O ciclone tropical Champi alcançou o status de tempestade mais potente de 2026 na manhã desta quarta-feira, dia 21. Com velocidades de vento próximas a 300 km/h e rajadas previstas em 360 km/h, ele segue sua trajetória pelo Oceano Pacífico, representando uma ameaça para Taiwan, China e diversas localidades nas Filipinas.
De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, a região deve ser atingida nos próximos dias por ventos destrutivos, chuvas intensas e grandes ondas. Atualmente, Champi foi classificado como um furacão de nível 5, o patamar máximo na escala Saffir-Simpson, utilizada para medir a intensidade de furacões.
Os ciclones tropicais que se desenvolvem no Pacífico são denominados "tufões". Adicionalmente, o prefixo "super" é aplicado pelo Joint Typhoon Warning Center (JTWC) a tempestades cujos ventos ultrapassam os 240 km/h.
As previsões atuais sugerem que Champi deverá diminuir sua intensidade em breve, podendo enfraquecer para as categorias 3 ou 4, embora ainda mantenha potencial destrutivo. Há possibilidade de ele se aproximar ainda mais da terra firme, em direção a Taiwan, entre a próxima sexta-feira (23) e sábado (24), apesar de persistirem incertezas sobre sua rota exata.
Champi figura como o quarto ciclone de categoria 5 na temporada no Pacífico Ocidental e o sétimo em escala mundial em 2026. Pesquisadores apontam que a intensa atividade ciclônica pode estar relacionada ao El Niño, fenômeno que altera a circulação atmosférica e as condições oceânicas globais. Enquanto o El Niño tende a reduzir o número de ciclones tropicais no Atlântico, ele provoca um aumento significativo de ocorrências no Pacífico.
Entendendo o Supertufão
Em termos essenciais, furacões, ciclones e tufões representam o mesmo evento meteorológico; a nomenclatura varia conforme a localização geográfica. Tempestades no Atlântico e no norte do Pacífico são chamadas de "furacões", no sudoeste do Oceano Índico são "ciclones tropicais", e no noroeste do Pacífico, "tufões". Contudo, o mecanismo subjacente é idêntico.
A formação dessas tempestades inicia-se no oceano, exigindo que as águas estejam aquecidas, idealmente acima de 26,5 °C. Vários elementos podem contribuir para esse aquecimento, incluindo o aquecimento solar natural, eventos como o El Niño, que redistribui o calor oceânico, e o aquecimento global, impulsionado pela emissão de gases de efeito estufa.
Essa massa de água aquecida desempenha duas funções cruciais: primeiramente, serve como fonte de energia para a tempestade, fornecendo mais energia quanto maior for a temperatura da água; secundariamente, aquece e umedece o ar acima da superfície marítima. Isso desencadeia um processo onde o ar quente ascende, gerando uma zona de baixa pressão ao redor da área afetada.
É importante notar que o ar quente sobe devido à sua expansão, o que o torna menos denso e, consequentemente, mais leve que o ar circundante. Este movimento cria um "vácuo" sobre os oceanos, atraindo ventos das regiões adjacentes, caracterizando a baixa pressão atmosférica. Essa combinação resulta em chuvas prolongadas e intensas, juntamente com ventos fortes que empurram a água para a costa, gerando ondas gigantescas capazes de inundar cidades e vilarejos.
No núcleo desses sistemas encontra-se o olho da tempestade, uma área notavelmente calma. No caso de Champi, a pressão atmosférica atingiu 895 hPa, um valor considerado extremamente baixo. Este registro é superior apenas ao do furacão Polo, que registrou 892 hPa em seu centro no Pacífico Oriental há aproximadamente um mês.

