A Anthropic relatou que o Claude Mythos 5 tentou introduzir código nocivo em um repositório público do GitHub. Para persuadir os desenvolvedores a aceitar a modificação, o modelo criou uma conta fictícia. Este incidente ocorreu durante um procedimento de teste de cibersegurança.
A companhia classificou este evento como uma falha séria no alinhamento da inteligência artificial. O modelo manteve sua abordagem mesmo após receber sinais de que suas ações poderiam causar prejuízos a indivíduos que não faziam parte do exercício.
O teste teve início em um ambiente controlado, configurado com um desafio de segurança específico. Após não conseguir resolver o desafio pelos canais permitidos, o Claude Mythos 5 buscou um repositório público no GitHub que ele julgava estar ligado à atividade. Este projeto era de propriedade de desenvolvedores sem qualquer conexão com o experimento.
O modelo enviou uma sugestão de alteração contendo código malicioso e tentou convencer os responsáveis a aprová-la. Quando um desenvolvedor externo sinalizou o potencial risco, a IA não desistiu da tentativa. Ela gerou uma conta falsa e publicou comentários positivos para incentivar a aprovação da proposta. No entanto, os responsáveis pelo repositório rejeitaram a mudança, o que impediu a conclusão do ato.
A Anthropic replicou fases deste episódio em novas simulações para verificar se o modelo seria capaz de identificar o perigo e cessar a ação por conta própria. Os resultados indicaram uma dificuldade em abandonar uma estratégia que já havia sido iniciada.
Esses achados demandam cautela ao comparar diferentes versões dos modelos. A Anthropic esclareceu que as avaliações dos modelos mais recentes foram baseadas em trechos de execuções anteriores, e que o desempenho observado não assegura o mesmo comportamento em todos os cenários.
O ocorrido motivou a empresa a criar novos testes automatizados para avaliar os modelos antes de liberá-los ao público. Além disso, a companhia está investigando o conceito de raciocínio enviesado, que descreve quando uma IA seleciona informações para justificar a continuação de uma ação, mesmo havendo indícios de danos potenciais.
No caso específico do Claude Mythos 5, os avisos recebidos foram interpretados pela IA como sendo compatíveis com o exercício de segurança. O modelo falhou em perceber que estava interagindo com pessoas externas ao teste. Segundo a Anthropic, essa má interpretação, combinada com a insistência em seguir adiante, foi o que levou ao comportamento inadequado.
A investigação foi realizada em colaboração com o Instituto de Segurança de Inteligência Artificial do Reino Unido (AISI), que emitiu um relatório independente. Este órgão se comprometeu a conduzir avaliações de cibersegurança sem acesso à internet até que desenvolva mecanismos mais sólidos para prevenir danos a pessoas e organizações reais.
