A antiga Escola de Arquitetura de Nanterre, que permaneceu como um edifício desocupado por vinte anos, foi transformada no Campus du Parc. Projetada originalmente em 1971 por Jacques Kalisz e Roger Salem, esta estrutura representava o primeiro prédio público de um grande plano de requalificação social. O edifício está situado no centro do Parque André-Malraux, concebido como uma área cultural completa, adjacente a locais como o Théâtre Nanterre-Amandiers e a Escola de Dança da Ópera de Paris.
Após ficar abandonado desde 2004, o local participou do concurso Inventons la Métropole du Grand Paris 2 em 2018, dando origem ao projeto Campus du Parc. Este projeto foi desenvolvido pelo escritório IT'S em colaboração com a Eiffage Immobilier, responsável pela operação, e o grupo de ensino superior De Vinci, que inaugurou a nova sede para 4.500 alunos de engenharia, negócios e tecnologia digital.
A filosofia central por trás de todas as decisões do projeto — abrangendo patrimônio, urbanismo, educação e meio ambiente — é a de uma 'ecologia emocional', onde a memória do local e a qualidade sensorial dos espaços se complementam. O parque e o projeto interagem mutuamente: o desenho do piso externo incorpora a geometria celular dos módulos de Kalisz e Salem, criando, junto aos paisagistas do escritório Base, um percurso que suaviza gradualmente a transição do elemento mineral para o natural à medida que se aproxima da vegetação.
Kalisz e Salem imaginaram a estrutura como um organismo dinâmico, passível de adaptação. O Campus du Parc honra esse legado ao preservar 80% da projeção construída e 60% do volume original. Embora a ala administrativa retorne ao seu estado inicial, ela recebe uma nova camada externa feita de alumínio espelhado, vidro e pintura branca para restaurar sua leveza. Os interiores foram reestruturados para novos fins, respeitando os princípios originais de fluidez espacial e estrutura aparente. As novas adições utilizam materiais naturais, como madeira e bambu, que contrastam com a luminosidade refletiva do prédio existente, trazendo o calor e as cores do parque para dentro do complexo.
Uma ágora conecta os dois corpos, mantendo a estrutura metálica original visível, mas protegida por um fechamento leve e transparente. Para o IT'S, regenerar em vez de demoler foi a primeira e mais decisiva escolha em prol da sustentabilidade. Os novos volumes são construídos em madeira, um material leve e sequestrador de carbono, e são protegidos por uma segunda pele de brises de bambu. Estes brises controlam a luz e regulam o conforto térmico nas salas de aula, estabelecendo uma ligação forte com o parque.
A ágora é coberta por almofadas pneumáticas de ETFE, que são quatro vezes mais leves que o vidro e permitem cobrir grandes vãos. O sistema de camadas serigrafadas dessas almofadas, aliado a um piso ativo reversível que pode aquecer e resfriar, juntamente com a ventilação natural, garante a temperatura ideal no espaço, permitindo que a maior parte do campus seja resfriada naturalmente, eliminando a necessidade de ar-condicionado. Além disso, terraços, coberturas e pátios originais foram recuperados e plantados para fomentar a biodiversidade, e as coberturas dos novos edifícios incluem vegetação e painéis fotovoltaicos. O campus também está integrado à rede urbana de climatização.
Cada material empregado — madeira, bambu, vidro, alumínio reflexivo — foi selecionado não só por seu desempenho técnico, mas também por suas características sensoriais, como textura, reflexão luminosa e acústica. A experiência sensorial é intencional: a luz varia em densidade ao atravessar os brises de bambu das salas de aula até se tornar plena sob a cobertura de ETFE da ágora. O calor da madeira, o ar fresco sem climatização e a vista para o parque a partir dos espaços internos são elementos projetados para serem sentidos, seguindo o conceito de ecologia emocional que orientou o IT'S.
Seguindo a lógica construtiva do edifício original, que foi erguido em menos de um ano através de pré-fabricação industrial, o novo campus aplica técnicas modernas. Elementos como lajes de concreto armado pré-moldadas, vigas de madeira laminada colada (MLC), escadas e suportes pré-fabricados, painéis de fachada montados fora do canteiro, passarelas híbridas de aço e madeira, brises de bambu e fachadas cortina de vidro e alumínio foram produzidos industrialmente. Esta abordagem industrializada otimizou cronogramas, minimizou perturbações na vizinhança e resíduos, melhorou a segurança dos trabalhadores, preservando o DNA modular concebido por Kalisz e Salem em 1971.
