O autor compartilhou uma experiência que surgiu após a publicação de um post no LinkedIn sobre a busca por especialistas em gestão de mudanças. Ele esperava receber algumas respostas e contatos úteis, mas recebeu uma grande quantidade de mensagens de pessoas de todo o mundo.
Inicialmente, o autor ficou entusiasmado com essa resposta. No entanto, ao analisar as mensagens recebidas, ele notou uma semelhança impressionante em muitas delas. Embora as pessoas representassem países diferentes, suas percepções eram profissionalmente elaboradas e cuidadosamente pensadas, provavelmente com a ajuda de inteligência artificial, mas revelavam pouco sobre a personalidade da pessoa ou sua contribuição potencial para o diálogo.
Isso fez o autor refletir sobre métodos para aumentar a visibilidade dos líderes em marketing e comunicação. Nos últimos anos, as empresas têm incentivado ativamente os líderes empresariais a serem mais ativos no LinkedIn: compartilhar sua experiência, comentar eventos do setor e construir uma marca pessoal reconhecível. Em muitas organizações, isso se transformou em uma estratégia de comunicação formal, incluindo calendários de conteúdo, cronogramas de publicação e metas de engajamento.
Existem razões válidas para essa abordagem: os clientes querem entender as pessoas por trás das empresas, e jornalistas e colegas do setor valorizam o acesso a líderes que possuem algo útil para discutir. No entanto, o autor expressa preocupação de que, na busca por tornar os líderes mais visíveis, o foco tenha se deslocado da utilidade real que eles trazem para a frequência de suas aparições.
Criação de máquinas de conteúdo
Trabalhando em marketing e comunicação, o autor reconhece seu papel significativo no surgimento dessa situação. São os especialistas que criam planos de conteúdo para os líderes, os encorajam a publicar materiais regularmente e monitoram quais tópicos atraem mais atenção. Quando algum conteúdo apresenta bons resultados, surge o desejo natural de repetir esse sucesso.
No entanto, o autor se pergunta se não se concentraram demais em manter a visibilidade dos líderes, esquecendo-se do objetivo final dessa visibilidade. A pressão relacionada à necessidade de criar conteúdo constantemente está crescendo. Um estudo da Adobe de 2026 mostrou que 83% dos profissionais de marketing acreditam que a demanda por conteúdo aumentou pelo menos o dobro nos últimos dois anos.
A inteligência artificial simplificou esse processo: de algumas anotações, é possível criar um post para o LinkedIn, desenvolver um artigo com base em uma breve entrevista ou gerar inúmeras variações da mesma mensagem em minutos. O próprio autor usa IA e valoriza a economia de tempo, mas teme as consequências quando a criação de conteúdo se torna mais fácil do que o desenvolvimento dos pensamentos subjacentes.
Tornou-se muito fácil criar mensagens com aparência profissional, mas às vezes esse processo elimina a individualidade, a experiência e as opiniões que originalmente tornavam as pessoas interessantes. Ao visualizar o conteúdo dos líderes no LinkedIn, são frequentemente encontrados temas semelhantes sobre liderança, sustentabilidade, trabalho em equipe e aprendizado com falhas. Embora esses temas sejam importantes, após ler muitos materiais semelhantes, torna-se difícil lembrar quem disse o quê.
O autor acredita que muitos desses líderes possuem experiências fascinantes e convicções fortes, pois construíram negócios, geriram situações complexas e aprenderam com os erros ao longo dos anos. No entanto, seu conteúdo publicado nem sempre reflete essa profundidade de conhecimento. Em vez disso, frequentemente aparece uma versão de liderança que parece segura e esterilizada. Todos concordam que pessoas e cultura são importantes, e os negócios precisam se adaptar; ninguém contesta nada, e, francamente, nada que eles dizem permanece na memória.
O autor acredita que é preciso distinguir o reconhecimento baseado na frequência de aparição no feed do respeito que inspira a influência das ideias no pensamento das outras pessoas. De acordo com o relatório Edelman e LinkedIn B2B Thought Leadership Impact Report de 2025, 64% dos 'tomadores de decisão ocultos' — pessoas que influenciam compras sem ter a palavra final — confiam mais na liderança de pensamento do que nas informações tradicionais de produtos ao avaliar oportunidades de empresas.
O autor sugere que as equipes de marketing dediquem mais tempo à reflexão sobre a reputação que desejam ajudar a construir para o líder, em vez de se concentrarem exclusivamente no que essa pessoa deve publicar na próxima semana. Se lhes fosse feita a pergunta sobre como gostariam que o líder fosse conhecido em três anos, suas conversas seriam completamente diferentes. Eles estudariam mais a experiência do líder, as dificuldades que ele enfrentou e os problemas que o preocupam. Perguntariam sobre a direção que, na opinião do líder, o setor está tomando, quais erros as empresas estão cometendo e o que ele aprendeu que poderia realmente ajudar os outros.
Além disso, é preciso estar pronto para contestar as declarações do líder. Às vezes, a resposta soa razoável, mas não carrega um peso semântico especial. Em vez de transformar isso em um artigo polido, deve-se pedir ao líder para explicar o que quer dizer ou fornecer um exemplo.
O autor descobriu que a parte mais interessante da conversa nem sempre é a resposta à pergunta inicial; às vezes, é algo que alguém diz casualmente, sem perceber que sua experiência oferece uma perspectiva diferente.
O LinkedIn deve apoiar o diálogo
O autor não pede que os líderes abandonem completamente o uso do LinkedIn. Sua própria experiência lembrou-o de quão rapidamente a plataforma pode conectar pessoas que, de outra forma, nunca se encontrariam. No entanto, o LinkedIn deve ser apenas parte de uma estratégia mais ampla. As ideias do líder podem ser exploradas através de artigos, entrevistas na mídia, pesquisas, eventos do setor e interação com clientes. O LinkedIn pode então ajudar a disseminar essas ideias e sustentar a discussão.
Também é preciso ser mais cuidadoso com o que é medido. Visualizações mostram se o conteúdo alcançou o público, mas jornalistas procuram o líder por comentários? Eles são convidados para discussões setoriais? Os clientes se referem às ideias que ele compartilhou?
O autor reconhece que está questionando uma abordagem que foi ajudada a ser construída por pessoas em sua própria profissão, incluindo ele mesmo. Ele também entende a pressão relacionada à necessidade de produção constante de conteúdo com múltiplos canais.
Ele prefere ajudar os líderes a publicar menos, mas materiais mais significativos que as pessoas lembrarão, em vez de ver sua experiência reduzida a mais um post no LinkedIn criado apenas para preencher o calendário de conteúdo.


