SpaceX planeja capturar Starship e propulsor Super Heavy em voo de teste em novembro
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SpaceX planeja capturar Starship e propulsor Super Heavy em voo de teste em novembro

A SpaceX tem como meta realizar, pela primeira vez, a captura da nave Starship e de seu propulsor Super Heavy durante um próximo voo de teste agendado para novembro. O propósito desta operação é resgatar ambas as seções do veículo espacial utilizando os braços mecânicos da torre de lançamento. Se for bem-sucedida, esta ação representará a primeira recuperação completa de um veículo lançador orbital na história.

Elon Musk, diretor-executivo da companhia, divulgou este plano durante a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre, realizada na terça-feira (20). Ele informou que a missão subsequente será a décima quinta tentativa de voo da Starship em escala real, declarando que, em caso de êxito, seria inédito ter um veículo lançador orbital totalmente recuperado, classificando o feito como um marco tecnológico civilizacional.

Embora o executivo tenha reconhecido que não há garantia de sucesso, ele manifestou confiança de que a tentativa possui maiores chances de ser bem-sucedida do que de falhar. Caso a operação não ocorra conforme o planejado, a SpaceX continuará os testes até o final do ano e planeja intensificar a frequência dos voos em 2027.

Como funciona a tentativa de captura da Starship?

A Starship opera como um sistema de lançamento composto por dois estágios: o propulsor Super Heavy, que executa a primeira fase da ascensão, e a própria nave Starship, que corresponde ao segundo estágio. Unidos, eles formam um veículo com dimensões aproximadas de 120 metros de altura e nove metros de diâmetro.

O sistema emprega motores Raptor, que utilizam metano líquido e oxigênio líquido como combustível. Desde sua concepção em 2018, a Starship foi projetada para retornar ao local de lançamento e ser reutilizada.

Para viabilizar essa captura, a SpaceX desenvolveu torres munidas de braços mecânicos, apelidados de «hashis» (palavra em inglês para hashis). Essa estrutura tem a capacidade de segurar o veículo durante seu retorno, eliminando a necessidade de um resgate tradicional no oceano.

Essa estratégia é crucial, pois a reutilização das duas partes permitiria à empresa reaver componentes de um sistema orbital inteiro, em contraste com a perda total do equipamento a cada lançamento. O objetivo de longo prazo é tornar os lançamentos mais constantes e expandir a capacidade de transporte de cargas para o espaço.

Em relação a tentativas anteriores, a missão de 28 de setembro marcou o 14º voo de teste da Starship, alcançando a órbita terrestre pela primeira vez e introduzindo o transporte de uma carga operacional composta por 26 satélites Starlink de terceira geração (V3).

Contudo, esse voo enfrentou dificuldades. Um dos motores Raptor do propulsor parou prematuramente durante a subida, forçando a equipe de controle da missão a ajustar o protocolo para prosseguir com o lançamento. Além disso, a missão foi encerrada antes do previsto; o plano inicial previa cerca de dez horas de duração e seis órbitas terrestres, mas o voo cessou após aproximadamente três horas e duas órbitas.

Ao término, o Super Heavy caiu no Golfo do México, enquanto a nave Starship realizou uma queima para deixar a órbita e retornou à atmosfera, finalizando em pouso vertical no Oceano Pacífico, ao norte do Havaí. Nenhum dos componentes foi recuperado naquela ocasião, evidenciando que, embora a Starship consiga atingir a órbita e transportar satélites, a recuperação integral do sistema ainda representa um desafio significativo.

SpaceX quer acelerar os testes

Musk confirmou que a empresa dará continuidade às tentativas caso a captura não seja bem-sucedida no próximo voo. Há uma expectativa de que o ritmo dos testes seja aumentado ao longo de 2027.

A recuperação dos dois componentes é uma fase essencial nos projetos da SpaceX visando estabelecer um sistema orbital completamente reutilizável. Essa tecnologia também está intrinsecamente ligada à ambição de transportar grandes volumes de carga para o espaço e, futuramente, apoiar missões de exploração extraterrestre.

Atualmente, a captura simultânea da nave e do propulsor permanece como um alvo de teste, e o desfecho da próxima missão determinará se a empresa está preparada para progredir nesta fase da reutilização da Starship.

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