Elon Musk sustentou que a inteligência artificial (IA) e os robôs representam o único caminho viável para solucionar o problema da dívida pública dos Estados Unidos, que alcançou a marca de US$ 40 trilhões (aproximadamente R$ 216 trilhões) em agosto. Segundo o bilionário, focar apenas em cortes orçamentários governamentais não constitui uma estratégia eficaz.
Essa afirmação foi proferida durante um episódio recente do podcast The Builders, conduzido pelo escritor Walter Isaacson. Musk explicou que chegou a essa conclusão após passar 130 dias atuando como funcionário especial do governo durante a segunda gestão de Donald Trump.
Entre janeiro e maio de 2025, o empresário liderou, na prática, o escritório de Eficiência Governamental da Casa Branca, conhecido como DOGE, cuja missão era diminuir os dispêndios federais. Musk declarou a Isaacson: «Cheguei à conclusão de que a única maneira de resolver a dívida nacional é com IA e robôs. Não vamos conseguir resolvê-la tentando economizar até chegar lá», classificando a alternativa da economia como «impossível».
Em vez de controlar as despesas estatais, Musk aposta no impulso econômico gerado pela tecnologia. Ele prevê que a chamada superinteligência digital pode elevar a produção global de bens e serviços em 20% a 30%. Esse avanço, segundo ele, adicionaria cerca de US$ 30 trilhões (aproximadamente R$ 162 trilhões) anualmente à economia mundial.
Musk também ligou o desenvolvimento robótico à exploração espacial. Para ele, combinar essas tecnologias com a capacidade de estabelecer um sistema de lançamento de cargas a partir da Lua poderia expandir drasticamente a dimensão econômica. Ele projetou: «Se você tiver robôs e chegar ao espaço, podendo construir um lançador eletromagnético na Lua, então poderá chegar, potencialmente, a uma economia um milhão de vezes maior que a da Terra».
Essa projeção insere-se em uma visão futurista onde a automação e o acesso a recursos e atividades extraterrestres modificariam profundamente a produção econômica. Além disso, o empresário antecipou que o progresso tecnológico poderia tornar o dinheiro «irrelevante». Embora as moedas continuassem a existir, elas deixariam de operar como hoje, pois «moedas convencionais não terão importância», previu Musk. Ele sugeriu que um futuro sistema monetário poderia ser baseado em grandezas físicas primárias, como energia, massa e potência.
As falas indicam uma mudança econômica onde a capacidade produtiva, impulsionada pela automação, ganharia maior relevância que o sistema monetário tradicional. Durante a entrevista, Musk também refletiu sobre seu tempo no Departamento de Eficiência Governamental, admitindo ter se envolvido excessivamente e que deveria ter mantido-se mais discreto. Ele comentou a Isaacson: «Acho que deveria ter ficado mais nos bastidores e provavelmente ter feito isso durar apenas um ou dois meses, porque, nesse ponto, você já viu praticamente tudo o que havia para ver».
Adicionalmente, Musk lamentou não ter deixado o projeto antes para focar em IA, afirmando: «Eu deveria ter saído e me concentrado em IA um pouco antes do que fiz». Essa avaliação contrasta com o período em que ele liderou os esforços de redução de gastos federais, pois agora ele defende que o enfrentamento da dívida dos Estados Unidos depende fundamentalmente de um salto de produtividade provocado pela tecnologia.
