e faz parte também de uma rotina».

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